Quarta-feira, 8 de abril de 2026 | Porto Velho (RO)

×
Gente de Opinião

Hiram Reis e Silva

Um Instante de Emoção Após 80 Horas de Incerteza


Um Instante de Emoção Após 80 Horas de Incerteza - Gente de Opinião

Bagé, RS, 06.04.2026

 

Vamos continuar reproduzindo as reportagens da Revista Manchete:

 

Manchete n° 909, Rio de Janeiro, RJ

Sábado, 20.09.1969

 

Um Instante de Emoção Após 80 Horas de Incerteza

(Reportagem de João Luís de Albuquerque)

 

 

Quando este homem retornou a sua casa, chegava ao “happy end” um drama que, durante três dias, atraíra as atenções de todo o mundo. A notícia do sequestro do Embaixador Charles Burke Elbrick, ocupou as manchetes dos jornais de todos os continentes e mobilizou setores diplomáticos e governamentais em vários Países. O Brasil parou para acompanhar o diálogo entre as autoridades e os sequestradores que exigiam a libertação de 15 presos políticos. Mas era no Palacete da Rua São Clemente, a residência do Embaixador, que a expectativa se fazia sentir com maior tensão e densidade. A Srª Elvira Elbrick preparava-se minuto a minuto para a perspectiva de não mais ver o marido vivo. Esposa de diplomata, porém, ela cumpria o seu dever, recebendo visitas e determinando providências com aparente serenidade. Toda sua intensa emoção, ela a guardou para esse momento. E só então, no clima geral de alegria e desafogo que contagiava a tudo e a todos, não foi capaz de contê-la.

 

No banco de Trás do Táxi, o Passageiro Explicou ao Soldado:

“Eu Sou o Embaixador Americano”

 

Quando o táxi 5-11-43 estava bem próximo de sua residência, na Rua São Clemente, o Embaixador Charles Burke Elbrick olhou para o relógio de pulso e comentou com o motorista José Mateus, de quem se tornara amigo, no trajeto desde a Rua Conde de Bonfim, na Tijuca:

 

Passei quase 79 horas fora de casa.

 

José Mateus teve dificuldade para atravessar a multidão de curiosos, jornalistas e policiais. Quando se aproximou do portão de ferro pintado de branco, um guarda lhe perguntou:

 

Onde pensa que vai, moço?

 

Do banco de trás, o passageiro sem gravata falou com um ligeiro sotaque:

 

Eu sou o Embaixador americano.

 

Um repórter de televisão da NBC colocou seu microfone dentro do Volkswagen e, muito nervoso, perguntou:

 

Senhor embaixador, tem algo a dizer para a NBC?

 

Neste exato momento, não obrigado.

 

Os portões foram abertos, o carro arrancou e os repórteres correram para o único telefone das redondezas, o de um botequim no outro lado da rua.

Um Instante de Emoção Após 80 Horas de Incerteza - Gente de Opinião

Por Todo o Tempo do Sequestro, o Embaixador Americano Transportou sua Pasta. Já em Casa, ele Estava Emocionado com a Recepção que a Família e os Amigos lhe Tributaram. A Gravata, Suja de Sangue, Estava no Bolso do Terno

 

Quando o táxi parou na porta da embaixada, o porteiro dirigiu-se ao Sr. Elbrick:

 

Bem-vindo em casa, Senhor Embaixador.

 

Em seguida, subiu correndo as escadas e foi até onde estava a embaixatriz:

 

Senhora Elbrick, desça, por favor. O Embaixador já chegou e está lá embaixo.

 

Ela desceu, os dois se abraçaram e a Sra. Elbrick, depois de beijar o marido, passou a mão pelo ferimento de sua testa, perguntando:

 

This is serious, darling. ([1])

 

O cachorro Tony saltava e latia em volta do Embaixador. Elie se apressou em dizer à esposa:

 

Lamento profundamente ter dado tanto trabalho a tanta gente. Ao Governo Brasileiro; ao pessoal da embaixada, a todo mundo.

 

Horas depois, explicaria, em entrevista coletiva, a razão de não estar protegido por batedores ou policiais no instante do sequestro. Na verdade, não pedira essa proteção, nem chegara a debater o assunto, em qualquer momento, com as autoridades brasileiras. O Ministro Magalhães Pinto chegou à residência do Sr. Elbrick na noite de domingo, tão logo circulou a notícia de sua devolução. Conversaram durante algum tempo. Em seguida, o médico da embaixada, Dr. Stewart Scheer, substituiu o curativo na testa. Quando o Sr. Elbrick voltou para a sala onde estavam seus amigos pessoais, um primo da embaixatriz, Erskine Gilbert, e membros da embaixada, já se barbeara, pusera outro terno e gravata. Conversara, também, pelo telefone, com o Presidente Nixon, durante cinco minutos. A única coisa que se pôde registrar desse diálogo foi uma frase dita ao Presidente:

 

Tenho muita coisa a contar-lhe quando nos encontrarmos.

