Quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026 - 09h15

O aumento do imposto de
importação sobre smartphones, oficializado pela Resolução Gecex nº 852/2026, já
começa a gerar impacto no mercado. A alíquota passou de 16% para 20% e está em
vigor desde 6 de fevereiro de 2026. Embora o reajuste pareça pequeno à primeira
vista, o efeito no preço final pode ser maior do que muitos consumidores
imaginam.
De acordo com o professor de
Contabilidade da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado
(FECAP), Tiago Slavov, o principal motivo é o chamado “efeito cascata” dos
impostos no Brasil. “O Imposto de Importação não incide isoladamente. Ele
compõe a base de cálculo de outros tributos, como IPI e ICMS. Isso faz com que
um aumento de quatro pontos percentuais gere um impacto ampliado no preço
final”, explica.
A resolução aumentou o imposto de importação de mais de mil produtos nas áreas
de informática, telecomunicações e bens de capital. No caso dos smartphones, a
mudança tende a afetar tanto consumidores quanto empresas que dependem desses
equipamentos.
SIMULAÇÃO MOSTRA IMPACTO REAL NO
BOLSO
Para
ilustrar o efeito prático da medida, o professor da FECAP fez uma simulação
considerando a importação de um smartphone com valor aduaneiro de R$ 3.000, antes
dos impostos.
Foram adotadas as seguintes
premissas:
- IPI: 15%;
- PIS/Cofins-Importação: 11,75%;
- ICMS: 18% (alíquota usada como
exemplo, podendo variar conforme o estado).
No cenário anterior, com imposto
de importação de 16%, o custo tributário total era de R$ 2.310,37. Com a nova
alíquota de 20%, o custo tributário total sobe para R$ 2.478,78. A diferença é
de R$ 168,41 por unidade importada.
“Esse valor pode variar conforme o estado, por causa do ICMS, e de acordo com
outras despesas da importação. Mas a simulação deixa claro que o impacto vai
além do simples aumento nominal da alíquota”, destaca Slavov.
DEBATE ENTRE PROTEÇÃO DA
INDÚSTRIA E IMPACTO NO MERCADO
O Ministério da Fazenda defende a
medida como forma de proteger a indústria nacional, argumentando que o aumento
da entrada de produtos importados estaria prejudicando a produção interna e a
cadeia produtiva brasileira.
Por outro lado, empresas e entidades do setor de tecnologia afirmam que muitos
itens importados-como smartphones, servidores e roteadores- são essenciais para
a modernização das empresas e nem sempre possuem equivalente nacional em
quantidade suficiente. “Há um equilíbrio delicado entre política
industrial e impacto no consumo. Medidas de proteção podem estimular a produção
local no longo prazo, mas no curto prazo tendem a pressionar preços”, analisa
Slavov.
POSSÍVEIS EFEITOS PARA O
CONSUMIDOR E NA ECONOMIA
Entre os
efeitos esperados estão:
- Repasse do aumento ao
consumidor final;
-Pressão sobre a inflação;
- Elevação de custos para
empresas e serviços que dependem de tecnologia.
O governo avalia que o impacto inflacionário será limitado e destaca que
existem regras de exceção quando não há produção nacional comprovada. No
entanto, empresas do setor apontam que o processo para comprovação costuma ser
burocrático.
Para Slavov, o consumidor deve se
preparar para possíveis reajustes. “Mesmo que o aumento unitário pareça
moderado, quando somado a outros custos da cadeia, o efeito pode ser
perceptível no preço final nas lojas”, conclui.
Ilustração: Canaltech.
Fonte: FECAP.
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