Porto Velho (RO) quinta-feira, 23 de janeiro de 2020
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Silvio Persivo

HADDAD NÃO É MAIS LULA? Silvio Persivo


No primeiro turno Haddad usou a bandeira vermelha do PT e saiu dizendo, a Deus e o mundo, que era Lula. Até teve a coragem de usar uma máscara do seu líder. O resultado foi o que se viu: Bolsonaro teve 49.276.990 votos (46,03% dos válidos), e Haddad, 31.342.005 (29,28%). Assim Bolsonaro teve 17.934.985 votos a mais. Bem, o segundo turno é outra eleição? Pode Haddad virar? As respostas são sim e sim, habitualmente. Porém, na situação atual a possibilidade disto ocorrer é muito mais de não e não. A razão é que já no primeiro turno a eleição polarizou-se e os que não votaram em Bolsonaro, fora os brancos e nulos, ou seja, votaram em outros candidatos foram um pouco mais de 26 milhões. Decorre disto que, se Bolsonaro só tivesse o mesmo número de votos, Haddad, para vencer,  precisaria buscar para si cerca de 70% dos votos que foram dados a todos os outros candidatos.

A dificuldade imensa disto é que Haddad não consegue obter nem mesmo os votos que Lula poderia alcançar. Piora ainda mais a possibilidade quando se verifica que o primeiro turno mostrou um forte sentimento antipetista que se ancora numa situação real: Lula e os principais nomes do Partido dos Trabalhadores ou estão presos ou estão condenados pela Justiça por corrupção e outros crimes. A farsa do “golpe” recebeu uma condenação pública em Minas Gerais com Dilma Roussef acabando em quarto lugar na eleição para o senado. E não foi só ela: Suplicy, um símbolo do PT e uma liderança paulista também perdeu para o senado, mesmo sendo favorito. E, como o PT também teve apoio de outros partidos, que participaram do botim com ele, as lideranças, os velhos caciques que o apoiaram, foram, exemplarmente, castigados. É o caso de Romero Jucá, de Requião, de Raupp e tantos outros.

Qual a estratégia de Haddad para tentar reverter o jogo? Segundo tudo indica é amenizar o discurso petista, buscar o centro, não ir mais pedir conselhos de Lula na cadeia de Curitiba. Ou seja, Haddad não é mais Lula. O grande problema desta estratégia é que não basta deixar de usar o vermelho ou trocar as cores de sua campanha para verde e amarelo. Como deixando de ser Lula irá segurar os votos que são de Lula? O que é certo é que ao se afastar de Lula deve desagradar a uma parte do seu próprio eleitorado. E assumir mais o seu lado Haddad. Bem, outro problema é que o próprio Haddad não está fora dos problemas que o PT possui: além de processos tem contra si também a pecha de ser um administrador não muito competente. Haddad pode não ser Lula, mas, pode não ser muita vantagem voltar a ser Haddad.

(*) É Doutor em Desenvolvimento Sustentável pelo NAEA/UFPª e Professor de Economia Internacional da UNIR.

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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