 

Logo em seguida, outra chamada internacional. Desta vez, de sua filha Valery, que está em Belgrado. A essa altura, o Sr. Elbrick já havia tomado o seu primeiro drinque, uma dose de “Bourbon Jim Beame”. A Sra. Elvira Elbrick convidara os presentes para jantar mas, quando viu, quase todos já tinham saído. A secretária Ruth Johnson, o assessor Bob Kohn e John Mowinckel, conselheiro da embaixada e diretor da USIS no Brasil, foram os últimos. E quando quiseram sair, a Sra. Elbrick não deixou, dizendo:

 

Vocês todos ficam aqui para comer ovos mexidos com bacon.

 

Alguém do grupo respondeu:

 

Gostaríamos muito de ficar, mas achamos que seria melhor o embaixador ficar a sós com a senhora, pois devem ter muito o que conversar.

 

A Srª Elbrick explicou:

 

Não, não. Conheço bem o Burke, sei que ele precisa relaxar e a melhor maneira será através de um bate-papo informal com todos vocês. Nossa conversa será amanhã, quando esta tensão já tiver passado.

 

Até aquele momento, ninguém havia ainda falado no sequestro. Bob Kohn perguntou ao Embaixador porquê ele, tão cuidadoso com sua maneira de vestir, havia chegado à residência sem gravata. Respondeu Elbrick:

 

Ela veio no meu bolso porque estava manchada de sangue.

 

O próprio Embaixador tocara no assunto, demonstrando que queria falar sobre ele. Todos ficaram em volta da mesa, ouvindo-o contar:

 

No momento em que fui obrigado a trocar de carro, os raptores disseram: “Feche os olhos”. Lembrei-me de que o Embaixador Meane havia sido assassinado na Guatemala. Quando eles deram aquela ordem pensei, “vai ser agora, vão me matar”. Não queria, pois, fechar meus olhos para nada e para ninguém. Comecei então a tentar reagir, empurrando um dos revólveres para o lado. Nunca vi tantos revólveres juntos, em toda a minha vida, e estavam todos apontados para mim. Recebi a coronhada na minha testa. Não desmaiei, mas fiquei um pouco atordoado. O sangue começou a jorrar, sujando gravata e camisa. Logo em seguida, eles me cobriram com uma lona bem grossa e o carro começou a rodar. Não sei para onde me levaram, e só pude ver alguma coisa quando já estava dentro de um quarto de mais ou menos quatro metros por três. Uma só janela, que estava bem fechada. Depois de algum tempo, um dos seis raptores entrou e, logo depois, outro. Não poderia nunca reconhecê-los pois estavam sempre com o rosto coberto por lenços. Perguntei então:

 

E minha mulher, como irão avisá-la? E meu chofer, o que aconteceu com ele?

 

Um deles respondeu:

 

Deixamos lá seu motorista, que irá logo para a sua residência e por certo avisará à sua mulher.

 

Perguntei o que poderia ele dizer a ela. Os raptores explicaram que eu poderia escrever bilhetes para minha mulher, os quais seriam publicados nos jornais. “Quer dizer que o que eu escrever para ela, disser algo de particular, tudo vai sair na primeira página de um jornal? Isso é terrível”, disse sorrindo. Já sabia então que não me tinham apanhado para matar-me. Aquilo era um rapto muito bem organizado, por gente que sabia O que estava fazendo. Lavaram minha camisa, minha gravata, trouxeram charutos que eu não havia pedido, mas não me deixavam ler os jornais. Os bilhetes que assinei não foram ditados, mas eles diziam o que deveria escrever. Claro que algumas frases continham uma linguagem que eu jamais teria usado. Só no sábado pude ver o primeiro jornal. Quando soube que o Governo Brasileiro havia concordado com as exigências dos raptores, não tive mais dúvidas de que seria solto.

 

A Senhora Elvira Elbrick ouvia a descrição em silêncio. Para todos que estiveram com ela durante estes últimos dias, a opinião era uma só: ela havia sido admirável. Um de seus amigos comentou:

 

Elvira ficou muito preocupada com a possibilidade de Burke vir a ser morto. Preparou-se mentalmente para esta terrível possibilidade. Mas ao mesmo tempo, estava convidando seus amigos e amigas, gente da embaixada, para que viessem almoçar, jantar ou só conversar.

 

A Embaixatriz interrompe seu marido para perguntar:

 

Darling, o que foi que eles lhe deram para comer?

 

Respondeu Elbrick:

 

Na primeira noite, disse a eles que não tinha fome alguma e não queria comer. Na manhã seguinte comi dois ovos cozidos, torrada e café.

 

Ela sorri e diz:

 

Isso me parece bastante, no caso.

 

Elvira, você viu o retrato do nosso filho Alfred no jornal? Que costeletas horríveis ele está usando!

 

Um dos raptores perguntou ao Embaixador americano, pouco antes de soltá-lo, se comera bem na prisão. Elbrick respondeu:

 

Não posso considerá-la “une grande cuisine”, mas comi bem.

