Segunda-feira, 20 de outubro de 2025 - 08h10

A taxa de
desemprego no Brasil manteve-se em 5,6% no trimestre encerrado em agosto de
2025, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua
(PNAD Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O
resultado repete o menor patamar da série histórica iniciada em 2012 e
representa cerca de 6,1 milhões de brasileiros desocupados, o número mais baixo
já registrado. À primeira vista, os números indicam um mercado de trabalho
sólido. Contudo, economistas e analistas alertam que a aparente bonança esconde
uma realidade marcada pela informalidade, subocupação e precarização das
relações laborais. Isto se baseia em que para ser considerada desempregada, a
pessoa precisa atender a três critérios definidos pelo IBGE-Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística:
1)
não
ter trabalhado sequer uma hora na semana de referência;
2)
ter
procurado trabalho nos últimos 30 dias; e
3)
estar
disponível para assumir uma vaga, caso surja.
Estas
condições deixam fora da estatística milhões de brasileiros que, embora desejem
trabalhar, não possuem meios financeiros para procurar emprego-como o custo de
transporte- ou estão subocupados, isto é, trabalham poucas horas por semana em
atividades eventuais sem contar os que vivem de subsídios do governo, como o
Bolsa Família. Além disso, há o grupo
dos desalentados, que desistiram de buscar emprego por falta de oportunidades
ou desânimo com o mercado. Embora invisíveis nas estatísticas oficiais, eles
representam uma parcela expressiva da população em idade ativa.
É preciso
acentuar que de acordo com o IBGE, cerca de 39 milhões de brasileiros estavam
na informalidade em agosto de 2025, o que equivale a 38% da força de trabalho
ocupada. Esses trabalhadores não têm acesso a direitos básicos, como férias
remuneradas, descanso semanal e 13.º salário. Outro ponto preocupante é o
avanço das plataformas digitais de trabalho- motoristas, entregadores e
prestadores de serviços por aplicativos- que, apesar de representarem uma nova
dinâmica no mercado, operam sem garantias trabalhistas e sob forte pressão
econômica. Segundo a economista Maria Silva, pesquisadora da Universidade de
Brasília (UnB), “a atual taxa de desemprego mascara a deterioração das
condições laborais. Há uma geração inteira que trabalha mais, ganha menos e
vive sem proteção social”. O discurso de “pleno emprego”- sugerido por parte do
mercado financeiro e autoridades-ignora o caráter limitado da metodologia
oficial. Embora o número de pessoas ocupadas tenha aumentado, a qualidade dos
empregos criados caiu, com expansão de postos informais e temporários. Além disto,
o poder de compra dos salários permanece em queda devido à inflação e ao
aumento do custo de vida. “Mesmo com uma taxa de desemprego baixa, o
trabalhador brasileiro está em situação pior do que há dois ou três anos”,
observa o economista Ricardo Teixeira, da Fundação Getúlio Vargas (FGV). A
redução da taxa de desemprego é positiva, mas não pode ser confundida com
progresso social. O verdadeiro indicador de bem-estar laboral vai além do
número de pessoas empregadas-passa pela qualidade das condições de trabalho,
pela segurança de renda e pela preservação dos direitos trabalhistas. Enquanto
essas dimensões não forem incorporadas à análise, o “pleno emprego” continuará
sendo uma ilusão estatística- e o trabalhador brasileiro, a parte mais frágil
dessa equação. E o que vale para o Brasil vale para Rondônia onde apesar de ser
vangloriar de manter o segundo lugar em taxa de desocupação do país apresenta,
em Porto Velho, um imenso contingente de jovens desalentados, que não procuram
mais empregos porque não conseguem (ou não existem). São jovens, em geral, sem
experiência de primeiro emprego e que precisam de aprendizado e medidas que
estimulem serviços de alta tecnologia, de maior valor agregado e produtividade
para poderem ser aproveitados.
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