Porto Velho (RO) quinta-feira, 30 de junho de 2022
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Léo Ladeia

Política & Murupi - Dia da mentira


Política & Murupi  - Dia da mentira  - Gente de Opinião

Retorno à lide justo no dia que o povo consagrou como dia da mentira e por razões relevantes. Uma ordem da diretoria do Diário da Amazônia e outra ordem da minha mulher que possivelmente pressionada pela inflação exige um reforço nos meus caraminguás. Entre escrever e carpir optei pelo menor serviço braçal e a partir de hoje, todas as sextas feiras, estarei com uma hebdomadária coluna (ops! vá ao dicionário ver que bicho é esse) sobre o tema que me der na telha. A escolha de hoje é uma tentativa de antemão frustrada de falar a verdade sobre a mentira.

Vamos lá atrás. Foi em 1500 que surgiu nossa primeira mentira genuinamente brazuca: Pedro Álvares Cabral descobriu a Ilha de Vera Cruz, depois Terra de Santa Cruz e por fim Brasil. Nossa história ocultou os irmãos Pinzon e Vasco da Gama dentre outros navegadores que conheciam estas plagas. Com esta primeira mentira pegamos gosto pela coisa e de imediato adotamos a mentira, a desfaçatez e a corrupção, como um estilo político nacional. As capitanias hereditárias, o escravagismo, o butim de nossas riquezas para a Coroa, a corrupção grassando na corte, a Inconfidência Mineira, a Independência do Brasil com Dom Pedro montado num garboso ginete branco com a espada em riste gritando (pela dor de barriga?), depois a Proclamação da República pelo Marechal Deodoro que acamado quase atrasa a data do evento, tudo isso são exemplos de como a mentira se entranhou. Quem se der ao trabalho de ler livros escolares da história do Brasil verá outros exemplos como a guerra do Paraguai, a revolta da chibata, a criação do carnaval e muitos mitos.

Mas há uma mentira especial tida e havida como verdade absoluta na data de hoje. A revolução de 31 de março de 1964 – para alguns, revolução e para outros, golpe militar – ocorreu no dia de hoje, primeiro de abril. Serei contestado, mas ocorre que eu era ginasiano do Colégio Duque de Caxias em Salvador na Bahia e pela manhã fui parado no portão do colégio e mandado de volta para casa por dois soldados do exército com a seguinte explicação: “vá pra casa que hoje é dia de revolução”. Tremi nas bases, mas antes de ir para casa porque era dia da mentira, pulei o muro e constatei que sim, era verdade. A revolução ou golpe atingiu em cheio a educação e o mandrião aqui voltou para casa para jogar bola sem culpa. Ordens são ordens!

Revolução ou golpe? Qualquer que seja o nome, a verdade é que o fato se deu com o apoio da elite política, classe média, igreja, empresários e com o beneplácito da imprensa que viam em João Goulart o símbolo do satanás excomungado comedor de criancinhas. Os militares assumiram o poder jurando de coturnos juntos que ficariam apenas por um breve período para democratizar o país e explico: “revolução é uma mudança abrupta no poder político ou na organização estrutural de uma sociedade que ocorre em um período relativamente curto de tempo”. Insisto: um período relativamente curto de tempo é o cerne do conceito, mas no caso o que ocorreu? A revolução presa entre duas potências da Guerra Fria resolveu encarar uma guerra suja nacional. Mas o que poderiam fazer um bando de malucos despreparados contra o poder do estado que mais se agigantava censurando, prendendo, fechando o Congresso e tocando um “barata voou” nunca dantes visto? O “período relativamente curto” foi relativizado e a democracia com todas as garantias sumiu por 21 anos e está voltando aos trancos e barrancos. Claro que os militares pagam até hoje um alto preço pela ousadia do golpe e pela constrangedora permanência no poder por 21 anos muito em razão de que os fatos da história podem ser omitidos, ocultados, surrupiados, mas continuam sendo fatos.  

Voltando ao dia de hoje, a verdade é que a mentira ganhou um status mundial de aceitação entre as pessoas e até um verniz de verdade com sotaque americanizado, of course. A “Fake News”, popularizada pelo pavão Trump transformou o mundo todo. Nas redes sociais o que se vê é gente sorridente, rica e saudável, vendendo falsa felicidade e fazendo escola. Dos EUA para a Rússia de Putin, o nono rei das “Fakes News”.

Em inglês ou português, nós os descoberto de Cabral mantemos desde 1500 a procissão com falsos santos em ricos andores e acólitos rezando contritos: “em verdade em verdade eu vos digo: nem tudo que vos digo é verdade”. E a procissão segue com a alternância dos santos de barro nos ricos andores apenas com novos nomes. Não é mesmo Lula, Bolsonaro, Dória, Moro, Gilmar, Pacheco, Calheiros, Collor, FHC, etc, etc. e etc?

NB1: Apenas por amor à verdade, confesso que esta coluna não foi escrita hoje e sim ontem 31 de março.   

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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