 

Continuou Elbrick:

 

Gostaria de dizer que, se bem que não tenha ouvido o telefone tocar nem uma vez, senti que eles recebiam instruções de fora. Na verdade não houve nenhuma preparação de minha parte para sair dali.

 

Avisaram-me simplesmente, de que eu ia ser solto. Em seguida, colocaram nos meus olhos uma coisa que só posso descrever como óculos totalmente pretos, pois nada conseguia ver através deles ou mesmo pelos lados. Saímos da casa e pediram-me que me abaixasse um pouco. Viraram-me de costas e assim entrei, com cuidado, dentro de um carro. Já disse que nada via, mas tenho a impressão de que era um Volkswagen. Andamos uns 15 minutos. Finalmente pararam o carro e alguém me disse:

 

O senhor pode descer. Mas queremos que não saia deste local durante 15 minutos. Não tente sair logo, pois temos gente na rua vigiando o senhor. Adeus.

 

No momento em que o carro arrancou aguardei um pouco e comecei a caminhar para a esquina. Não tinha a menor ideia de onde poderia estar. Cheguei à Rua Conde de Bonfim e perguntei a uma pessoa onde poderia encontrar um táxi. Ela me respondeu:

 

Olha lá, aquele motorista no táxi está acenando para você.

 

Continua Elbrick:

 

O táxi deu a volta na rua e parou junto de mim. O motorista me disse:

 

O senhor é o Embaixador americano, pobrezinho!

 

Entrei no carro e viemos para cá. O motorista começou a conversar comigo, contando tudo o que tinha acontecido desde meu rapto. Foi através dele que fiquei sabendo de quase tudo. Ligou o rádio e viemos escutando os boletins das emissoras do Rio. Depois disso, vocês já sabem: cheguei aí no portão, não nos quiseram deixar entrar, depois entramos, e estou aqui.

Um Instante de Emoção Após 80 Horas de Incerteza - Gente de Opinião

O Relato de Minuto a Minuto das 80 Horas de Angústia Vividas Pelo Embaixador Elbrick, da Tarde de Quinta-Feira à Noite de Domingo, Revela Lances Dignos de um Livro de Aventuras

 

Quinta-feira, 4 de setembro

 

13h50: Faz calor. Após o almoço, um homem sai de sua casa e volta para o trabalho. É uma pessoa importante, mas não gosta do aparato dos batedores e guarda-costas. Em seu passado, como recentemente contara à MANCHETE, havia algumas experiências que lhe ensinaram a não temer o perigo. Por exemplo, nos primeiros dias da Segunda Guerra Mundial, ele deixou Varsóvia de automóvel, levando em sua mala de secretário os códigos secretos americanos. Agora, já como embaixador no Rio, Charles Burke Elbrick está tranquilo. Preocupava-se apenas com o volume de coisas a providenciar, numa tarde particularmente atarefada. Pouco depois, avança pela Rua São Clemente, em Botafogo.

 

13h51: Na Rua Marques, cinco homens vivem a expectativa de uma aventura. Não têm pressa, mas preparam-se para dar o golpe mais ousado de terrorismo jamais tentado no Brasil. A tensão os faz suar e com a mão retiram o suor da testa, segundo revelou mais tarde uma testemunha que os vinha observando. Pareciam agitados e mal contidos dentro do Volkswagen vermelho, placa 9-63-58, da cidade de Cachoeiro do Itapemirim, no Espírito Santo. Outros homens, ocupando um outro carro da mesma marca, estavam igualmente nervosos. Seguiam o carro do Embaixador e também participaram da aventura.

 

13h52: O imenso Cadillac preto, de fabricação especial, chapa CD-3, com a mesma tranquilidade com que descia pela Rua São Clemente, dobra à esquerda para entrar na Rua Marques. A menos de um quilômetro dali, a Guarnição do 2° Batalhão da Polícia Militar da Guanabara, na própria São Clemente, reinicia o expediente do dia. Quando a limusine negra entra na Rua Marques, o motor do Volks vermelho já está ligado, imediatamente bloqueia o caminho do Embaixador, em frente ao número 15, uma casa vazia, de propriedade do Comandante Souto Maior, que pretendia vendê-la.

 

13h53: Três jovens armados correm para o carro diplomático e não têm dificuldade em penetrar no seu interior: o vidro da porta dianteira está aberto e há trincos por fora. Um entra na frente e dois atrás. Enquanto o da frente mantém o motorista sob guarda e arranca os fios do rádio de comunicação sintonizado com a sede da embaixada, na Av. Presidente Wilson, os de trás tratam de impedir qualquer reação do Sr. C. Burke Elbrick. Sob a mira de uma arma, o motorista se afasta para a direita. Um dos homens pega a direção do carro, dá a partida e abandona a Rua Marques para entrar na Capistrano de Abreu, uns setenta metros adiante.

