Quarta-feira, 4 de outubro de 2017 - 20h10
4 de outubro de 2015
Sempre gostei da vida. Gostava muito da vida em Porto Velho. E Porto Velho já foi uma cidade pacata, uma cidade onde a vida se arrastava e o trânsito fluía e, é verdade, sempre foi quente e empoeirada. Porém, era um calor diferente, um calor calorento, mas, amável. Era um calor, digamos divino. O calor atual não é de deus. Não dá para viver e aceitar. Não é um calor digno, é um calor sem humanidade. E este parece ser o tom da vida ultimamente. Tudo parece farsa, tudo parece sem sentido, as coisas parecem não se encaixar por mais que nos esforcemos, por mais que busquemos saídas, parece que entramos num labirinto onde o próximo túnel parece ter um desafio maior, como se as pecinhas da vida tivessem se desenfileirado, que as engrenagens estejam rodando ao contrário. Sinto que está tudo muito estranho, que as pessoas não estão bem com a vida, que estão achando tudo tão ruim, tão esquisito e triste, que, de repente, me pego pensando no passado, voltando ao passado, a troco de nada, só para me sentir bem, lembrar que houve um tempo em que tudo era melhor.
Claro que me sinto mais velho, e os anos contribuem para ter uma perspectiva pior, que continuo sem dinheiro (isto, porém, é a novela de uma vida inteira da maior parte dos brasileiros), engordei, perdi cabelos, perdi pessoas queridas, amei e deixei de amar, me afastei de quem não devia me afastar, fui bom com quem não devia ser ou ruim com quem devia amar, enfim, cometi as tolices que todos nós fazemos, de vez que sou, igual a todo mundo, uma besta que toma decisões sem pensar muito e depois não tem mais como chorar o leite derramado. Mas, a questão, embora seja comigo também, não é só comigo. Nós estamos precisando de alguma coisa que mude a nossa perspectiva e, me parece, muito esquisito que tudo esteja tão mau. E ainda mais com tanta dor, suor e calor. E ainda é mais esquisito por ser primavera, uma época de renascer, recomeçar, das florzinhas de ipê florindo, dos passarinhos nos galhinhos no sol. Mas, não tem jeito. A vida não está se encaixando direitinho e no noticiário só sei de roubos, de políticos mafiosos, de assalto aos cofres públicos e crimes. E tenho uma saudade danada de um dia mais claro, um céu mais azul, bem azul, daqueles que cantam na marcha (Azul, nosso céu é mais azul) que virou nosso hino. E penso otimista: amanhã será outro dia.
Tusso gripado e não posso deixar de assinalar:-É, mas, hoje tá horrível.
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