Segunda-feira, 19 de janeiro de 2026 | Porto Velho (RO)

×
Gente de Opinião

Leo Ladeia

Lições da Copa


Escrevo um pouco antes do início da final da Copa da Fifa e esta é a primeira das lições: as despesas foram pagas pelo povo brasileiro, mas a festa é do grupo que comanda de forma competente e fechada a "famiglia bola" com suas federações, confederações e dirigentes eternizados e a tal ponto que o grupo político que tenta se eternizar no governo brasileiro, diz por seu representante Aldo Rabelo, que foi humilhado pelos senhores picaretas da Fifa, que o futebol brasileiro precisa de mudanças e reformas para crescer.

Partindo do Aldo a proposta reformista cheira a galhofa - quem não se lembra daquela do saci-pererê, da mula sem cabeça e proibição de estrangeirismos na língua pátria - e só me vem à mente a mudança do termo futebol para "pé-na-bola", vez que tudo que a arrogante Fifa determinou que fosse feito, foi cumprido com acachapante leniência do governo, seja mudando ou adaptando leis ou tomando puxão de orelhas em público como se o país fosse a extensão do escritório dos engravatados chefes do "nobre esporte bretão.

Os políticos ainda não se deram conta de que nossa sociedade é mais avançada e moderna que eles, seus representantes, o que é natural já que o burro continua puxando a carroça e a final no Brasil - sem o Brasil - só aumenta o fosso. Também a imprensa dita especializada em qualquer esporte também não se deu conta que jornalista é jornalista, independente do setor ou da área que faz cobertura e independente do veículo para quem trabalha.

Convenhamos que entre a tragédia anunciada com protestos fora dos estádios ou arenas, e o sucesso do hexa como definitivo e obrigatório, ficou a certeza de que não somos a horda de bárbaros que se afirmava e nem os melhores jogadores de futebol do mundo como vem sendo alardeado desde o dia em que inventaram o futebol. Coisas do Brasil. De igual forma ficou a certeza de que nosso povo festivo e hospitaleiro sabe discernir propaganda política de propaganda política partidária, povo de nação, protesto de barbárie, consciência cidadã da massificação midiática, alto custo por ausência de planejamento e a diferença entre o que é necessidade extrema do que extremamente necessário.

Para finalizar, - e olha que a lista das lições é bem mais extensa - claro ninguém constrói hospitais para sediar uma copa ou qualquer evento esportivo e ninguém realmente precisa de metrô para ir ao estádio, mas não dá para se usar jumentos como ambulâncias, nem analfabetos funcionais como autoridades ou representantes de um povo que antes de ser hexa-campeão de futebol almeja se ver como nação.

Leo Ladeia

 

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

Gente de OpiniãoSegunda-feira, 19 de janeiro de 2026 | Porto Velho (RO)

VOCÊ PODE GOSTAR

Viva o ano novo! Feliz ano velho!

Viva o ano novo! Feliz ano velho!

O passado é um baú cheio de novidades. No Brasil, establishment não é conceito acadêmico neutro, mas um pacto informal de sobrevivência do grupo de

8 de Janeiro: o uso político de uma tragédia anunciada

8 de Janeiro: o uso político de uma tragédia anunciada

Durante anos, sempre no fim de março publiquei e dediquei um artigo escrito ou falado pelo rádio alertando sobre os excessos do golpe perpetrado por

Passou do ponto, apodreceu no pé e caiu de maduro

Passou do ponto, apodreceu no pé e caiu de maduro

Um dia parei de falar sobre Hugo Chavez, pois o sargentão em atenção ao Rei da Espanha que lhe inquiriu irritado “¿Por qué no te callas?” calou-se a

Euforia e ansiedade: o impacto emocional das festas de fim de ano

Euforia e ansiedade: o impacto emocional das festas de fim de ano

Festas de fim de ano estão associadas a alegria, celebração, encontros familiares e renovação de esperanças, luzes, músicas, confraternizações, voto

Gente de Opinião Segunda-feira, 19 de janeiro de 2026 | Porto Velho (RO)