 

13h54: O Cadillac negro, pela primeira vez, é precedido de um inusitado batedor: um Volkswagen verde, chapa 40-05-61, de São Paulo, onde um ou mais terroristas têm a missão específica de garantir o sequestro. Dentro, uma bomba de fabricação caseira numa lata de Nestogeno poderia afastar bloqueios ou empecilhos de qualquer natureza.

 

13h55: A limusine está rodando de novo pela Rua São Clemente, depois de haver percorrido uns cem metros da Rua Conde de Irajá. Da São Clemente, os sequestradores atingem o Largo dos Leões, onde deparam com o primeiro sinal. Logo em seguida, no Largo de Humaitá, outro sinal de trânsito. Portaram-se normalmente, obedecendo às regras do trânsito; não há registro de anormalidade nos dois sinais.

 

13h57: Em velocidade normal, não mais de 60 quilômetros horários, o homem que dirigia o Cadillac torceu a direção para a direita e venceu sem dificuldade a longa subida da Rua Vitório da Costa, revestida de paralelepípedos. No alto, virou à esquerda para entrar à direita, uma dezena de metros adiante, onde pegaram a Rua Maria Eugênia. Todas as ruas estavam desertas, na zona residencial do Humaitá. No trajeto, nenhum incidente. Nada atrapalhava o plano de sequestro, que seguia sem atropelos. Na Rua Maria Eugênia, uma razoável redução da velocidade, devido às obras que ali se realizam, mas isso não parece ter perturbado os terroristas.

 

13h59: Menos de sete minutos depois de desencadeada a operação, os raptores sentem-se tranquilos e já não acreditam em qualquer hipótese de interceptação ou reação do Embaixador ou de seu motorista. Um último movimento de direção para a direita e o carro inicia a subida da Euclides de Figueiredo. A total ausência de movimento, atestada pela grama que cresce livremente entre os paralelepípedos, garante o sucesso da operação. Dos dois lados da rua, apenas mato nos terrenos baldios. A frente de um deles, à direita, uma curva a setenta metros do início da rua, o grande carro para.

 

14h: O motorista Abel não sabe, nem o Embaixador Elbrick, mas o Volks que acompanhou o seu carro já foi substituído por uma Kombi verde-abacate. O Volks verde ficara atrás, no meio da pista, bloqueando a entrada da Rua Euclides de Figueiredo. A Kombi, a partir asse momento, passa a ser o novo transporte do Embaixador C. Burke Elbrick. Não se sabe de onde ela surgiu. Só foi vista pelo caseiro de uma residência situado num platô, a uns duzentos metros de distância do local onde se fez o transbordo do Embaixador. A parada é tão rápida quanto tudo o mais que acontece nessa aventura. Enquanto um mantém o motorista sob vigilância, dois outros conduzem o Embaixador, agredindo-o na testa quando quis resistir, para o banco traseiro da Kombi. O Sr. Burke Elbrick já mudara de carro e de motorista. Uma ré violentíssima, seguida de uma manobra rápida, a Rua Euclides de Figueiredo não tem saída, leva a Kombi de volta para a Rua Maria Eugênia. Dali em diante, nada. Nenhuma notícia, nenhuma pista. Só especulação. Nem o próprio Embaixador Burke Elbrick soube explicar, depois, por onde andou. Encerrada a operação-transbordo, o Volks verde que ficara bloqueando a entrada da Rua Euclides de Figueiredo, deixa o local e é abandonado numa rua em frente, a Ministro João Alberto. No seu banco traseiro, a bomba. Logo após a passagem do embaixador do Cadillac para a Kombi, os terroristas sentem-se tão seguros da sua ação que resolvem tirar o veículo diplomático do local, levando-o para o início da Rua Caio de Melo Franco, onde foi abandonado com o motorista Abel. Ali, ainda atônito, ele procura pôr em ordem o seu raciocínio, para agir.

 

14h05: Abel já resolveu o que fazer. Vai procurar um telefone para avisar a Embaixada americana, na Avenida Presidente Wilson. Correndo, desce a rua. Sua apreensão é enorme. Não há ninguém a quem possa pedir auxílio. Nenhuma casa ou edifício, no qual possa entrar, para pedir um telefone emprestado. Nenhum táxi. Nada. Com o coração aos pulos, entrou na primeira casa que encontra. É a residência do Sr. Francisco Reis Vaz, de número 4. Em casa, só a empregada Valdéia. Abel procurava explicar-se, dizer o que pretende, mas Valdéia não entende nada. Ele estava muito confuso e nervoso. Valdéia tem medo, mas algo lhe diz que deve ajudar aquele homem. Afinal, ele está de terno e gravata, não tem aparência de um marginal. Deixa-o entrar e lhe indica o telefone. E só começa a entender as coisas, quando ouve a conversa de Abel com a embaixada:

 

Sequestraram o Embaixador.

 

14h15: Custódio Abel da Silva tem que repetir a história algumas vezes para que os funcionários da Embaixada dos Estados Unidos o compreendam e acreditem no que está acontecendo.

