Terça-feira, 13 de janeiro de 2026 | Porto Velho (RO)

×
Gente de Opinião

Silvio Persivo

A imprensa bateu no iceberg da viralização


A imprensa bateu no iceberg da viralização - Gente de Opinião

Que nós vivemos tempos em que se repetem os pensamentos, as notícias e as imagens sem análise não se trata de novidade nenhuma. O que mais me impressiona, porém, é a completa falta de noção que passou a dominar as redações dos denominados órgãos de imprensa, a grande imprensa em especial, as agências de notícias e os portais que dominam a veiculação das notícias. É comum, repetindo as palavras de Millôr Fernandes de que “Imprensa é oposição, o resto é secos e molhados”, que os jornalistas sejam oposição ao governo (embora a moda tenha se acentuado, agora, pois, passaram anos aplaudindo governos anteriores), porém, o que se pede de quem escreve para o público é, no mínimo, que procure, mesmo colocando sua posição, analisar os fatos e não ser explicitamente contra e, fortemente, partidário. Até aparece, e aqui não digo que não possa ter algum conteúdo de verdade, como chamada para um artigo a citação de que “em um ano, Bolsonaro emitiu mais de 1,6 afirmações falsas ou enganosas”. Convenhamos que o presidente pode, de fato, ter mentido, mas, a base para isto provém de onde? A resposta é de que vem de uma pouco conhecida entidade denominada de Artigo 19, aliás, que criou um Relatório Global de Expressão. Nada contra organizações assim, mas, em geral, apesar de possuírem pessoas com espirito público e, muitas, capacitadas, são direcionadas por um viés que é nitidamente anti-bolsonarista. Na maioria das vezes são pessoas ligadas às causas de direitos humanos, de defesa de minorias, do politicamente correto, ou seja, é quase como analisar o presidente sob a ótica dos lulistas! Também é preciso ver que grande parte da população não tem o menor interesse no que Bolsonaro diz ou deixa de dizer. Bem, mas, esta não é a questão, no fim, pois até mesmo a agência de notícias do governo federal quando anuncia os resultados de indicadores o que faz? Ressalta o aumento da inflação, quando, efetivamente, a notícia mais relevante é a de que o Produto Interno Bruto-PIB, a soma de tudo que se produz em bens e serviços no país, na previsão do mercado financeiro aumentou!!! Esta aí o nó da questão. A imprensa trata de assuntos de menor importância e é uma difusora permanente de más notícias. Todo dia reprisa o número de mortos, mas, não dá nenhuma atenção ao fato de que o país vacina quase três vezes mais, hoje, do que os Estados Unidos. Não dá a mínima para uma recuperação visível da economia que é o que interessa para nós, pobres mortais, que precisamos de renda para sobreviver. Que isto atue contra o governo Bolsonaro é ruim. Sob o ponto de vista econômico é péssimo por não contribuir para a estabilidade e a previsibilidade, contudo, este é um problema de Bolsonaro. O que me incomoda é que, como alguém que gosta de redação e da imprensa, é que as redações pareçam dominadas por robôs. Até parece que o que importa é ser contra, o que basta é criar polêmica, fazer a notícia ter ar de sensacionalismo-algo antes execrado no jornalismo marrom. Até os termos que usam são amadoristas. Nos estimulam a ver o que “viralizou”. Meu Deus! Viralizar não é ser importante, notável nem mesmo fundamental. É, nas mídias sociais, o que dá mais citações, mais likes! Penso que o jornalismo perde totalmente sua importância quando se pauta pelas redes sociais. Vira, efetivamente, um prisioneiro dos robôs e dos algoritmos. É de ser perguntar: para que manter pessoas nas redações se tudo está padronizado? Se não há bons jornalistas fazendo a escolha e a análise das matérias; se as notícias, as visões e as fotos são as mesmas, então, não é de espantar que os ouvintes/leitores estejam migrando para as redes sociais. A imprensa desta forma está se tornando irrelevante e, o que é mais grave, sendo vista, cada vez mais, como menos confiável.

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

Gente de OpiniãoTerça-feira, 13 de janeiro de 2026 | Porto Velho (RO)

VOCÊ PODE GOSTAR

Não subestime os mais velhos: eles são você amanhã, se sobreviver

Não subestime os mais velhos: eles são você amanhã, se sobreviver

O envelhecimento, tal como o conhecíamos, está passando por uma profunda transformação. Durante décadas, completar 60 anos significava, quase autom

O “samba do crioulo doido” de 2026: crise no país e fé no próprio taco

O “samba do crioulo doido” de 2026: crise no país e fé no próprio taco

O Brasil ingressa em 2026 vivendo uma contradição que desafia os manuais da economia tradicional, mas traduz com precisão a psicologia social do paí

Reflexões transitórias de fim de ano

Reflexões transitórias de fim de ano

Sim, minha querida, estou preso em mim mesmo. Nunca poderei deixar de ser eu mesmo. O mundo, o meu amor por você somente pode existir se meu “eu” ex

Split Payment: o Grande Desafio para os Negócios em 2026

Split Payment: o Grande Desafio para os Negócios em 2026

A partir do próximo ano, o Brasil, por força da reforma tributária, irá começar a implantar o split payment, um mecanismo que modifica a forma como

Gente de Opinião Terça-feira, 13 de janeiro de 2026 | Porto Velho (RO)