Terça-feira, 5 de outubro de 2010 - 12h18
Frase do dia
"Eu perdi a eleição para a justiça brasileira". – Expedito Jr.
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01-Hora do merthiolate
Quem entra numa disputa eleitoral leva um saco vazio e ao povo cabe distribuir os votos de acordo com sua vontade soberana. Fim da disputa, é hora de festejar para poucos e hora do merthiolate nos machucados para a maioria. Deveria ser hora de agradecer aos que participaram do processo ainda que fazendo escolhas diversas. É parte do processo democrático, em que o povão tem o importante papel de dar a procuração para um seu igual. Aos que se alimentam do ódio, perseguindo e humilhando seus desafetos, um lembrete: o ódio é um veneno que alguém bebe com a intenção de matar outra pessoa.
02-Hora de saldar as dívidas
Todos sabemos que uma campanha eleitoral é cara e que boa parte dos custos é feita à prazo. Quando a captação míngua normalmente por conta da divulgação das pesquisas, alguns fornecedores arriscam-se mas, em algum momento futuro, a fatura terá que ser paga. A prática do “beiço” pelos perdedores é tão comum que alguns fornecedores das campanhas afirmam que a melhor coisa a fazer com a “pendura”, é “amarrar no rabo de um veado e dar um tiro pra cima, só pra ver a conta sumir no mato”. A “tchurma” com bala na agulha agüenta mas, formiguinha não. E o que tem de tamanduá malino pelaí...
03-Hora do inventário
Para quem prometeu e para quem acreditou em promessas, chegou a hora de preparar a lista que é grande. O que tem de parlamentar que prometeu construir estrada, ponte, escola e o escambau de rodinha, não ta escrito. Quem acreditou na promessa se ferrou de verde e amarelo por ignorar uma regrinha: parlamentar seja ele vereador, deputado estadual e federal e senador tem como função fazer leis e fiscalizar o executivo. Para quem acha que isso é bobagem porém, mais um lembrete: é bom “por reparo” no índice de renovação do parlamento estadual e federal destas eleições. O povão pode não lembrar o nome do santo mas, sabe que o milagre não aconteceu e aí troca de santo
04-Amazônia esquecida
Esperei até o último debate que a Amazônia fosse lembrada por algum candidato local ou pelos presidenciáveis. Confesso que depositei minhas fichas na Marina Silva mas, foi em vão. Nem mesmo nossa ex-seringueira se animou a discursar sobre o tema. Saúde, educação e segurança. Esse é o tripé onde se assenta o bumbo. Depois é só rufar o pau no tambor e, depois de eleitos, voltar ao anacrônico, manjado e superficial discurso da invasão imediata, internacionalização dentre outras baboseiras como o roubo de água. O Brasil não conhece e não se interessa pela Amazônia. Dureza para nós amazônidas.
05-Por falar em tripé...
Entramos agora no segundo turno e espero enfim que possamos conhecer as propostas mais detalhadas dos dois candidatos para solução dos problemas de saúde, educação e segurança. É que no primeiro turno o papo é superficial. E já que esse é o tripé preferido por 10 entre 10 políticos brasileiros, quero pelo menos saber se os dois candidatos daqui sabem quanto está sendo aplicado corretamente dos recursos disponíveis nas 3 áreas e se há irregularidades ou distorções em tais aplicações. Não que isso vá alterar de forma substancial nossa vida. Mas é tudo tão complicado que só pode ser uma dessas opções.
06-E a luta continua...
Li com cuidado a nota agradecimento da Senadora Fátima Cleide. Palavras o vento leva mas, o quês foi escrito não. Na falta das inflexões e gestos, é preciso burilar mais o texto e aí algumas pistas aparecem nas entrelinhas. “A luta vai continuar”, aparece logo após os seus votos de “um profícuo novo mandato ao Senador Valdir Raupp, e um mandato igualmente produtivo ao nosso novo Senador Ivo Cassol”. Observei durante os quase oito anos de mandato que a Senadora tem alguns cacoetes quando fala e/ou escreve. E a luta vai continuar. O que é bom dá duas vezes. No jogo do bicho e nas entrelinhas.
07-A guerra do Expedito
Pressionado política, jurídica, econômica e financeiramente, Expedito Jr. lutou até o dia da eleição contra a pressão, os boatos, a grosseria e capitulou, como era previsível. Há derrotas que são apenas derrotas. Outras trazem a certeza de que se travou o bom combate. Encontrei o bom combatente junto aos seus analisando o segundo turno. Em terceiro lugar com 124.625 votos, a opção por Confúcio é óbvia e seu eleitor, que confunde o homem com o santo, vai para o lado que o santo pender. Expedito está virando uma espécie de religião.
08-E Confúcio levou a primeira parada
Calmo, decidido, dono da sua campanha, Confúcio chegou com seu jeito meio mineiro e papou a primeira parte da eleição, com uma diferença de 6,85% dos votos. Percentual bem razoável, se considerarmos que do outro lado deixou para trás a fabulosa máquina de governo e o todo poderoso Cassol, agora o senador eleito. Nada decidido mas, o indicativo é favorável a Confúcio. Seu desempenho em dois redutos, – Porto Velho e Vilhena – a força do Raupp e seu PMDB e um sentimento da necessidade de alternância do poder mostram claramente. Hoje Confúcio recebe o apoio de Expedito. De forma natural deve receber também o PT de Valverde Mas, Cahula tomou gosto pela disputa e...
09-Cahula para o tudo ou nada
Tido como um aviai que não decolava, Cahula mostrou garra no primeiro turno e saiu-se bem agindo em parceria com Cassol para matar a fatura no primeiro turno, sabendo que no segundo o buraco seria mais embaixo. Aguerrido, parte para a jugular do Confúcio reforçando a paliçada com uma plêiade de políticos do seu grupo e a força do Cassol, um mestre na arte da guerra política e dono de um arsenal poderoso. Que ninguém se engane. Eleição de segundo turno não é galinha morta e o bicho vai pegar dos dois lados. Quem sobreviver verá.
10-A noiva de vestido verde
Petistas que não perdoavam Marina por ter deixado o barco estão construindo uma ponte às pressas para dar passagem aos seus 20 milhões de votos. Dilma de um lado acena para a seringueira desertora como a mãe que espera o filho pródigo. Serra do outro lado diz que a tal ponte já existe, que PSDB e PV tem mais em comum que os insondáveis mistérios entre céu e terra. Segundo turno que começa num alvoroço tão grande que não houve tempo sequer de contar as baixas. O que vale é contar apoios e votos. O resto é perfumaria da Natura.
Fonte: Léo Ladeia - leoladeia@hotmail.com
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