 

14h17: O encarregado de negócios, William Belton, substituto eventual do Embaixador C. Burke Elbrick, começa a acionar os serviços da Embaixada americana e a dar ciência do ocorrido às autoridades brasileiras, iniciando pelo Sr. Magalhães Pinto, Ministro das Relações Exteriores. A primeira providência do Sr. Magalhães Pinto é avisar os Ministros Militares que respondem temporariamente pela Presidência da República.

 

14h20: Os serviços de segurança brasileiros entram imediatamente em ação. Licenças são canceladas. Todo o pessoal é chamado ao serviço. Todas as viaturas são postas em funcionamento. Os serviços de rádio não param de transmitir mensagens. As saídas do Rio de Janeiro são bloqueadas. Os Quartéis ficam de prontidão e suas guardas são avançadas e mais ostensivas, com armas embaladas. No DOPS, no CENIMAR, no SNI, no Serviço Secreto da Aeronáutica, nos serviços da Presidência da República, enfim em todos os setores de segurança a atividade é intensa. E a perplexidade não é menor.

 

14h30: As polícias brasileiras começam a trabalhar. O Chanceler Magalhães Pinto resolve esperar por algum tempo os primeiros resultados da ação policial. O Ministério das Relações Exteriores parece estar em calma. Na realidade, a chancelaria Brasileira vive momentos de angústia e trabalho intenso. Nos gabinetes, o pessoal diplomático do Itamarati estuda todas as alternativas, e elas eram inúmeras, para indicá-las ao Sr. Magalhães Pinto, no momento oportuno.

 

15h50: Agentes do DOPS, munidos das informações telefônicas fornecidas pelo motorista do Embaixador, localizam o Cadillac preto, na Rua Caio de Melo Franco. Ao seu lado, na maior excitação, Custódio Abel da Silva ansiava por aquela chegada, cercado por alguns curiosos, que foram imediatamente afastados pela polícia.

 

15h53: Em linhas gerais, Abel conta toda a aventura, sem deter-se em pormenores, o que só faria mais tarde. Ninguém tocou no Cadillac. A grande limusine permanece no local em que foi deixada pelos sequestradores, com o rádio inutilizado e sem a chave de ignição.

 

15h54: Os policiais tratam de isolar a área em torno do Cadillac, que só mais tarde seria periciado.

 

16h: Uma turma de patrulheiros localiza o Volks verde com sua bomba na Rua Ministro João Alberto. As portas estão abertas e só é visível em seu interior o pavio da bomba, que está enrolada em jornais. Quase ao mesmo tempo, é achado o Volks vermelho, deixado pelos sequestradores na Rua Capistrano de Abreu, em frente ao número 15. Os técnicos policiais e militares são avisados dos achados, para que providenciem as perícias. O Ministro Magalhães Pinto é avisado de tudo e toma o rumo do Palácio Laranjeiras, onde faz seu relatório aos Ministros Militares que respondem pela Presidência da República.

 

16h35: O sequestro do Embaixador ainda não é do conhecimento público, até o momento em que é expedida uma nota oficial a respeito. O documento explode como uma bomba nas redações dos jornais, estações de rádio e televisão. Os chefes de reportagem e de redação mostram-se tão perplexos como os que primeiro souberam do evento e logo acionam seus homens.

 

16h45: A embaixatriz Burke Elbrick já está notificada do rapto de seu marido. A residência do embaixador está sob rigorosa vigilância. Ninguém mais entra sem ser identificado e estando a serviço. Nem mesmo o Embaixador Vasco Leitão da Cunha, amigo pessoal do Sr. Burke Elbrick, que tentava comunicar-se com a Embaixatriz, consegue permissão para atravessar os portões. Chega no casarão da São Clemente o carro CD-979, com dois agentes de segurança e o médico do Embaixador, que vai assistir a Sra. Elbrick.

 

16h50: Depois de haver conferenciado com os Ministros Militares no Laranjeiras, o Ministro Magalhães Pinto chega à Embaixada dos Estados Unidos, onde conferencia com o encarregado William Belton, transmitindo a certeza de que o Governo Brasileiro tomaria todas as providências necessárias para salvaguardar a vida do representante norte-americano.

 

17h: Os peritos entram no Cadillac diplomático e deparam com um manifesto e uma mensagem dos sequestradores, o primeiro dirigido ao povo e a segunda às autoridades. A mensagem exigia a leitura do manifesto por uma cadeia de rádio e televisão e também a libertação cie 15 presos políticos, que deveriam ser conduzidos ao México, ao Chile ou à Argélia.

 

17h05: Uma viatura policial sai da Rua Caio de Melo Franco, conduzindo os documentos deixados pelos terroristas, para exame das autoridades.

 

17h10: O Comandante Souto Maior e sua esposa, Dona Elba, que desconfiou das intenções dos ocupantes do Volks vermelho estacionado pela manhã quase em frente à casa vazia da Rua Marques, estão sendo interrogados, na tentativa de levantar alguma pista que conduza aos sequestradores. O mesmo acontece com o motorista Abel.

