Sexta-feira, 15 de agosto de 2014 - 05h20
Leo Ladeia
Em poucos minutos o avião explodiu matando todos os seus ocupantes e a coligação cujo nome – Unidos pelo Brasil – mais parece uma faixa levantada por manifestantes numa passeata se vê à frente de um dilema que é substituir a personalidade que emprestava o nome e ditava o rumo ao precário ajuntamento político, coeso apenas em torno de uma pessoa e não de um programa.
Com a morte de Eduardo Campos e a difícil equação a ser resolvida pela coligação – assumirá Marina Silva? – duas constatações incômodas surgem para nossa reflexão: o deserto de idéias para as demandas do país e a carência quase que absoluta de lideranças políticas jovens com visão republicana de estado.
Cunhadas pela massa amorfa que ocupa os espaços da política nacional por falta das lideranças validadas, não é raro ouvirmos citações sobre a necessidade de se criarem políticas públicas, para enfrentar demandas específicas, vindas às vezes de pressões nada republicanas, para atender ao “clamor popular”, ainda que, e na maioria das vezes o tal clamor sejam os berros de grupelhos barulhentos. Ora, se a demanda é específica, a solução ou já é pré-existente e não é utilizada ou, por força de um pouco provável ineditismo, deve ser avaliada com método e rigor científicos para a solução de caráter geral sem criar “particularidades” à guisa das perniciosas políticas públicas tão em voga.
Para os mais idosos, a causa é o aborto de lideranças produzido pela ditadura militar e para os mais novos a causa seria o esgarçamento do tecido social por demandas sociais não atendidas, aumento brutal da carga tributária com alta concentração de poder no Executivo, corrupção endêmica, custos estratosféricos da máquina pública e coisa e lousa.
Creio que os novos e os idosos têm razões de sobra nos seus diagnósticos, mas a verdade é que o Brasil é um organismo doente de há muito, sem um diagnóstico fechado e que espera a cura milagrosa vinda de não se sabe como ou de onde.
Pior, não há panacéia. Convenhamos que os velhos remédios das velhas receitas disponíveis, já não curam e muitas vezes até agravam os nossos males crônicos.
Sem choro nem vela: além da ausência de lideranças jovens com visão de estado é preciso transformar nosso país através de uma revolução pacífica na escola. Somente com a educação de qualidade poderemos semear e colher idéias nesse deserto estéril. Só a educação pode nos redimir e afastar essa nossa desesperança que nos faz acreditar a cada eleição que apenas um homem, um nome, um mito, um símbolo possa resolver de vez as nossas mazelas.
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