Segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026 - 16h03

Os
pequenos negócios são a espinha dorsal da economia brasileira. Dados do Serviço
Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) indicam que
microempresas, empresas de pequeno porte e MEIs representam cerca de 98% das
empresas ativas no país. Já o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE) aponta que essas empresas concentram mais da metade dos empregos formais
do setor privado, além de terem papel central na geração de novas vagas nos
últimos anos. Apesar dessa relevância econômica e social, é justamente sobre este
segmento que recaem os maiores riscos da Reforma Tributária.
Estrutura
frágil diante de uma mudança estrutural
A
estrutura de gestão das PMEs brasileiras ainda é marcada por informalidade
administrativa, controles limitados e decisões tributárias reativas- tomadas,
muitas vezes, apenas no momento do recolhimento dos impostos. Em um ambiente já
pressionado por margens reduzidas, crédito restrito e alta volatilidade de
custos, a reforma surge como um fator adicional de estresse financeiro.
O
problema central não é apenas a mudança da lei, mas o nível de preparação das
empresas. A reforma expõe uma realidade incômoda: grande parte dos pequenos
negócios não sabe com precisão qual é seu lucro real, seu custo efetivo por
produto ou serviço e quanto paga de imposto em cada operação.
Este
cenário se torna especialmente delicado diante da substituição de tributos
cumulativos por um modelo de IVA dual, estruturado em CBS e IBS. O novo sistema
exigirá:
Para empresas que ainda dependem de planilhas manuais ou informações fragmentadas, o risco vai além de pagar mais imposto. Envolve perda de previsibilidade financeira, redução de competitividade e, em casos extremos, ameaça à própria sobrevivência.
A
falsa sensação de proteção
Há, em
muitas PMEs, uma subestimação do tamanho da mudança. Parte dos empresários
acredita que estará automaticamente protegida pelo Simples Nacional ou por
contratos de longo prazo já firmados. Esta percepção é equivocada.
A reforma
impacta diretamente:
Além
disso, o novo modelo ampliará significativamente a capacidade de controle do
Fisco sobre as operações empresariais. O ambiente fiscal será mais transparente-e
também mais exigente.
Neste
contexto, o planejamento tributário deixa de ser uma ferramenta pontual e passa
a ocupar papel estrutural na estratégia do negócio. Não planejar, a partir de
agora, significa assumir riscos diretos sobre o caixa e a continuidade da
operação.
O erro
estratégico: tratar contabilidade como mera obrigação
Um dos
maiores desafios é cultural. Muitas PMEs ainda enxergam a contabilidade como
serviço operacional voltado apenas ao cumprimento de obrigações acessórias.
Esta
visão limitada torna-se perigosa em um momento em que a legislação exige
leitura integrada de tributação, custos, contratos e modelo de negócio. A
empresa que não integrar essas dimensões operará no escuro.
Cinco
pontos críticos para reduzir riscos
Especialistas
apontam cinco áreas de atenção imediata para as PMEs:
1.
Avaliar o impacto real da reforma
É imprescindível compreender como a nova lógica tributária afeta produtos, serviços e contratos específicos. Sem essa análise técnica, decisões de preço e negociação serão tomadas com base em suposições.
2.
Integrar as áreas da empresa
Tributação
não pode mais ser responsabilidade exclusiva da contabilidade. Comercial,
financeiro e jurídico precisam atuar de forma coordenada para proteger margens,
evitar conflitos contratuais e preservar competitividade.
3.
Revisar preços e margens
A mudança
no modelo de impostos altera custos indiretos e dinâmica de créditos. Empresas
que não recalcularem sua estrutura de preços podem perder faturamento e
rentabilidade rapidamente.
4.
Buscar assessoria especializada
A
complexidade da transição exige apoio técnico qualificado. Parceiros com visão
integrada — e não apenas operacional — serão fundamentais para reduzir riscos,
retrabalho e exposição fiscal.
5.
Entender que o planejamento será contínuo
A reforma
não é um evento isolado. Regulamentações e ajustes ocorrerão ao longo dos
próximos anos. Estratégias tributárias e financeiras precisarão de revisões
periódicas. Há pontos ainda indefinidos que podem gerar mudanças imprevistas.
Quem
se antecipa ganha; quem ignora reage sob pressão
As PMEs
não podem tratar a Reforma Tributária como tema restrito às grandes
corporações. Não há como escapar de seus efeitos.
Empresas
organizadas- ou que se organizarem mais rapidamente- terão maior
previsibilidade, margem de manobra e capacidade de negociação. Já aquelas que
ignorarem a magnitude da transformação provavelmente reagirão sob pressão,
sentindo primeiro o impacto no caixa.
A mudança
é inevitável e já está em andamento. Para MEIs, micro e pequenas empresas, o
custo da inércia pode ser significativamente maior do que o custo da adaptação.
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