 

17h15: São expedidas ordens para a prisão do estudante José Eduardo Moreira, em Cachoeiro do Itapemirim. Ele é o dono da placa 9-63-58, que estava no Volks vermelho. A prisão é efetuada, mas em nada contribui para o sucesso das investigações.

 

17h55: O Cadillac preto chega de volta à Embaixada americana.

 

18h20: O motorista Abel, custodiado por cinco agentes de segurança, entra na Embaixada Americana. Todos vão para o terceiro andar, onde funciona o escritório do Chefe de Segurança Regional, Sr. Martin L. Garret Jr., da CIA. A essa hora, a Rua São Clemente já voltou a tranquilidade e está inteiramente tomada, como todos os dias, por ônibus e automóveis.

 

19h: Em San Fernando, Califórnia, o Presidente Richard Nixon conferencia com o secretário de Estado norte-americano, William Rogers, e os dois estabelecem as normas de procedimento que enviaria à sua embaixada no Rio.

 

20h: A falta de notícias é angustiante. Há milhares de pessoas diretamente empenhadas na busca, mas nada se consegue saber. No Palácio Laranjeiras, nos Ministérios, nas sedes dos serviços de segurança, em todas as cúpulas, se sucedem as reuniões. Mas nada transpira.

 

21h30: O General Siseno Sarmento, Comandante do I Exército, assume o comando das operações de resgate, enquanto o Ministro Magalhães Pinto está reunido no Laranjeiras com os Ministros Militares e o Sr. William Belton.

 

22h: Continua o enervante silêncio. Há apenas sinais pouco reveladores de movimentação. Presos políticos já foram transferidos de cárceres da polícia para o Quartel da Polícia do Exército, na Bua Barão de Mesquita. Todo o quarteirão da Secretaria de Segurança da Guanabara está interditado ao trânsito de veículos e pedestres. O núncio apostólico, Dom Humberto Mazzoni, decano do corpo diplomático, oferece-se como mediador junto ao Governo e aos sequestradores, mas não teria oportunidade, em nenhum momento, de exercer efetivamente esse papel.

 

Sexta-feira, 5 de Setembro

 

00h15: As estações de televisão da Guanabara entram em cadeia, sob o comando da Agência Nacional, e é cumprida a primeira exigência dos sequestradores do Embaixador americano no Brasil: é lido por um locutor, na íntegra, o manifesto político, de duas laudas, contendo acusações ao regime brasileiro, às autoridades, principalmente às que exercem funções policiais de repressão. O documento também exige a libertação de 15 presos políticos e encerra com uma advertência terrível:

 

Agora é olho por olho, dente por dente.

 

O manifesto é assinado pela Ação Libertadora Nacional (ALN) e o Movimento Revolucionário de Outubro (MR-8). No dia seguinte, todos os jornais o reproduziriam, na íntegra. Durante a noite, continuam as tentativas de localizar o Embaixador, mas o público de nada pôde ser informado.

 

09h: Ao contrário do que comumente acontece em dias de trabalho, o centro da cidade do Rio de Janeiro tem menos gente esta manhã. Os bancos funcionam normalmente. Essa paisagem continuaria pelo resto do dia. Uma onda de boatos percorre a cidade. Nenhum deles seria confirmado pelos eventos posteriores.

 

11h05: Através de um telefonema anônimo, as autoridades localizam na caixa de esmolas da Igreja Nossa Senhora da Glória, no Largo do Machado, o primeiro bilhete do Embaixador Elbrick, dirigido à sua esposa:

 

Querida Elvira. Estou bem. Espero ser libertado e vê-la breve. Por favor, não se preocupe. Também procuro fazer o mesmo. As autoridades brasileiras foram informadas das exigências feitas pelas pessoas que me detêm? Não devem tentar me localizar, o que poderia ser perigoso, mas se apressarem em satisfazer as condições impostas para minha libertação. Esse pessoal é sem dúvida muito decidido. Todo o meu amor, querida, esperando que em breve estejamos juntos.

 

15h52: O primeiro recado do embaixador causa visível alívio. Novo telefonema anônimo avisa que uma segunda mensagem está numa urna de sugestões do Supermercado Disco, na esquina de Ataulfo de Paiva com João Lira, no Leblon. Efetivamente, lá estavam a lista e um novo bilhete do embaixador à esposa:

 

Querida Elvira. Acabei de ser informado de que o Governo aceitou as condições das pessoas que me têm em seu poder. Esta é uma notícia muito boa, porque significa que serei solto tão logo seja confirmado que os 15 prisioneiros libertados cheguem ao México. Espero estar com você muito breve. Com todo o meu amor, Burke.

