Terça-feira, 10 de março de 2009 - 22h07
Silvio Persivo (*)
Lembro de um candidato que passou vinte anos dizendo que se eleito mudaria completamente a face do país. Nunca antes neste país e, talvez no mundo, na verdade, alguém falou tanto em mudar quando Luiz Inácio Lula da Silva. Até mesmo no seu discurso de posse, nos idos de primeiro de janeiro de 2003, ainda assumiu dizendo que a palavra chave de seu governo era mudança. Mas o que mudou de fato? Um Senado presidido, pela terceira vez, por José Sarney, ou uma Câmara presidida, pela terceira vez, por Michael Temer? Ou será que a eleição de Fernando Collor de Mello, que chegou a ser sinônimo-mór de corrupção, para chefiar a Comissão de Infraestrutura que fiscaliza o PAC? Ou a mudança será de que Lula usa a máquina com a maior desfaçatez, com ar de dissimulação, para promover uma candidata de seu partido? Que, contanto, que alcance seus objetivos não importa que se destruam os partidos e o futuro do país? Que quanto mais fala menos as coisas acontecem na vida real?
Bem não se pode negar que, ao não mudar, ao manter o que era indispensável, como a estabilidade econômica, uma razoável responsabilidade fiscal, câmbio flutuante e inflação na meta, Lula não tenha mudado (suas posições antigas) e acertado. Porém, no que tange ao modo de fazer política não mudou absolutamente nada do que precisava ser mudado. Pelo contrário enraizou o clentelismo oficial com o bolsa família, sedimentou, com a cooptação dos sindicalistas no governo, o fisiologismo descarado e, ainda, com formas dissimuladas, como apontou o ministro Gilmar Mendes, alimentou o conflito no campo e, com práticas como a do Mensalão, o crime organizado na política nacional.
Convenhamos que os petistas têm razão quando dizem que não inventaram nenhuma podridão nova, mas, com marketing e o colaboracionismo omisso das oposições, tornam o jogo político cada vez mais um circulo vicioso onde a locupletação e o crime se lavam com a hegemonia política, daí que os escândalos se tenham tornado tão normais que não escandalizam mais ninguém. Seja o deputado que esconde um castelo ou um avião, o funcionário público com uma mansão, a venda de cargos na polícia ou ex-dirigentes públicos ostentarem vidas milionárias quando saem de seus cargos quando são (eram?) reconhecidamente sem posses. O fato é que, ao propiciar a vitória do que supostamente, seria o seu oposto, o agora senador Collor, Lula se mostra como um patrocinador do é dando que se recebe, um adesista militante e, portanto, fator de aceleração da degeneração política denunciada amplamente por Jarbas Vasconcelos. Seu comentário de que a vitória de Collor, com seu aval, na comissão do Senado, de que O acordo que elegeu o Sarney, elegeu o Collor é uma concordância com o que vem sendo feito e uma reconciliação com o ex-presidente alagoano que, sabiamente, retrucou Aluízio Mercadante, lembrando o caso dos aloprados, dizendo que Não sou mais puro nem impuro do que ninguém.
(*) É Doutor em Desenvolvimento Sustentável
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