Sábado, 12 de abril de 2025 - 08h03
Falo daqueles zunzuns que ficam ali, incomodando,
alguns durante anos, meses, dias, horas. Zumbidos que chegam aos pensamentos e
dali não saem. Vai e vem. A famosa “pulga atrás da orelha” que persiste hora ou
outra. Como uma incômoda mosquinha, embora diferente daquela que às vezes a
gente até desejaria ser para, sem ser visto, saber o que é que aconteceu, estão
fazendo ou até dizendo de você. Você afasta, luta, mas volta a questão e estará
aí até ser resolvida, ou até esquecida, não tem jeito. Às vezes as duas se
juntam, as mosquinhas, infernais.
Uma fica zumbindo. A outra, mais criativa, adoraria se imiscuir no
ambiente de origem da inquietação, para saber o que houve, se acha alguma
pista.
Não tem raquete elétrica que eletrocute pensamento persistente, intruso.
Nem tapa, nem repelente, nem armadilha. A gente tem de cuidar apenas para que
não cresça ou evolua a ponto de atrapalhar de vez o dia a dia; mas ela está lá,
a maldita mosquinha do algo a resolver. Não pode é virar obsessão, senão
complica. Pode ser uma dúvida, uma resposta que procura, um sentimento sem
razão, uma resposta que deixou de ser dada em alguma ocasião, um porquê. De
repente uma lembrança acordada por qualquer bobagem - e lá vem.
Zumbe na forma de pensamentos, alguns bem repetitivos, e que acabam
trazendo consigo sentimentos variados, especialmente tristeza, uma certa
angústia, se relacionados com fatores emocionais, relacionamentos inacabados
formalmente, chances consideradas perdidas, diálogos interrompidos bruscamente.
Aquele minuto que pode ter sido decisivo, qual foi? O que aconteceu? Porque não
perguntei?
Nada mais razoável do que comparar esse tormento a insetos, moscas,
pulgas, os mais execráveis, os que fazem barulho em torno da cabeça, machucam,
tiram sangue, coçam, dão medo porque podem deixar doente. Mutucas quase
invisíveis, borrachudos. Você não tem culpa. Os tais pensamentos atacam, muitos
chegam com horário definido, fim de tarde, começo da noite, aquele momento de
crepúsculo, pôr do Sol, noites de Lua Cheia, chuva lá fora, uma música que toca
no rádio.
Pensamentos são a coisa mais livre do ser humano. Os mais guardados,
secretos, só seus, íntimos. Difícil dividi-los porque, quando descritos, sempre
precisam ser expostos com todo um histórico para alguma tentativa de se fazer
entender, e o que raramente acontece. Quanto aos zumbidos emocionais, creio,
melhor guardá-los em algum caixa secreta. Só você mesmo poderá resolver,
acredite, e tem uma hora que fará isso. Conselhos externos dirão quase sempre
que é melhor deixar para lá. É difícil que consigamos mostrar que embora possam
parecer pequenos a quem os ouve, têm uma dimensão inexplicável para quem os
sente. Torcemos para que não sejam muitos os que nos atinjam, não sejam
enxames, porque podem ser verdadeiramente bastante desagradáveis.
Não são como aqueles, diferentes, os pensamentos das boas lembranças, os
que nos fazem sorrir sozinhos, animadores, que tentamos reter e relembrar em
detalhes que possam revivê-los – bom mesmo seria se apenas estes ocorressem.
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MARLI GONÇALVES – Jornalista, consultora de comunicação, editora do
Chumbo Gordo, autora de Feminismo no Cotidiano - Bom para mulheres. E para
homens também, pela Editora Contexto. (Na Editora e na Amazon). Vive em São
Paulo. marligo@uol.com.br / marli@brickmann.com.br
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