 

A lista de presos é a seguinte: Gregório Bezerra, Vladimir Palmeira, José Ibraim, João Leonardo da Silva Rocha, Ivens Marchetti, Flávio Tavares, Ricardo Villas-Boas Sá Rêgo, Rolando Fratti, “Chuchu” (Mário Roberto Zaconato); Ricardo Zaratini, Onofre Pinto, Maria Augusta Carneiro, Argonauta Pacheco da Silva, Luís Travassos e José Dirceu de Oliveira Silva. Logo após, o documento seria divulgado. Depois de tomada a decisão oficial de atender a essa segunda exigência; há intensa movimentação das autoridades policiais e militares, no sentido de reunir no Rio o grupo de prisioneiros. E começou um novo período de aflitiva espera. Os boatos voltam novamente a circular, em virtude da falta de notícias. As coisas mais incríveis são ditas à boca-pequena.

 

22h: Uma nota oficial, divulgada pela Agência Nacional, avisa que uma reunião governamental decidiu adiar o pronunciamento do Sr. Magalhães Pinto, marcado para as 22h.

 

Sábado, 6 de Setembro

 

09h: Reunido no Palácio das Laranjeiras, o Governo brasileiro resolve cancelar qualquer novo pronunciamento oficial. As autoridades trabalham no sentido de reunir, durante todo o dia, no Rio, os que seriam enviados ao México. O sábado talvez tenha sido o dia de maior tensão e de maior movimentação em todos os escalões oficiais. Na área militar do aeroporto do Galeão, o transporte Hércules C-130, prefixo 2.456, está pronto para decolar. A zona está interditada. Os fotógrafos e repórteres procuram cumprir suas tarefas a uma distância de um quilômetro e meio do local do embarque.

 

17h: Fotógrafos oficiais do Governo batem chapas de 13 dos 15 presos políticos que embarcariam no Rio.

 

17h03: O Hércules da Força Aérea Brasileira decola do Galeão, com menos dois passageiros a bordo: Gregário Bezerra, que seria apanhado em Recife, e Mário Roberto Zaconato, que tinha Belo Horizonte como ponto inicial de sua viagem rumo ao México. Os 13 são fotografados algemados e assim entram no avião.

 

18h15: O Hércules voa em direção a Recife, sua primeira escala, enquanto no aeroporto da Pampulha, em Belo Horizonte, decola um jato da FAB, levando Mário Roberto Zaconato para Belém.

 

21h00: Num monumento em frente a Bloch Editores, na Praia do Flamengo, é encontrada a terceira mensagem do Embaixador Elbrick, como as antecedentes, dirigida à sua esposa:

 

Querida Elvira. Estou bem, ansioso para vê-la dentro em breve. Li nos jornais de hoje que você recebeu minhas duas cartas de ontem e fui informado pelos que me prendem que eles esperam a confirmação do Governo Brasileiro e da embaixada mexicana sobre os nomes dos 15 presos que foram libertados e que se encontram, agora, presumivelmente, a caminho do México. Espero que recebam tal confirmação e que seja libertado amanhã, a qualquer momento. Com todo o meu amor, Burke.

 

22h30: O Governo divulga um comunicado informando que a situação em todo o País é de calma e que agira com ponderação para salvar a vida do Embaixador Elbrick.

 

22h40: Informa-se oficialmente no Rio que o Hércules 130 decolou a essa mesma hora de Recife, levando o seu 14° passageiro, Gregório Bezerra.

 

Domingo, 7 de Setembro

 

03h: Decola de Belém, com sua carga completa, rumo à Cidade do México, o Hércules 130 da FAB.

 

15h40: O transporte brasileiro aterrissa no aeroporto internacional da Cidade do México, onde o aguarda uma pequena multidão de que fazem parte alguns exilados políticos brasileiros.

 

15h42: Salta o Comandante do aparelho, Major Egon Reinish, perguntando pelo pessoal da Embaixada brasileira, a quem tem instruções de entregar os presos. É informado de que deveria fazê-lo às autoridades mexicanas e com elas inicia as negociações. Só meia hora depois, os presos seriam desembarcados, ainda algemados, e foram encaminhados ao setor de imigração, onde todos seriam identificados.

 

15h45: As agências internacionais transmitem para todo o mundo a notícia da chegada do avião brasileiro.

 

15h46: Interrompendo as transmissões de futebol, as principais emissoras de rádio noticiam o mesmo fato.

 

16h: É achado na Praça Serzedelo Correia, em Copacabana, o quarto bilhete do embaixador Elbrick, ainda dirigido à esposa:

 

Querida Elvira. Disseram-me que o rádio anunciou a chegada dos 15 no México. As pessoas que me prenderam estão esperando confirmação de suas próprias fontes, antes de me soltarem. Eles me asseguram que eu serei libertado tão logo recebam a confirmação. Com todo o meu amor, Burke.

 

18h: É transmitida pela televisão a primeira radiofoto do Hércules 130, no aeroporto da Cidade do México.

