Porto Velho (RO) quinta-feira, 26 de maio de 2022
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Léo Ladeia

Política & Murupi - Dois milhões de famílias brasileiras foram forçadas a viver na extrema pobreza.


Política & Murupi - Dois milhões de famílias brasileiras foram forçadas a viver na extrema pobreza.  - Gente de Opinião

As notícias originadas dos levantamentos de órgãos governamentais, institutos de pesquisas, do IBGE e principalmente da percepção que cada um de nós tem quando faz compras no mercado, abastece o veículo ou se depara com a leva de pedintes ou em cidades para ficarmos apenas em nossa região, como Cuiabá e Manaus, revirando os restos de lixo em mercados e feiras livres em busca de comida nos levam a pensar sobre o fato, suas causas e o que fizemos como sociedade para chegarmos a este ponto. Somos um país rico, bonito e infelizmente desigual. O colega jornalista Solano Ferreira aborda o tema no editorial de hoje e revela que de 2019 a 2021 – dois anos portanto – dois milhões de famílias brasileiras foram forçadas a viver na extrema pobreza.

Numa análise rasa, poderíamos creditar tudo à pandemia, mas é necessário relembrar que saímos do espetacular desastre do governo da presidente Dilma Roussef e de um mandato tampão do presidente Michel Temer – que agiu e obteve alguma resolutividade, mas o Brasil era uma embarcação sem rumo, à deriva e como um barco carcomido pela corrupção dos anos de desgovernos e desmandos e não me refiro apenas à época em que foi tocado pela “banda sinistra”. Veio a eleição do quase desconhecido Bolsonaro e o resultado é esse quadro trágico sob diversos ângulos. A tempestade perfeita ocorre aí com a chegada da pandemia e tudo se agravou de repente e sem aviso. Desaparelhar o estado seria e vamos deixar combinado, uma tarefa para poucos e batendo de frente com a grande imprensa seria tarefa para ninguém. Impossível ter sucesso numa empreitada desse tipo. Junte-se a isto a inabilidade do presidente Bolsonaro e sua equipe no trato de questões comezinhas, amplificadas pela pandemia e eis a obra: o governo Bolsonaro pintado numa tela feia, sem moldura, mal acabada, uma espécie de esboço de desenho e não a pintura que o povo desejava ao elegê-lo.  

Sobre a pandemia, o certo é que de uma hora para outra as famílias se viram sem renda, sem ter como prover o sustento, o que está estampado no cadastro único do governo federal, que mantém a relação das famílias que recebem assistência social via transferência de renda. Dinheiro na veia para comprar comida e sobreviver como possível. E a escalada é trágica: Temer deixou 12,7 milhões de famílias em extrema pobreza e agora em junho são 14,7 milhões de famintos e maltrapilhos. Solano Ferreira fala da combinação cruel para chegar a tais números: a volta da inflação, a alta do desemprego - hoje são quase 15 milhões de trabalhadores que acordam da noite mal dormida sem ter para onde ir - e isto se soma a inércia administrativa do governo federal, que até hoje não elaborou um plano econômico para colocar o país nos trilhos do desenvolvimento. Concordo com o Solano entendendo que frente ao momento econômico atual no mundo, os reflexos são danosos para os países emergentes e que a política econômica do governo não tem saída a curto e médio prazo e infelizmente está reduzida ao auxílio emergencial e a liberação do FGTS, concessão de microcrédito que está mais para ação social que para investimento econômico.

Sonhar com um plano econômico que passa ao largo das reformas política, fiscal e tributária é apenas isso, um sonho com zero de possibilidade de acontecer. O sonho agora são as eleições que pelo andar da carruagem nem é sonho. É o pesadelo com cem por cento de possibilidade de acontecer: a escolha entre duas propostas danosas se não pelo se pode acreditar em termos de solução do que possam vir ambas a oferecer e muito mais pelo clima de acirramento de ódios que vai levar como se vislumbra, o eleitor a fugir da escolha ou fazê-la sem motivos racionais escolhendo apenas entre o menos pior. Como filosofou o Zé de Nana, “esse filme é muito ruim. Eu já vi e eu morro no fim”. 

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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