Sábado, 31 de maio de 2025 - 08h05
Fui educada,
muito bem educada pelos meus pais, sempre respeitados, mas que desde menina
também me orientaram a jamais levar desaforos para casa. Assim de alguma forma
venho me defendendo ao longo da vida. Valeu, Marina Silva!
Ver uma mirrada Marina
Silva largar a suavidade de lado e rugir contra aqueles senadores de meia
tigela esta semana me deu orgulho de ver ali uma mulher de raça. Mas ao mesmo
tempo aquele debate, aquela situação toda, vê-la sozinha numa situação
inadmissível que a puseram me calou mais fundo do que imaginava pensando que já
estaria com casca criada depois de tanto tempo acompanhando a política. Só
percebi isso na manhã seguinte ao acordar com uma dor de cabeça injustificável,
e a visão daqueles acontecimentos martelando, martelando.
O que foi aquilo? O que
está acontecendo e até quando vamos aturar esses trogloditas se criando,
crescendo para cima das mulheres e, nesse caso, também da destruição do meio
ambiente ao bel prazer deles e de seus projetos aprovados na calada da noite, à
luz do abajur do pardieiro montado nesta legislatura vergonhosa? Aliás, a bem
da verdade, mais uma, de uma sequência de décadas, com a eleição de alguns seres
do pior de cada região do país. Saímos há pouco de um desastre que ainda nos
custa ter de ouvir por muito tempo com a familícia e seus agregados. Mas não
tivemos nem tempo de nos alegrar porque os vermes ainda se multiplicam por ali,
e mais, integram o cada vez mais masculino e inoperante governo atual, cuspindo
seus ranços e ideias atrasadas como se tudo fosse muito legal – mantêm a todos
como reféns em acordos.
Ah, e os “puros”? A
lembrança da visão daquela mesma mesa onde Marina era atacada por aqueles
desaforados, de um tal Jaques Wagner, petista raiz metido a sabe tudo, calado,
e depois ainda com coragem de dizer que tudo foi “no calor do debate” demonstra
mais uma vez o problema insolúvel e machista da esquerda nacional, e nem me
venham negar. Basta ver o vídeo e a cara de nuvem deste senhor na ocasião. Foi
preciso que, da plateia, a senadora Eliziane Gama, do PSD, gritasse contra o
absurdo. Assim, acordou um outro petista, o senador Rogério Carvalho, que só aí
levantou a voz e defendeu a Ministra. Tudo bem que sei que são bem poucas as
mulheres com poder ali no Congresso, mas onde elas estavam para ter de ser de
um homem essa voz?
Mais um aliás: que
reação mais esdrúxula de Lula e sua turma! O medo de perder o poder está mesmo
paralisando o Poder, no momento bastante confuso com escândalos de letrinhas e
impostos fantasiados de solução.
O fato é que essa
ocorrência é exemplo e estímulo ao horror que as mulheres vivem no país, com o
absurdo aumento da violência e feminicídios que todos os dias nos atingem. Um
mata e joga o corpo da mulher no rio, como lixo. Outros invadem seus locais e
as esfaqueiam diante de todos. Outros fazem com que simplesmente sumam do
mundo. Outros as perseguem passando por cima de medidas protetivas de araque.
Outros ameaçam, desrespeitam, agridem, uma ministra de Estado diante de um país
inteiro e se comprazem com isso com suas caras cínicas. Nem quero falar o nome
de todos os pulhas desse espetáculo lamentável no Senado. Mas não dá para
deixar de citar o “presidente” da mesa, o bolsonarista Marcos Rogério, que
ousou silenciar o microfone onde Marina tentava se defender, como se poderoso
fosse para mandá-la “se por em seu lugar”.
Fez muito bem a
ministra em deixar essa sessão de horrores. Saiu, e saiu muito maior do que
quando entrou. Para finalizar, nada melhor do que repetir a frase do editorial
do Estadão: “Quem precisa se colocar “em seu lugar” é o Senado, que nasceu para
ser a Casa da estabilidade na República e que hoje corre o risco de se
transformar em valhacouto de arruaceiros”.
Completo: valhacouto de
desaforados, ignorantes, atrevidos, imbecis, insolentes, vendidos, golpistas,
falsos, feios, vergonhosos, descarados. Merecem desaforos. Muitos; você aí deve
ter sugestão de mais algum para essa lista.
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MARLI GONÇALVES –
Jornalista, consultora de comunicação, editora do Chumbo Gordo, autora de
Feminismo no Cotidiano - Bom para mulheres. E para homens também, pela Editora
Contexto. (Na Editora e na Amazon). Vive em São Paulo. marligo@uol.com.br /
marli@brickmann.com.br
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