 

18h05: Depois de deixar duas passageiras na Rua Conde de Bonfim, nas proximidades do Largo da Segunda-Feira, o motorista José Mateus deu a volta com seu táxi, para retornar ao centro da cidade. Mas na Rua Eduardo Ramos, ele vê um homem, que lhe faz sinal de parada. Mateus já vira a foto daquele senhor nos jornais e imediatamente o reconhece e para muito nervoso, para apanhá-lo. O Sr. Burke Elbrick acabara de cumprir a última das exigências dos sequestradores. Aguardara no local em que o deixaram, Rua Eduardo Ramos, pelo espaço de 15 minutos, para só então tomar uma providência. E o que fez foi caminhar em direção à Conde de Bonfim, onde se verifica o maior volume de tráfego. Misturado a uma grande quantidade de carros que saíam do Estádio do Maracanã, o táxi de Mateus, chapa 5-11-43, foi tocando devagar, para o endereço que seu ilustre passageiro lhe fornecera: Botafogo, Rua São Clemente, Embaixada americana.

 

19h52: O táxi de cor caramelo, dirigido por Mateus e levando o Sr. Elbrick, encosta no portão do lado de fora da residência do embaixador americano e é imediatamente abordado por um PM que não reconhece o diplomata. Mas, segundos depois, uma pequena multidão já o cerca, sob aplausos.

 

19h53: A Embaixatriz Elvira Elbrick recebe o marido em lágrimas e o beija várias vezes. Com ela veio o cãozinho Tony, ao qual o embaixador dirigia um afago, alguns instantes depois.

 

O Terror Explode em São Paulo

 

O Volks 69, azul, chapa 44-52-75, saíra da Rua Amaral Gurgel e entrara na da Consolação, parando no sinal. De repente, explodiu. Sobrou apenas o chassi, e no asfalto jaziam os corpos estraçalhados dos dois ocupantes. Eram 05h20 de quinta-feira, dia 4, e a rua ainda estava quase deserta. A explosão danificou um prédio de quatro andares situado a 20 metros de distância. Dois guardas correram para o local e ainda viram um Chevrolet Bel-Air, que seguia atrás do Volks, afastar-se rapidamente. No meio dos destroços, a polícia encontrou panfletos, dois revólveres, uma pistola automática. Presumem as autoridades que os ocupantes transportavam uma bomba-relógio que detonou antes da hora ou uma carga de nitroglicerina, capaz de explodir pelo próprio balanço do veículo. Os dois homens foram identificados: Ishiro Nakami e Yoshihiro Omo. O primeiro era o dono do carro; no seu apartamento foram confiscados 14 quilos de dinamite e presas duas pessoas. (MANCHETE N° 909)

 

(*) Hiram Reis e Silva é Canoeiro, Coronel de Engenharia, Analista de Sistemas, Professor, Palestrante, Historiador, Escritor e Colunista;

 

YYY Coletânea de Vídeos das Náuticas Jornadas YYY

https://www.youtube.com/user/HiramReiseSilva/videos

 

Campeão do II Circuito de Canoagem do Mato Grosso do Sul (1989);

Ex-Vice-Presidente da Federação de Canoagem de Mato Grosso do Sul;

Ex-Professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA);

Ex-Pesquisador do Departamento de Educação e Cultura do Exército (DECEx);

Ex-Presidente do Instituto dos Docentes do Magistério Militar – RS (IDMM – RS);

Ex-Membro do 4° Grupamento de Engenharia do Comando Militar do Sul (CMS);

Ex-Presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS);

Membro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil – RS (AHIMTB – RS);

Membro do Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul (IHTRGS – RS);



[1]    This is serious, darling: Isto é sério querido. (Hiram Reis)

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

Gente de OpiniãoQuarta-feira, 8 de abril de 2026 | Porto Velho (RO)

VOCÊ PODE GOSTAR

A Redentora Contrarrevolução de 1964

A Redentora Contrarrevolução de 1964

Bagé, RS, 31.03.2026 A livre expressão de ideias sujeitava-se a um eloquente silêncio. O direito de opinião fora escriturado em nome dos grandes mei

BR-80, A Invasão da Amazônia  Hiram Reis e Silva

BR-80, A Invasão da Amazônia Hiram Reis e Silva

Bagé, RS, 30.03.2026 Vamos continuar reproduzindo as reportagens da Revista Manchete:  Manchete n° 945, Rio de Janeiro, RJ Sábado, 30.05.1970 BR-80,

A Visita de um Filho Ilustre

A Visita de um Filho Ilustre

Bagé, RS, 27.03.2026 Vamos continuar reproduzindo as reportagens da Revista Manchete:  Manchete n° 944, Rio de Janeiro, RJ Sábado, 23.05.1970 A Visit

Operação no Vale do Terror

Operação no Vale do Terror

Bagé, RS, 25.03.2026 Vamos continuar reproduzindo as reportagens da Revista Manchete:  Manchete n° 942, Rio de Janeiro, RJ Sábado, 09.05.1970 Operaçã

Gente de Opinião Quarta-feira, 8 de abril de 2026 | Porto Velho (RO)