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Gente de Opinião

Hiram Reis e Silva

A Redentora Contrarrevolução de 1964


A Redentora Contrarrevolução de 1964 - Gente de Opinião

Bagé, RS, 31.03.2026

 

A livre expressão de ideias sujeitava-se a um eloquente silêncio. O direito de opinião fora escriturado em nome dos grandes meios de comunicação, seus teleguiados formadores de opinião, palpiteiros e consultores filtrados a dedo.

Os cursos de jornalismo, adequadamente instrumentalizados, desovavam todos os anos levas de militantes preparados para cumprir sua missão.
(Percival Puggina – Em Defesa da Liberdade de Expressão)

 

Vamos repercutir, algumas reportagens publicadas no “Diário de Notícias”, em 1964”, mostrando os desmandos do desditoso ex-presidente (com letra minúscula mesmo) joão goulart e seus infelizes asseclas que culminaram com Redentora Contrarrevolução de 1964. Desde então, o vil clã derrotado pelo então esclarecido povo brasileiro, políticos leais e religiosos comprometidos com o nosso País, deram início a uma ardilosa manobra visando mobiliar os meios de comunicação e estabelecimentos de ensino com noticiaristas e docentes que deturpam e reescrevem os fatos de maneira a exaltar os seus prosélitos e denegrir a imagem dos adversários a qualquer custo.

 

Diário de Notícias n° 12.628, Rio de Janeiro, RJ

Domingo, 19 e Segunda-feira, 20.01.1964

Cardeal Denuncia uma Conspiração!

[...] Eis a íntegra do comunicado que está com o Cardeal Arcebispo:

 

Comunicação aos Sindicatos. Sr. Presidente. Comunicamos a V. Sª e pedimos que transmita à classe que representa o seguinte:

 

a)   organizamos um “grupo de guerrilhas” com a. finalidade de:

 

1)   estabelecer um governo popular revolucionário;

 

2)   acabar com a exploração do povo e do Brasil;

 

3)   dar condições de vida digna do homem;

 

4)   reforma agrária total das terias [todo território passará ao Estado];

 

5)   formação de um partido único representado pelos sindicatos, eleitos de Baixo para Cima;

 

b)  está marcado o início das atividades para o dia 24.02.1964. [...]

 

Diário de Notícias n° 12.633, Rio de Janeiro, RJ

Sábado, 25.01.1964

Cardeal Jaime Câmara: Uma Onda Vermelha Avassaladora se Precipita Sobre o País

A Redentora Contrarrevolução de 1964 - Gente de Opinião

Depois de citar, pela “Voz do Pastor”, palavras do Cardeal-Primaz, segundo as quais “vozes credenciadas afirmam que  presença de forças dirigidas pelo comunismo internacional nasaltas funções administrativas do País” e de afirmar que “uma onda vermelha avassaladora se precipita sabre o País”, o Cardeal Jaime de Barros Câmara indagou, ontem, o que estava fazendo o Conselho de Segurança Nacional.

 

Disse o Cardeal-Arcebispo que “hoje, graças à política tolerante e culposa, o imprevisível, já se estadeia bem previsto, programado e em franca execução”, acres­centando que “já se chegou à pregação revolucionária”, pois, “no último domingo, estava sendo distribuída uma folha volante nestes termos: Ajuda a fundar o Comitê de Mobilização Popular de teu bairro, de tua rua, de tua fábrica ou de tua escola”.

 

Diário de Notícias n° 12.674, Rio de Janeiro, RJ

Domingo, 15 e Segunda-feira, 16.03.1964

Apreensivo o Congresso Com os Termos da Mensagem de Goulart

 

O Congresso Nacional está apreensivo com a Mensagem que o presidente da República enviará hoje por ocasião da reabertura dos trabalhos parlamentares. Segundo informações oficiais que chegaram ao conhecimento da Mesa da Câmara e do Senado, o documento presidencial “é altamente explosivo”, falando inclusive num desdobramento do discurso da praça Cristiano Otoni, que “ou o Congresso vota as reformas de baseou haverá derramamento de sangue”. [...]

 

Diário de Notícias n° 12.675, Rio de Janeiro, RJ

Terça-feira, 17.03.1964

Agripino: o Golpe deu Grande Passo

A Redentora Contrarrevolução de 1964 - Gente de Opinião

O Sr. Artur Virgílio, líder do PTB no Senado, passou, ontem, de interpelador a interpelado, quando solicitou que o Sr. Auro Moura Andrade esclarecesse o seu discurso na solene instalação do Congresso. O senador João Agripino, em nome da UDN, interferiu dizendo que “um líder não pode, regimentalmente, interpelar o presidente do Senado”. A seguir, depois de uma série de perguntas, disse que “ninguém é surdo neste País, e todos ouviram o discurso do correligionário e cunhado do presidente da República, pregando o fechamento do Congresso, a revolução, apoiado e prestigiado pelo próprio sr. João Goulart”. Adiante, afirmou que, no comício do dia 13, “ninguém deixou de sentir que fora dado o grande passo para o golpe”. Por outro lado, o senador Filinto Müller, líder do PSD, também, levantou-se contra as pretensões do PTB.

