Quinta-feira, 8 de janeiro de 2026 - 18h14

O Brasil ingressa em 2026
vivendo uma contradição que desafia os manuais da economia tradicional, mas
traduz com precisão a psicologia social do país. De um lado, os dados da
pesquisa Hibou revelam um país operando em “modo de sobrevivência”: 39% dos brasileiros
iniciam o ano endividados, e quase um terço desse contingente carrega dívidas
expressivas, superiores a R$ 15 mil. De outro, a pesquisa Ipsos aponta que
impressionantes 80% da população acreditam que 2026 será um ano melhor.
À primeira vista, os números
parecem inconciliáveis. Estaríamos diante de um otimismo ingênuo ou de uma
resposta emocional a um ambiente econômico e político cada vez mais adverso? A
leitura do cenário macroeconômico não autoriza complacência. A inflação segue
pressionando o custo de vida, as taxas de juros permanecem elevadas e o crédito
se tornou um privilégio caro. O consumo “racional”, portanto, deixou de ser uma
opção e passou a ser uma imposição. Não por acaso, metade dos brasileiros
acredita que a economia nacional tende a piorar.
Diante desse quadro, o
brasileiro médio ajustou suas expectativas e passou a “fazer conta”. O
planejamento para 2026 revela prioridades claras e defensivas:
O ambiente político adiciona
ainda mais incerteza ao cenário. Com eleições presidenciais no horizonte, a
desconfiança nas instituições permanece profunda. Segundo a Ipsos, 51% dos
brasileiros acreditam que haverá protestos contra o governo em 2026, enquanto
60% demonstram temor até mesmo de episódios extremos, como ataques terroristas.
Trata-se de um sintoma claro de insegurança institucional e de erosão da
confiança pública.
Curiosamente, a válvula de
escape não está fora do país. O custo elevado das viagens internacionais-
agravado pelo câmbio desfavorável- afastou até mesmo o sonho de acompanhar
eventos globais, como a Copa do Mundo. Em seu lugar, ganham espaço o turismo
doméstico e pequenos “presentes para si mesmo”: gastos pontuais, simbólicos,
que funcionam como compensação emocional em um cotidiano marcado por
restrições.
Resta, então, a pergunta
central: há lógica em acreditar que 2026 será melhor (80%) enquanto se projeta
uma piora da economia (50%)? A resposta não está na irracionalidade, mas em uma
dissociação cada vez mais clara entre o “eu” e o “Estado”. O brasileiro deixou
de esperar soluções vindas do governo ou de mudanças estruturais de curto
prazo. O otimismo que emerge é individual, pragmático e defensivo. A crença não
está no país, mas na própria capacidade de adaptação, no esforço pessoal e na
possibilidade de uma “virada de chave” privada. É a aposta no próprio taco.
Neste sentido, a esperança
deixou de ser passiva e tornou-se instrumental. É uma ferramenta de
sobrevivência, não uma aposta política. Se 2025 foi rotulado como “ruim” por
61% da população, 2026 surge como o ano da aposta no próprio taco. O brasileiro
entra no ringue consciente da hostilidade do cenário, mas decidido a não jogar
a toalha.
Talvez seja esse o mais
sofisticado “samba” já produzido pelo país: o de quem dança conforme a música,
mesmo quando a orquestra está desafinada- e o salão, quase vazio.
Quinta-feira, 15 de janeiro de 2026 | Porto Velho (RO)
Não subestime os mais velhos: eles são você amanhã, se sobreviver
O envelhecimento, tal como o conhecíamos, está passando por uma profunda transformação. Durante décadas, completar 60 anos significava, quase autom

Reflexões transitórias de fim de ano
Sim, minha querida, estou preso em mim mesmo. Nunca poderei deixar de ser eu mesmo. O mundo, o meu amor por você somente pode existir se meu “eu” ex

Split Payment: o Grande Desafio para os Negócios em 2026
A partir do próximo ano, o Brasil, por força da reforma tributária, irá começar a implantar o split payment, um mecanismo que modifica a forma como

Esperando para ver o que fazer
É inevitável que, quando chega o fim do ano, as pessoas e as empresas recaíam no ciclo de sempre: analisar o que se passou, verificar os erros e os
Quinta-feira, 15 de janeiro de 2026 | Porto Velho (RO)