Sábado, 24 de maio de 2025 - 08h02
Tão longe, tão perto, com crase ou sem crase. De
longe, vemos o mundo e seus acontecimentos passarem à distância e nos
angustiamos como se estivessem colados em nós. Cada dia mais insana essa
movimentação, especialmente de fatos sobre os quais, infelizmente, nada podemos
fazer ou interferir. Apenas saber que podem estar por perto.
O que está fazendo, o que acontece, como está, também
estará lembrando desse espaço de separação? Como apaziguar antes de mais nada
as emoções e até pressentimentos quando, por exemplo, o que ou quem amamos está
longe e medimos a distância, pensamos sobre ela, a percorremos mentalmente,
concluímos quão longa essa distância se encontra? A vida digital, a informação
democratizada à enésima potência, ajuda essa régua. Dali, daqui, de onde
estamos, parados ou diante de telas, como que munidos de telescópios, buscamos
saber o que mais nos interessa. Mas sempre vemos muito mais. Inevitável.
Nessa nova vida que experimentamos diariamente há uma
explosão de instantâneos, de acontecimentos que quase somos obrigados a
acompanhar por intuirmos que nos dirá respeito, senão agora, em um futuro
qualquer.
A reflexão vem também de uma pergunta: até quando? Até
quando essas guerras despropositadas, essas tréguas apenas perfunctórias,
tantas mortes de quem não tem nada a ver com os conflitos de poder e
conquistas?
Até quando diariamente ouviremos os perigosos delírios do
líder americano e seus amigos? Quem fará algo para pará-lo? Não é preciso
conhecer muito da história para sentir o perigo real de (novamente) mais uma
nação poderosa estar nas mãos de um homem totalmente descontrolado com ideias,
vontades e ordens estapafúrdias, tratando sem respeito governantes de outros
países e, pior, sustentando e apoiando apenas os que lhe interessam, senhores das
armas, os que podem garantir ainda mais os seus ganhos pessoais e riquezas
empresariais hoje, amanhã e sempre. Autoritários, aliás, de todos os matizes,
pretendendo fechar o cerco ao nosso redor.
Saberemos de tragédias climáticas, de crises econômicas, de
crises na saúde, e de roubos e golpes que nos cercam diariamente, os próximos e
aqueles mesmo que com os bandidos, ora ora, à distância, invisíveis e bem
protegidos, jogando iscas, tentam nos pescar. Bandidos, inclusive, também
institucionais, todas as áreas, aos quais alguns até que fomos nós, o povo, que
lhes demos vida e espaço.
Todo dia as mesmas promessas e providências que nunca são
tomadas. A proteção falha das mulheres ameaçadas. A violência policial filmada
em detalhes dizimando jovens, e com tentativas de acobertamento. As crianças
atingidas de perto, ou também agora à distância, nas telas de seus jogos,
celulares, computadores.
O perigo. Nada mais precisa estar perto para nos atingir, e
o que torna mais difícil qualquer defesa, inclusive de nossos próprios dados,
imagens e identidades roubados na boa, ninguém sabe como, de onde.
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MARLI GONÇALVES – Jornalista, consultora de comunicação,
editora do Chumbo Gordo, autora de Feminismo no Cotidiano - Bom para mulheres.
E para homens também, pela Editora Contexto. (Na Editora e na Amazon). Vive em
São Paulo. marligo@uol.com.br / marli@brickmann.com.br
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