 

Diário de Notícias n° 12.678, Rio de Janeiro, RJ

Sexta-feira, 20.03.1964

Repúdio à Intervenção e ao Golpe

Nação Contra o Golpe

A Redentora Contrarrevolução de 1964 - Gente de Opinião

Constituiu um acontecimento da maior expressão da vida nacional a “marcha da família, com Deus e pela Liberdade”, realizada ontem em São Paulo, que respondeu nas ruas, com manifestação inédita no País, às terríveis ameaças de subversão do regime e de uma despropositada e provocadora intervenção no Estado, que é um modelo de pujança e de trabalho para o Brasil e para as Américas. [...]

 

Um Milhão de Pessoas na “Marcha da Família”

 

SÃO PAULO, 19 [Sucursal] – “Todos viemos aqui para dizer ao Brasil que estamos alerta, que os democratas não permitirão que os comunistas sejam donos da Pátria” –exclamou o Senador Auro de Moura Andrade, em um discurso entrecortado de aplausos calorosos, na concentração-monstro, em que culminou a “Marcha da Família com Deus pela Liberdade”, e diante de uma multidão de cerca de um milhão de pessoas, vindas de vários Estados brasileiros. A opinião dominante é de que São Paulo viveu, hoje, emocionante página de sua História. Homens, mulheres, crianças, operários de todas as categorias, estudantes de todas as escolas, saíram às ruas para a “Marcha da Família”, sob intensa vibração, cantando unissonamente, e empunhando centenas de faixas, da praça da República até a praça da Sé, onde foi lida a “Oração da Mulher Paulista” e ouvidos os oradores.

 

Diário de Notícias n° 12.686, Rio de Janeiro, RJ

Terça-feira, 31.03.1964

“Che” Guevara Anuncia:
Vitória do Brasil Está Por Pouco

Minas Gerais Levanta-se: Está em
Causa a Democracia

Goulart: o meu Governo Jamais
Pretendeu Fechar o Congresso

 

O presidente da República, que ontem mesmo embarcou para Brasília, declarou, à noite, no Automóvel Clube, que “o Golpe que desejamos é o golpe democrático das reformas”, acrescentando que “não queremos o Congresso fechado; ao contrário, queremo-lo de portas abertas, e deputados sensíveis às reivindicações do povo brasileiro, que eles representam e tem o dever de defender” O sr. João Goulart falou durante uma hora e cinquenta minutos, demorando-se em explicações religiosas, em citações dos Papas e no panegírico de Dom Helder Câmara e de Dom Carmelo de Vasconcelos Mota. No seu ataque aos que lhe fazem oposição, externou a preocupação de tudo fazer para esvaziar a “Marcha da Família com Deus pela Liberdade”, localizando as áreas de resistência ao golpe contra as instituições nos grandes proprietários, nos donos de refinarias, no IBAD, etc. A certa altura, afirmou que políticos que pregavam o ódio, unidos a governantes os mais corruptos da história política do País, estão infringindo o segundo mandamento da Lei de Deus. [...]

 

Diário de Notícias n° 12.688, Rio de Janeiro, RJ

Quinta-feira, 02.04.1964

Kruel: Vitória Restabeleceu Paz Cristã ao Brasil

Arraes foi Encarcerado e Afastado por “Impeachment”

Marinha Caça Goulart

 

Enquanto o Congresso Nacional iniciava, em plena madrugada, em Brasília, a votação do “impeachment” do sr. João Goulart, homiziado no Sul, numa sessão tumultuada pela oposição do PTB, que ameaçava ir até o esforço físico para impedir o debate da matéria, o general Amauri Kruel chegava a São Paulo para conferenciar com o Governador Ademar de Barros e ultimar os preparativos para os deslocamentos das tropas que deverão seguir para o Rio Grande do Sul a fim de esmagar o último foco de rebelião concentrado em Porto Alegre, sob o comando do sr. João Goulart e Leonel Brizola.

Ao mesmo tempo, deverão ser abastecidos, hoje, em Santos, os três navios da esquadra, Tamandaré, Pará e o Amazonas, que segundo se anuncia, sob o comando geral do Almirante Silvio Heck, rumam para o Sul a fim de cooperar no completo esmagamento dos insurretos. Ao mesmo tempo, por ordem do Sr. Ademar de Barros, começa hoje, em São Paulo, o racionamento da gasolina fixado em 70% para as indústrias e transportes coletivos e, em 30% para os carros particulares. A medida vai afetar profunda-mente o abastecimento de Brasília, uma vez que o Governo do Estado requisitou todos os estoques que transitam em direção à Capital Federal.

