Quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026 | Porto Velho (RO)

×
Gente de Opinião

Silvio Persivo

Na teia da opinião



Uma questão que, cada vez mais, se impõe perante nós, aqui me situando na pele de quem não almeja mais do que ter seus direitos respeitados e ser uma pessoa que viva bem e feliz, é o estado perpétuo em que vivemos de ser cobrado por nossas opiniões. É verdade que, quando escrevo, me exponho publicamente e é lícito que assim seja, mas, muitas vezes, enredados nas redes de informações em que existimos, mesmo sem saber estamos opinando para pessoas que nos levam em consideração seja num blog, seja numa sala de aula ou até em conversas com colegas e alunos. É assustador que, embora seja uma das nossas necessidades não ter opiniões em certos momentos, principalmente quando não se conhece alguns assuntos, sempre somos chamados a ter. Neste sentido não tenho o menor problema em dizer que não sei do que não sei, porém, muitas vezes, me sinto invadido, em minha privacidade, tendo que explicar opiniões que escancaram partes de minha personalidade e de minha vida que, a rigor, não interessa a ninguém. E, algumas delas, não quero nem mesmo lembrar. Todavia, o mundo hoje parece não aceitar que nos calemos sobre nada. Parece que temos obrigação de falar e conhecer tudo. Sinceramente não é o meu caso. Sei o que sei, e se me considero quase um intelectual, não tenho a menor pretensão de opinar sobre tudo ou quase tudo. Tem certas horas mesmo em que não pretendo opinar sobre nada e só me interessa ficar quieto no meu lugar.

Sinto, porém, que há uma espécie de histeria por informações, por devassar tudo, por tudo saber e, em especial, parece existir uma histeria opinativa que não deixa espaço algum para quem não gosta de opinar. Sinceramente sei lá se Obama governa bem ou não. Nem quero saber se Chávez é a besta que parece ser ou se, de fato, o Egito foi garfado na Copa das Confederações, embora, se fosse o contrário, não acredito que marcassem um pênalti no último minuto. Enfim sobre o que se opinar não tem fim. E, só para não perder o embalo, pode-se opinar sobre questões tão transcendentes quanto se foi justo tirarem a Babi Xavier do programa “A Fazenda” mesmo que, para mim, a pergunta essencial é para que existe um programa deste tipo? O certo é que, assim como há uma ditadura do dinheiro, há também uma ditadura da informação e sua principal manifestação, sem dúvida, é a necessidade de opinar sobre tudo mesmo quando não se sabe de nada sobre o assunto. É o caso, principalmente, das opiniões sobre a Amazônia. Em especial quando se juntam artistas que, como se sabem, são muito bons para representar, mas, nem sempre, pensam muito a respeito de nada. Esta, é claro, a minha opinião.

Fonte: Sílvio Persivo
silvio.persivo@gmail.com

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

Gente de OpiniãoQuinta-feira, 5 de fevereiro de 2026 | Porto Velho (RO)

VOCÊ PODE GOSTAR

A ilusão oficial: desemprego em queda numa economia que não vai tão bem quanto parece

A ilusão oficial: desemprego em queda numa economia que não vai tão bem quanto parece

A taxa oficial de desemprego no Brasil atingiu em 2025 o menor nível da série histórica do IBGE. Mas por trás dos números celebrados pelo governo, c

Entenda o "Efeito Dominó" na Economia Brasileira

Entenda o "Efeito Dominó" na Economia Brasileira

Viver no Brasil nos últimos anos tem sido um exercício de resiliência. Entre a sensação de que o dinheiro vale menos no supermercado e a dificuldade

Não subestime os mais velhos: eles são você amanhã, se sobreviver

Não subestime os mais velhos: eles são você amanhã, se sobreviver

O envelhecimento, tal como o conhecíamos, está passando por uma profunda transformação. Durante décadas, completar 60 anos significava, quase autom

O “samba do crioulo doido” de 2026: crise no país e fé no próprio taco

O “samba do crioulo doido” de 2026: crise no país e fé no próprio taco

O Brasil ingressa em 2026 vivendo uma contradição que desafia os manuais da economia tradicional, mas traduz com precisão a psicologia social do paí

Gente de Opinião Quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026 | Porto Velho (RO)