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Gente de Opinião

Hiram Reis e Silva

Operação no Vale do Terror


Operação no Vale do Terror - Gente de Opinião

Bagé, RS, 25.03.2026

 

Vamos continuar reproduzindo as reportagens da Revista Manchete:

 

 

Manchete n° 942, Rio de Janeiro, RJ

 

Sábado, 09.05.1970

 

Operação no Vale do Terror

 

 

Orientadas por Helicópteros e Aviões de Reconhecimento, as Tropas Avançaram Pela Floresta Cerrada, na Caça aos Guerrilheiros

 

Capela é um povoado com pouco mais de dez casas de madeira na altura do Km 250 da Rodovia Régis Bittencourt, que liga São Paulo ao Sul do País. Sua população, composta de gente pobre, como a maior parte dos habitantes do vale da Ribeira, vive do cultivo da banana e de produtos da pesca. A partir de novembro de 1969, começaram a chegar à localidade homens fortemente armados, dizendo-se caçadores. Com o correr dos dias, surgiram as primeiras especulações sobre o verdadeiro objetivo dos forasteiros. E de uma forma ou de outra, os acontecimentos acabaram sendo conhecidos do II Exército. No dia 21 de abril, os Comandos Militares sediados em São Paulo decidiram deflagrar a Operação-Registro. O nome provém da cidade de Registro, o mais conhecido dos centros de povoamento do Vale. Quarta-feira pela manhã, dia 22 de abril, o Aeroporto de Registro foi ocupado e suspenderam-se os voos civis. No sábado, chegaram à cidade contingentes militares. Imediatamente, as operações se estenderam aos municípios de Jacupiranga, Pariquera-Açu, Iguape e Cananéia.

 

As estradas foram bloqueadas com barreiras e passou-se a exigir a identificação dos passageiros de qualquer veículo que transitasse na região. Helicópteros e aviões de reconhecimento, com base em Registro, iniciaram as buscas. Tropas foram acantonadas em um asilo de velhos, abandonado há dois anos, em Jacupiranga. Guiadas por informações de moradores locais, as tropas chegaram ao Sítio Bananal, onde havia uma casa branca, pequena, no alto de um morro, lugar de difícil acesso. Lá encontraram duas mochilas com mantimentos, metralhadoras, rifles e munições. E também uma máquina de costura, com a qual se confeccionavam, segundo indícios existentes, fardamentos para os guerrilheiros. Havia sinais de que a casa fora abandonada às pressas. Um rádio-receptor ainda estava ligado e ouvia-se a voz de uma mulher chamando insistentemente por Márcio.

Operação no Vale do Terror - Gente de Opinião

O Sítio Bananal, em Registro, foi comprado por Lauro Pessoa, cuja identidade está sendo investigada, a Flosino Vieira de Sousa por NCr$ 3.500,00. Na casa do ex-Prefeito de Jacupiranga, Manuel de Lima, que foi o intermediário da transação, o Exército apreendeu US$ 100 mil e potentes aparelhos receptores-transmissores. No Sítio Bananal, numa caverna, foram encontrados NCr$ 1.500,00.

 

O foco guerrilheiro encontrava-se em uma floresta de cerca de cem quilômetros, ao Sul de São Paulo, com saída pelo Mar. O vale da Ribeira, com uma população de 120 mil pessoas distribuídas por numerosos municípios, é zona de geografia acidentada, com baixa renda e riqueza exclusivamente agrícola. A Operação-Registro deverá prosseguir por alguns dias, “até a limpeza completa de área”, segundo indicou uma fonte militar. Depois de anunciada a apreensão de material bélico e equipamentos, aviões de bombardeio destruíram a casa e os barracões que serviam de abrigo aos guerrilheiros em Capela. (MANCHETE N° 942)

 

(*) Hiram Reis e Silva é Canoeiro, Coronel de Engenharia, Analista de Sistemas, Professor, Palestrante, Historiador, Escritor e Colunista;

 

YYY Coletânea de Vídeos das Náuticas Jornadas YYY

https://www.youtube.com/user/HiramReiseSilva/videos

 

Campeão do II Circuito de Canoagem do Mato Grosso do Sul (1989);

Ex-Vice-Presidente da Federação de Canoagem de Mato Grosso do Sul;

Ex-Professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA);

Ex-Pesquisador do Departamento de Educação e Cultura do Exército (DECEx);

Ex-Presidente do Instituto dos Docentes do Magistério Militar – RS (IDMM – RS);

Ex-Membro do 4° Grupamento de Engenharia do Comando Militar do Sul (CMS);

Ex-Presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS);

Membro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil – RS (AHIMTB – RS);

Membro do Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul (IHTRGS – RS);

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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