Porto Velho (RO) quinta-feira, 20 de janeiro de 2022
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Gente de Opinião

Léo Ladeia

A maioria dos manifestantes, 63%, tem de 21 a 35 anos, 78% tem ensino superior e 72% não tem partido


Frase do Dia:

"Já que a bomba é de efeito moral,
joga no Congresso Nacional"

Das manifestações.

I-Perguntas

Onde estava armazenada toda revolta da população que explodiu de repente por todo país? Num freezer? O que houve para que tal revolta fosse expulsa com a força de um gêiser onde nem supunha, sequer havia atividade vulcânica? Qual a principal reivindicação, a real, a que está por trás daquela que no primeiro momento foi apresentada e chegou a ser confundida com os míseros R$ 0,20 da tarifa de ônibus? Afinal, o que querem os manifestantes? Qual é o recado? Quais as mudanças que querem? E quando isso vai parar se é que isso vai parar?

II-Mais perguntas

Sonho, utopia ou será possível a criação de uma espécie de cartão “Leva Eu Digrátis” para transporte popular gratuito? E quem terá direito? Todo mundo? Quanto custará, como medir o uso e determinar a fatura em caso de terceirização? Quem vai pagar a conta? E quem não quiser ou não precisar usar tem direito a alguma coisa? Como definir trajeto e frequência de uso? Como fazer para fazer funcionar em cidades geminadas? De onde virão os recursos? Em qual organograma ficará pendurado o novo serviço? E no futuro existe a possibilidade de que o serviço vá se estender a outros meios de transportes em nível estadual ou nacional?   

III-Outras perguntas

Quem iria imaginar um dia o SUS, sistema único, gratuito e público de saúde exemplo para o mundo ou nosso sistema de ensino quase totalmente financiado pelo estado? Quem poderia supor que a população que pagava um “quinto” do ouro extraído e que se revoltou contra a “derrama” iria aceitar passivamente pagar quase 40% do PIB em impostos sem receber os serviços condizentes com o que paga? Como imaginar uma rede com a capilaridade e êxito do Bolsa Família? E por que não o “passe livre” para quem já atingiu tal estágio? A ideia foi testada e aprovada na cidade de Agudos, no interior de São Paulo. Que tal no resto do país?  

IV-O tamanho do monstro das ruas

O Datafolha, rápido no gatilho, foi às ruas e sua pesquisa mostrou o tamanho, idade e humor do monstro que assustou políticos e governantes. A maioria dos manifestantes, 63%, tem de 21 a 35 anos, 78% tem ensino superior e 72% não tem partido. A democracia é abraçada por 87%, mas 5% apoiaria um ditador, sob circunstâncias especiais. A corrupção é o alvo de 32% dos manifestantes, independente da orientação política, majoritariamente de centro, 31% e de esquerda, 22%. A direita está presente na mostra. 32% são extremos liberais e 2% conservadores. Duro é que 72% não tem partido. Ai está o problema do PT e da Dilma.

V-O tamanho do estrago no Palácio

Primeiro foi o susto seguido da apoplexia, confusão mental e silêncio. Na sequencia um papo com o guru, o discurso vazio e até aqui tudo é confuso. No Planalto o estrago do monstro é visível não apenas nos vidros quebrados. A popularidade da presidente corroída dias antes deve sofrer erosão relevante, enquanto o PT pede Lula protagonizando “A morte da criatura pelo criador”. Com PT pré-alinhado, para onde vai Dilma? Primeiro tentar rachara conta com prefeitos e governadores, já que a chave do cofre e a caneta estão com ela e não com o PT.

VI-PMDB Colorado e a tacada da mestra!

Se Lula aceitar o papel na peça, terá de isolar Eduardo Campos, governador de Pernambuco e o jeito mais fácil é dando-lhe espaço para a vice-presidência no lugar de Temer. E o PMDB? O PMDB deve seguir dois caminhos: ou vai a reboque de Lula e lá na frente decide se desce do bonde ou apoia Dilma nessa quadra difícil e se torna o Chapolin Colorado co-artífice do quadro que ela venha a pintar. O PMDB é de um profissionalismo político ímpar e Dilma tem coragem e ousadia. Sua proposta feita hoje, com cinco pactos e um plebiscito para a reforma política, devolve à sociedade o problema e a solução. O plebiscito é uma boa tacada apesar de ter a cara de PT e portanto, jeito de indigesto. O tempo ruge e a Sapucaí é grande!

VII-Razões de sobra

Para quem acha que a “revolta da plebe rude” saiu de anômalos, adolescentes, apartidários, apátridas, anencéfalos e coisas tais, é bom dar olhar as gôndolas de supermercados, lojas de qualquer coisa e sentir que a inflação real existe. O fim do mês chega por volta do dia 23 e logo há uma semana de “buraco negro”. Quer mais, lá vai: O endividamento familiar fechou abril em 44,23%, maior percentual desde janeiro de 2005, contra 42,57% em abril de 2012. Em maio o percentual de cheques voadores ganhou as alturas apesar de 21,54% da renda líquida ter sido destinada a pagar compromissos financeiros em abril. Custeio maior, tungada maior e grito maior. Com a barriga oca, e a carteira vazia há razões de sobra para o berro.

VIII-Na lata

“não importa quem conclua os viadutos, importa é que eles sejam concluídos o quanto antes possível”. A frase do artigo assinado pelo procurador da República Reginaldo da Trindade diz muito do sentimento de boa parte da população de Porto Velho com os rumos – ou falta – da prefeitura na solução do imbróglio urbano, os monstrengos chamados viadutos. Noutro trecho, o procurador bateu duro: “Não é uma posição invejável a sua, mas foi o Senhor que escolheu estar nela. Escolheu e foi escolhido para estar nela. Vossa Excelência encarna a esperança de centenas de milhares de porto-velhenses. Não permita que o anseio de tantos degenere para frustração!”. Como diria Zé Simão, “mais direto, impossível.” Foi na lata!

IX-Upa, Upa!

Domingo levei uma amiga que precisava de tratamento urgente para um problema dentário e me encaminhei à UPA da Zona Leste. Confesso que não esperava grande coisa e quebrei a cara. A triagem é rápida, o acolhimento é eficiente, o atendimento é bom e a resolutividade é o ponto máximo. Pena que por desconhecer, a população insista em ver a UPA como “outro postinho de saúde” o que sobrecarrega o atendimento que deveria ser apenas emergencial. É o que se chama de “paradoxo da excelência médica”. Quanto mais e melhores serviços são ofertados, mais se aumenta a demanda, com risco de redução da excelência. Parabéns UPA!

X-Papo com Zé de Nana

X1-Dilma ouviu Lula e não a rua. Aí sem sacar lhufas falou para a rua, mouca de nascença. 

X2-A Rua da Beira está com cara de quem vai ressuscitar. Já a pista do meio e viadutos... 

X2-Alguém aí sabe algo novo sobre empresas de ônibus de Porto Velho ou sobre Marquise?

[email protected]

 

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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