Domingo, 8 de maio de 2016 - 13h17

O que é ser mãe? Pode parecer lugar comum, mas sinto-me tocado a refletir. Seria numa linguagem poética ou mais antiga padecer no paraíso, ter o avental todo sujo de ovo ou fugindo das licenças poéticas e literárias algo mais do nosso tempo?
Seguiria com as duas abordagens, mas considerando que o poeta não abriu a possibilidade de dividir o paradoxal sofrimento no paraíso e mais, por ser tarefa doméstica muito restrita às mães já que são elas mesmas que irão lavar o avental sujo de ovo, caldos e restos de papinhas, sucos, gorduras e junto com ele, os babadouros, uniformes escolares, tênis encardidos, camisas, meias, shorts, etc., sigo com a mãe do cotidiano. A mãe real.
Toda mãe é mais que mãe. Além de mãe na essência, encara jornadas paralelas e até conflitantes.
Toda mãe é a advogada que acusa, defende e a juíza que sentencia, dá a pena e depois o indulto.
Toda mãe é a professora das primeiras letras e aluna aplicada seguindo e aprendendo com cada filho por toda vida.
Toda mãe é a médica que pressente a doença e sabe a cura e a paciente que sofre junto e até mais com a dor e a febre.
Toda mãe é a palhaça que ri e faz rir mesmo quando o momento não é o mais apropriado.
Toda mãe é vidente das vitórias que sonha para os filhos e cega para eventuais erros que cometem.
Toda mãe é economista e mágica, esticando além do possível o apertado orçamento doméstico.
Toda mãe é doce e santa na origem, mas se torna fera temível se atacam sua cria.
Toda mãe é pacifista e guerreira, mas não raro, as duas coisas ao mesmo tempo.
Toda mãe é também pai, quando o pai falha, se ausenta ou simplesmente desiste de ser pai.
Toda mãe tem muitos filhos. Os que ela gestou e os outros. Os adotados, os que vivem junto com seus filhos, os filhos da rua, das esquinas, dos guetos, das drogas e da miséria das prisões, dos leitos de hospitais, os que se foram, os que ficaram presos num mundo especial necessitando de cuidados para suprir suas deficiências físicas e psíquicas, os bons, os nem tanto, os obedientes, os rebeldes, os que lhe dão alegria e os que lhe causam dor e lágrimas. Todos iguais e todos diferentes.
Toda mãe é a poesia e realidade.
E é assim e por isso que todos os anos, no segundo domingo de maio toda mãe se emociona, chora, ri, borra a maquiagem com o beijo, o abraço, o carinho, o telefonema, a prece ou até o eventual e antecipadamente perdoado esquecimento.
Leo Ladeia, o filho da Dona Loura.
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