Segunda-feira, 4 de outubro de 2021 - 22h48

Se resolvermos
testar o limite da estupidez humana fazendo a mesma coisa 99 vezes sem mudar
nada na forma e avançarmos para a centésima casa sem mudar nada, devo afianço que
desenganadamente o resultado será o mesmo obtido nas outras 99 vezes. É uma insanidade
continuar fazendo sempre a mesma coisa esperando resultados diferentes. Não há
como ser diferente.
Desde que Bolsonaro
assumiu o governo pelo voto popular há uma tentativa canhestra da “izquierda
brazuka” de apear o presidente da cadeira do Palácio do Planalto e sempre com o
mesmo discurso, com a mesma troça – o Bozo – e agora com as mesmas narrativas –
a do genocídio e do autogolpe - que só fazem a cabeça dos poucos que a usam ou dos
que preferem utilizar o boné dos seus líderes. Por vezes creio que estão
querendo passar a minha afirmação a limpo. É o que depreendo pelo resultado da
sexta tentativa desastrada de levar manifestantes contra o presidente Bolsonaro
às ruas, do mesmo modo.
O “Fora Bolsonaro”
deste sábado só não foi trágico porque não acertaram uma paulada no cocuruto do
desastrado Ciro Gomes que sabedor dos ódios que lhe são destinados pelo
lulopetismo, aventurou-se a participar do “aperreio democrático”. E foi por
pouco. Claro que a grande mídia que reporta para os jornais da Europa e para o
petit comité do eixo São Paulo e Rio badalam o trio, as faixas, as palavras de
ordem e reforçam a piada de que os seis movimentos foram o brado de luta
democrática do povo contra o déspota, o genocida, o bufão e corrupto presidente
do Brasil, pintando uma tela diferente do que viu: algumas pessoas, um trio
elétrico, faixas, bandeiras e a suprema vergonha: a ausência de povo.
A oposição procura uma
agenda, mas falta o centrão e o vice Mourão. Já vimos isto noutros processos de
impeachment sendo o mais instigante o do Collor de Melo que não soube medir o
desgaste por distanciar-se do Congresso Nacional e caindo justamente por isso e
também o da Dilma. O desempenho pífio do Bolsonaro nos institutos de pesquisas
poderia ser determinante, mas por que a esquerda não consegue encaminhar o
pedido com chance de sucesso? A CPI da Covid é a tentativa mais risível dessa
busca aflita. E olha que o capitão é um alvo óbvio. É fácil enxergá-lo numa
moto sem máscara receitando cloroquina, brigando com o STF e ao lado dos seus
ministros tentando explicar porque a inflação está explodindo, o desemprego é alto,
ou a razão para o preço da gasolina ou ainda em meio à pandemia lançando
dúvidas sobre a vacina. Bolsonaro é assim. Ele conspira contra o seu próprio
governo.
Para o jornalista Josias
de Sousa, a hipótese de o impeachment avançar é quase inexistente por quatro
razões: 1) falta base legislativa. A instabilidade política do governo é
lucrativa para o centrão; 2) falta unidade social. A impopularidade de Bolsonaro
bateu em 53%. Mas ainda assim ele é considerado um presidente bom ou ótimo por
22% dos eleitores; 3) falta articulação com o gabinete da vice-presidência.
Quem clama pelo "Fora, Bolsonaro" ainda não se animou a gritar "Viva
Mourão"; 4) falta sinceridade ao pedaço da oposição mais bem-posto nas
sondagens eleitorais. A ideia não é derrubar mas polarizar e levar o Bolsonaro
sangrando às urnas. Salvo os devotos do presidente, que aprovam a sua atuação,
o brasileiro enxerga o governo de duas maneiras. Uma parte avalia que falta
rumo à gestão Bolsonaro. Outra parte acha que ele tomou gosto pela crise e isso
é viciante.
Uma coisa é certa.
Bolsonaro foi eleito por 57,8 milhões de brasileiros que rejeitaram o
lulopetismo e aprovaram o discurso anticorrupção. Estas duas crenças continuam
a existir nestes quase 60 milhões de brasileiros a despeito do desempenho do
Bolsonaro como presidente. Apeá-lo via impeachment batendo bumbo com trio
elétrico, meia dúzia de manifestantes e sem um projeto de governo vai ser
difícil mesmo em 2022 nas urnas e mesmo contra a vontade da oposição míope que enxerga
nele apenas um problema. O povo não é cego e não é bobo. Não erra sempre
achando que uma hora vai acertar.
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