Segunda-feira, 26 de janeiro de 2026 - 12h10

Viver no Brasil nos últimos
anos tem sido um exercício de resiliência. Entre a sensação de que o dinheiro
vale menos no supermercado e a dificuldade crescente de manter um negócio
aberto, um fenômeno fica claro: o ambiente de consumo e de produção está sob
ataque.
Para entender como chegamos
até aqui, precisamos analisar as três engrenagens que estão travando o país: a Reduflação,
o Custo Brasil e a Mortalidade das Empresas.
1. O Fenômeno da "Reduflação":
Pagando mais por menos
Você já notou que a barra de
chocolate diminuiu, o pacote de sabão em pó está mais leve e o biscoito agora
vem com menos unidades, mas o preço continua o mesmo (ou subiu)? Isso tem nome:
Reduflação.
As empresas, espremidas entre
o aumento dos custos de produção e o baixo poder de compra da população, adotam
estratégias para não repassar todo o aumento de preço de uma vez:
O resultado é um consumidor
que se sente enganado e índices oficiais de inflação que parecem não refletir a
realidade sentida no bolso.
2. O Peso do Estado e a
Logística Cara
Não bastasse a inflação, o
ambiente de negócios sofre com a "voracidade" do Estado. A Reforma
Tributária, embora necessária na teoria, traz incertezas e o temor de uma
carga ainda mais pesada para quem produz.
Um exemplo prático do
"custo Brasil" é a situação da Amazônia Ocidental (Acre, Amazonas
e Rondônia). A BR-364, única via terrestre que liga a região ao restante do
país, passou a cobrar pedágio sem apresentar melhorias reais na pista.
O impacto é direto: Se o
frete sobe por causa do pedágio e da estrada ruim, o preço do arroz e do feijão
sobe na prateleira da região Norte. É o "coice" após a queda.
3. O Cemitério de Empresas: A
Asfixia da Livre Iniciativa
Os números são alarmantes e
mostram que o empreendedorismo no Brasil virou uma prova de sobrevivência
extrema:
|
Indicador de
Mortalidade Empresarial |
Taxa de Fechamento |
|
Empresas em geral (até 5
anos) |
60% |
|
Setor do Comércio (até 5
anos) |
30,2% |
|
Empresas empregadoras (no 1º
ano) |
20% |
Fonte: Ministério de Indústria
e Comércio-MDIC/SEBRAE
No primeiro quadrimestre de
2025, o cenário atingiu um ápice preocupante: mais de 973 mil empresas
encerraram suas atividades. Isto significa que, para cada três empresas
criadas, uma fechou as portas quase imediatamente. O fato de a maioria das
novas empresas serem MEIs (Microempreendedores Individuais) indica que muitos
estão empreendendo por necessidade, e não por oportunidade, em um mercado que
não oferece fôlego para crescer.
O cenário atual sugere que a
livre iniciativa está sendo asfixiada. Entre impostos elevados, infraestrutura
precária e o baixo poder aquisitivo das famílias, o "bom senso"
econômico parece ter sido esquecido. Enquanto o Estado não entender que o
excesso de tributação sem retorno destrói quem gera emprego, continuaremos
vendo produtos menores nas prateleiras e mais portas de ferro descendo no
comércio local.
Segunda-feira, 26 de janeiro de 2026 | Porto Velho (RO)
Não subestime os mais velhos: eles são você amanhã, se sobreviver
O envelhecimento, tal como o conhecíamos, está passando por uma profunda transformação. Durante décadas, completar 60 anos significava, quase autom

O “samba do crioulo doido” de 2026: crise no país e fé no próprio taco
O Brasil ingressa em 2026 vivendo uma contradição que desafia os manuais da economia tradicional, mas traduz com precisão a psicologia social do paí

Reflexões transitórias de fim de ano
Sim, minha querida, estou preso em mim mesmo. Nunca poderei deixar de ser eu mesmo. O mundo, o meu amor por você somente pode existir se meu “eu” ex

Split Payment: o Grande Desafio para os Negócios em 2026
A partir do próximo ano, o Brasil, por força da reforma tributária, irá começar a implantar o split payment, um mecanismo que modifica a forma como
Segunda-feira, 26 de janeiro de 2026 | Porto Velho (RO)