Sábado, 11 de outubro de 2025 - 08h05

Apostas, opinião e conversas em todos os lugares,
noticiários, propagandas, teorias da conspiração, procura de detalhes como em
jogos de 7 erros. Chega a ser engraçada – mas também muito ilustrativa - essa
nova catarse em torno da novela Vale Tudo neste remake 37 anos depois da versão
original.
Como as coisas - até a moral - mudaram ao ponto de hoje
existir torcida para que a terrível vilã inclusive não tenha nem sido
assassinada – uma vez que hoje nem é considerada tão vilã assim, como
justificam, com alguma simpatia. Ora, dizem, suas frases são antes de tudo
sinceras. É bilionária, esperta, lasciva, pode ter arquitetado um plano para se
ver livre de tanta gente chata e problemática que a rodeia. Gente tão boba,
chata e interesseira, inclusive, entre os “supostos suspeitos” que não teriam
coragem nem capacidade para executá-la.
Pode ser? Pode, primeiro porque virou mania na ficção o
morto que não morreu, presente em vários dos folhetins como recurso manjado.
Ninguém é cremado; todos são enterrados em misteriosos caixões fechados nas
tramas, como se nem existisse a possibilidade de exumação e ninguém se desse
conta do desaparecimento do coitado enterrado. Bem, na vida real mesmo, vamos
ser sinceros, são mesmo um fracasso as investigações que elucidem crimes, e
acabaram de sair dados – Justiça esclarece somente 36% dos homicídios ocorridos
no Brasil; 6 em cada 10 ficam sem solução. Já pensaram se resolvem no final que
o caso da Odete Roitman está entre eles, sem solução? Convulsão social, greve
geral, povo nas ruas, que parece que a sociedade agora só se mobiliza de
verdade com assuntos assim e fofocas da vida sexual dos outros.
Que a moral tenha mudado nesses anos, assisti, até houve
uma certa evolução, mas o amor e admiração pela Odete e turma agora passa pelo
perigoso cansaço do politicamente correto, para o bem e para o mal, nessa
discussão se vale tudo para se dar bem. Protagonistas negras, sucesso quase
instantâneo em empreendimentos, pobres com filosofia, luta contra o alcoolismo,
etarismo, feminismo, relações fluidas, assédio e humilhações, problemas
familiares convivem silentes com a corrupção, inclusive policial e política, e
desatinos de todos os tipos.
Justamente como vemos acontecer todos os dias, embora
nossas grávidas tenham barriga, elas não somem e voltam, e ninguém seja maluco
de ir prestar depoimento sério assim na delegacia sem um advogado ao lado,
coisa que movimentou até protestos da OAB. No meio de tudo isso, os odiosos
merchandisings de tudo, caindo do céu nas cenas, de sabão, shampoo a automóveis
caríssimos que só lá pobres compram, do governo e programas sociais e
instituições como o AA, a comemorações sempre fartamente regadas a Coca-Colas,
e bem antes do refrigerante ser citado bobamente e do nada pelo governador de
São Paulo que se preocuparia somente se elas que fossem falsificadas, e das
bebidas com metanol estarem matando e cegando de verdade. Uma agência digital
que vende, além de influenciadores, produtos fofos para bebês, e onde dois ou
três personagens são tão capazes que produzem sozinhos duas revistas ao mesmo
tempo, e no meio de seus corres e problemas financeiros.
Não precisam dizer a mim que tudo, à exceção do
merchandising, é ficção, que bem sei. Mas é o tema da semana, e vai continuar
entre os mais lidos e comentados. Mesmo com acordos para acabar guerras
verdadeiras e sangrentas, divulgação dos Prêmios Nobel, destituição de mais
um(uma) presidente no Peru, aposentadoria do Barroso no STF que já movimenta o
rebolado do poder, brigas dos poderes entre si, esse Congresso malfeitor,
tarifaço, COP30 na portinha, veneno nas garrafas, romeiros morrendo na estrada,
nossa Seleção por aí, e mais.
É. Tem Dia da Padroeira Nossa Senhora Aparecida, Dia das
Crianças, Dia do Professor. Que semana! Mas se depois do fim da novela, ainda
sentir falta de sacanagem, horrores, gente estranha, tranquilo, sintonize em A
Fazenda, que lá o esculacho é real, ao vivo. Com direito até a um clone
constrangedor de Silvio Santos e cuspes. Não como se todos fossem Odetes
Roitman, mas como se todos fossem apenas lhamas.
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MARLI GONÇALVES – Jornalista, cronista, consultora de
comunicação, editora do Chumbo Gordo, autora de Feminismo no Cotidiano - Bom
para mulheres. E para homens também, pela Editora Contexto. (Na Editora e na
Amazon). Vive em São Paulo. marligo@uol.com.br / marli@brickmann.com.br
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