Porto Velho (RO) domingo, 8 de dezembro de 2019
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Silvio Persivo

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Eu também sou Rodrigues, mas, não sou Nelson. Se fosse escreveria que já estava escrito nas palimpsestos gregos, nas pedras ancestrais, nos primórdios da criação do mundo, nas línguas dos primeiros profetas que o Flamengo seria campeão da Libertadores este ano. Este time do Flamengo é um grande time? É, inexplicavelmente é. Feito mais por obra do acaso, embora também fruto de trabalho de excelentes técnicos, é uma obra das mais improváveis. É que nele estão juntos velhos talentos, talvez, movidos também por antigas paixões reavivadas, com promessas, agora, cumpridas e até com desconhecidos talentos, como Pablo Marí. Trouxeram Diego, Diego Alves, Rafinha e Filipe Luís, veteranos consagrados, para juntar com nomes conhecidos, todavia, que ainda não tinham marcado seus nomes nos campos, como Bruno Henrique, De Arrascaeta, Gerson, Everton Ribeiro, Rodrigo Caio e, até mesmo, Gabigol, que, mesmo tendo sido artilheiro do brasileiro, não tinha ainda títulos que sedimentassem sua carreira. Com a mão do português, Jorge Jesus, arranjando as peças, fizeram história e se tornaram campeões da Libertadores de 2019. É verdade também que sobraram no campeonato brasileiro. Tudo indica que alcançarão a maior quantidade de pontos que um time ganhador já conseguiu, desde que o campeonato de pontos corridos foi estabelecido. Sua campanha, com vitórias memoráveis, o seu bom futebol rápido e demolidor,  credenciavam o Flamengo como favorito contra o River Plate. Ainda que Gallardo, que ignorava o destino, tivesse razão em dizer que se o Flamengo era superior que provasse nos gramados. Que foi provado, foi. Mas, convenhamos, da forma mais cruel possível. Sejamos justos. Não há como negar que o River foi melhor durante exatamente 93 minutos da partida. Jogou uma partida impecável durante todo este tempo. Dominou o campo, impediu que o Flamengo jogasse. O Flamengo foi irreconhecível, ao ponto, de permitir um gol inacreditável, que foi uma falha coletiva, porém, quase espírita. Era uma jogada que teve tudo para não acontecer. Não pensavam assim os deuses do futebol que permitiram ao River o sabor de pensar que poderiam vencer. Depois de uma hora e meia sem conseguir fazer uma única jogada, adormecido em campo, dominado, submetido, o Flamengo despertou. Do triste Flamengo, que não acertava passes, que não fazia uma jogada certa, que não ganhava um rebote, que desanimava o torcedor, reapareceu o time vencedor e, em três minutos, em apenas três rápidos minutos, fulminou o River Plate. Acertando uma jogada! Só uma! E, com ela, desmontou tudo o que o River havia feito. O golpe foi tão mortal, tão fatal, tão perfeito, tão monumental que nem precisou de uma segunda. De um lance improvável, de uma bola lançada mais para a defesa do que para um provável ataque, de um lançamento sem futuro, o faro de goleador de Gabigol, a vocação de artilheiro, brilhou. E ele, que só havia tido o fácil trabalho de empurrar a bola nas redes no primeiro gol, como um tanque, se impôs aos zagueiros, que atrapalhados, assistiram o seu chute implacável, certeiro, matador. Não havia o que fazer mais. Era só levantar a taça. Foi sorte? Foi. Porém, quem disse que os grandes times não precisam de sorte para vencer? A sorte foi tanta que, no domingo, foi campeão brasileiro sem entrar em campo. Agora, sejamos cirúrgicos, precisos no exame: ninguém é um grande campeão apenas com sorte. O Flamengo fez história jogando muito. E foi premiado ganhando a Libertadores quando fez sua pior partida dos últimos tempos. Porém, não é todo time que só precisa de três minutos jogando bem para ganhar do River Plate. A verdade é que estava escrito! 

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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