Sábado, 4 de julho de 2009 - 13h44
Como um Pedro moderno, embora não renegando Jesus, por três vezes, o que já o transformou num bordão, o ministro do Supremo Tribunal Federal, Ayres Britto, tem repetido que Não basta ganhar. Tem que ganhar limpamente. A frase foi dita e repetida quando dos julgamentos no STF que culminaram na cassação de mandatos dos governadores Cassio Cunha Lima, Jackson Lago e Marcelo Miranda. Segundo o ministro ganharam, mas não limpamente, e, portanto perderam o que haviam conquistado. È fundamental que a Justiça proceda assim para a manutenção do jogo democrático e não deixa de ser um amadurecimento da Justiça Eleitoral brasileira. È o ideal que se tem de justiça, ou seja, de quando há erro, e fica provado, seja quem for, grande figura política ou cidadão comum, tem que pagar por ele e assim deve ser. A impunidade não é boa para a democracia e a justiça social.
A pergunta, porém, que não quer calar é: e quem ganha limpamente? Não me interessa aqui discutir nomes ou apontar miudezas. Não se trata de demonizar ninguém, nem de querer fazer campanha contra a ou b. Longe de mim. A rigor ainda me interesso por política à força. Gostaria mesmo que os políticos fossem tão bons que pudesse esquecer que a política existe. O problema real é que, diariamente, somos bombardeados pelas manchetes que falam de coisas que nos incomodam porque custam o nosso suor na medida em que passamos, praticamente, meio ano pagando impostos e, é claro, se tudo estivesse a beleza que dizem que está, com certeza, seria o primeiro a louvar os grandes dirigentes da nação. O problema real é que, apesar de todo o esforço da Justiça Eleitoral, é muito difícil existir uma eleição justa na medida em que há o peso decisivo do poder econômico que, para piorar, muitas vezes, vem do próprio uso da máquina pública. Mesmo os políticos melhores intencionados para sobreviver, de uma forma ou outra, acabam se atrelando a processos que ou são assistencialistas ou são ilegais.
Até mesmo o presidente da República, em plena à crise do Mensalão, numa entrevista na França, se desculpou, enviesadamente, dizendo que todo mundo usa Caixa 2. E, de fato, se examinadas as contas e os documentos levados à Justiça Eleitoral das campanhas muitos poucas se sustentariam. Há até mesmo uma tradição de se ter contabilidades paralelas nas campanhas que se revelam, vez por outra, por meio de denúncias, inclusive vídeos ou gravações, que mostram que as eleições estão longe de ser limpas. Por tais razões é importante não somente que as despesas sejam acompanhadas durante o processo, mas que também o voto distrital e outras formas de tornar as eleições mais limpas sejam adotadas. Se isto não acontecer as possibilidades de mudanças serão poucas e os cassados poderão sempre alegar Por que somente eu se todo mundo faz?.
Fonte: Sílvio Persivo/Doutor em Desenvolvimento Sustentável pelo NAEA,
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