Quinta-feira, 4 de dezembro de 2025 - 11h25

A partir do próximo ano, o
Brasil, por força da reforma tributária, irá começar a implantar o split
payment, um mecanismo que modifica a forma como os tributos são pagos nas
transações comerciais. Embora, em 2026, seja somente um período de testes e um
ensaio geral já será preciso os empresários se preocuparem com o que irá
acontecer. Com esta medida, o valor do imposto será automaticamente separado do
montante da mercadoria ou serviço no momento da transação. O governo afirma que
a implementação ocorrerá de forma simultânea nas operações de varejo e nos
principais instrumentos de pagamento eletrônico, trazendo inovação, eficiência
e justiça fiscal. No entanto, esta mudança pode representar um grande desafio,
especialmente para micro e pequenos negócios e empresas de varejo com margens
de lucro reduzidas.
O split payment (pagamento
dividido) é uma forma de gestão
tributária em que a alíquota do imposto é descontada automaticamente na hora da
venda, separando o valor do tributo do valor da mercadoria ou serviço. Esta
prática busca aumentar a eficiência tributária e a rastreabilidade das
operações, mas pode ter sérias implicações para os negócios. Embora o governo
apresente o split payment como uma solução inovadora, os efeitos adversos para
micro e pequenos empreendimentos são evidentes: Em primeiro lugar, com a
tributação imediata, o capital de giro das empresas será severamente impactado,
dificultando a manutenção da operação diária. O que deve gerar a necessidade de
capital para cobrir a tributação, o que pode levar pequenos empresários a
buscar crédito bancário, aumentando o seu endividamento. A pressão financeira também
pode resultar em um aumento da insolvência entre pequenos comerciantes,
colocando em risco a sustentabilidade de muitos negócios.
Um segundo problema advém de
que a implementação do split payment não se resume apenas à separação do
tributo durante as transações, pois exige à adequação dos Sistemas de
Pagamentos. As empresas precisarão
atualizar seus sistemas para se adaptarem ao novo modelo, bem como será
necessária uma coordenação complexa entre bancos, emissores, adquirentes e o
governo. As empresas precisarão investir em tecnologia para garantir
conformidade. Esta transição deve gerar custos elevados para empresas de todos
os portes e aumentar a complexidade operacional. Especialistas também alertam
que a adoção do split payment pode resultar em aumento das tarifas e custos
adicionais que serão repassados aos consumidores. Tal aumento dos custos
operacionais pode levar a uma diminuição da concorrência no setor. A
complexidade do novo sistema pode ser especialmente desafiadora para
microempreendedores e trabalhadores informais, que podem se ver excluídos das
plataformas digitais. Além disto, a relação de "tutela" do Estado
sobre o caixa privado, gerada pelo recebimento imediato dos tributos, pode
criar um ambiente de desconfiança e insegurança financeira.
O conceito de split payment
não é novo e já foi implementado em outros países, geralmente em setores
críticos. No entanto, onde foi aplicado amplamente, resultou em impactos
negativos significativos no caixa das empresas. No Brasil, os setores mais
afetados devem incluir Varejo, Serviços, E-commerce, Fintechs e pequenas
operações informais. Enfim, o split payment se apresenta como uma inovação no
sistema tributário brasileiro, mas é crucial que empresários e pequenos
comerciantes estejam cientes dos desafios que esta mudança pode acarretar. A
adaptação a este novo modelo pode complicar ainda mais o cenário econômico do
próximo ano, exigindo planejamento e estratégias adequadas para mitigar os
impactos.
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