Terça-feira, 28 de novembro de 2006 - 20h31
A construção das usinas do Madeira tem, nos fatos que a cercam e audiências públicas, demonstrado claramente que, quando se trata de pessoas preocupadas com o futuro do Estado de Rondônia e sua qualidade de vida, há, de fato, uma posição majoritariamente assumida à favor de sua construção. Entre estas pessoas favoráveis me incluo na medida em que, na realidade, não percebo à vista senão dois grandes e fundamentais projetos para o Estado que são o gasoduto de Urucu e o Complexo do Madeira. Há, porém, alguns movidos unicamente por uma posição ambientalista radical e outros por puro oportunismo, com a imensa maioria de tal contingente ligadas a algumas ONGs, os que são umbilicalmente contrários a ambos os projetos.
Evidentemente que estamos numa democracia e, cada qual, dentro dos limites do respeito aos outros e as leis, pode ter a opinião que quiser. No entanto tem, pelo menos, o dever de esclarecer seus pontos de vistas e respeitar as opiniões e posições alheias. Entendo que, por exemplo, pinçar opiniões de especialistas isoladas do contexto em que foram citadas não é bem uma boa forma de defender seus pontos de vista. È o caso específico de retirar parte das análises de especialistas de relatórios da Cobrape-Companhia Brasileira de Projetos e Empreendimentos Ltda. para apontar falhas do Rima das usinas. Falhas, e muitas, em qualquer relatório de impacto ambiental sempre existirão. A questão é qual a opinião do especialista realmente. Se considera ou não que o projeto seja viável. E, nesta questão, jamais, como foi ressaltado na posição de professor da Unir ou como consultor da Fecomércio/RO, fui contra o projeto na medida em que, pessoalmente, a partir de tudo que analisei, li, como brasileiro e, por tempo e amor à esta terra, rondoniense, entendo que o projeto é indispensável para o nosso futuro.
Aliás, durante a apresentação do projeto na audiência realizada no último dia 27 de novembro, na segunda-feira passada, o consultor da Cobrape e expositor, Carlos Alberto Amaral de Oliveira Pereira, foi muito claro ao dizer que as opiniões dos especialistas consultados foram independentes, porém, também como ficou evidente então, não as opiniões externadas visavam contribuir para que fossem feitas medidas compensatórias para a região, no caso o nosso Estado, que sofreria os impactos ambientais e sócio-econômicos. Não houve especificamente nenhum especialista que fosse "contra" as usinas. O que há são aqueles que querem que o projeto seja complementado por medidas que venham a beneficiar as populações locais. Todavia há pessoas que possuem viseiras no olhar tanto que até o cuidado e a forma inovadora com que o Ministério Público Estadual tem que se comportado, que só deveria merecer louvores e o próprio relatório da Cobrape, não são vistos como uma ajuda e uma complementação indispensável, mas criticados como se houvesse uma posição "certa" que é ser do "contra". Só se for contra o Estado de Rondônia. Quem é a favor de um futuro melhor não pode deixar de desejar que as usinas sejam implantadas.
Fonte: Sílvio Persivo
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