 

Ressurreição

 

Depois de três anos de inquietação e de lenta mas calculada demolição dos valores e das instituições democráticas, o Brasil encontra-se consigo mesmo e revela aos agitadores comandados uns, e acobertados outros, pelo sr. João Goulart a sua face verdadeira. O apego à disciplina e a obediência ao poder constituído traçaram às nossas Forças Armadas – às nossas democráticas Forças Armadas – durante esse longo e tormentoso período, a ingrata tarefa de vigiar a subversão, de amparar os esquemas de destruição da ordem constitucional e de implantação de um regime de exceção em nosso País. Elas o fizeram até o limite do desespero e até o limite de sua ppria sobrevivência como instituição destinada a garantir o povo brasileiro e as franquias democráticas.

 

Seu silêncio e sua paciência foram, entretanto, confundidos com uma conivência que jamais poderia acontecer. Então, do seio das próprias Forças Armadas, a quem tentaram humilhar com a destruição de sua hierarquiacomo do seio do povo brasileiro e de suas legítimas lideranças políticassurgiu o movimento de desagravo de um País traído por aqueles que juraram defendê-loe negado por aqueles que dele se serviram para condená-lo à mais estúpida das deformações.

 

A deposição do sr. João Goulart foi um gesto de autodefesa do regime. Não foi uma revolução, nem uma quartelada. Foi como a decisão de alguém que se livra de uma roupa que ameaça sufocá-lo. E o sr João Goulart não fez outra coisadurante o exercício de seu mandato senão sufocar a verdadeira vocação deste País e os legítimos e inequívocos compromissos do nosso povo com o regime livremente conquistado com a Carta Magna de 1946.

 

Neutralizado e extinto o foco de subversão que se enquistara nos palácios presidenciais, o País está outra vez preparado para afirmar, através de suas Forças Armadas, de seus partidos políticos e das autoridades agora investidas no Poder, a sua decisão de progredir dentro da ordem, da tranquilidade e das tradições de generosidade que a nossa formação histórica e cristã nos imprimiu.

 

YYY

 

Podemos agora ter o que perdemos há três anos: um Governo. Governo para cumprir e fazer cumprir a Constituição, e não para rasgá-la em praça pública a pretexto de reclamar reformas de base. Governo para garantir a disciplina no seio das Forças Armadas e estabelecer o convívio fraterno entre comandados e comandantes. Governo tara regular e harmonizar as relações entre empregadores e empregados, a fim de que o nosso desenvolvimento econômico seja também desenvolvimento social.

 

Governo para policiar e abafar as pruridos de subversão, venha ela de onde vier, qualquer que seja a sua coloração ideológica. Governo, enfim, para respeitar a opinião pública e por ela se fazer respeitado.

 

Quanto à luta pelas reformas de base, não há porque temer o seu destino. A necessidade dessas reformas não foi deposta com o sr. João Goulart. Agora, sim, é que o País encontra o clima adequado à sua pregação, ao seu estudo e à sua aplicação. Porque elas são uma imposição do nosso desenvolvimento econômico e uma justa aspiração do nosso povo, e não um monopólio das correntes extremadas que se serviram da ambição política do sr. João Goulart.

 

Agora, não há porque temer ser favorável às reformas, pois elas não servirão mais aos desígnios sinistros e antinacionais dos que as ostentavam como bandeira da bolchevização deste País e da escravização deste povo e da cupidez e de mando pessoal.

 

YYY

 

Tomamos conta, agora definitivamente, de nossa casa. E uma enorme tarefa nos espera. Há que arrumá-la e torná-la digna do povo que a habita. Esta tarefa, entretanto, é um consolo e uma vitória. Pois conquistamos o direto de executá-la.

 

Dos escombros do governo do sr. João Goulart o Brasil ressurge e retoma o seu verdadeiro caminho, fiel à inspiração da sua própria bandeira: Ordem e Progresso.

 

Diário de Notícias n° 12.689, Rio de Janeiro, RJ

Sexta, 03.04.1964

Brizola Abandonou Tudo e Escapou

Goulart Está em Fuga

 

O Brasil perdeu a trajetória do sr. João Goulart, que empreende uma fuga misteriosa no Sul do Continente. O governo do Uruguai recebeu pedido de asilo direto do ex-presidente, que solicitou acolhida para ele e uma comitiva de 15 pessoas, no meio das quais está o seu cunhado Leonel Brizola, que abandonou os correligionários, no Rio Grande do Sul, no instante em que o Exército, a Força Pública, a Polícia e o próprio povo promoviam a captura dos poucos rebeldes e destruíam os seus esconderijos. Segundo noticiário radiofônico captado da extinta “Cadeia da Legalidade”, o sr. Goulart e sua caravana deixaram a capital gaúcha, às pressas, às 12h45m de ontem, tomando o rumo do Uruguai. O conselheiro da embaixada daquele País, no Brasil, sr. Manuel Areosa, informou ao “DN” que tomou conhecimento do fato, mas o pedido foi feito diretamente ao presidente de seu País. [...]

 

Diário de Notícias n° 12.690, Rio de Janeiro, RJ

Sábado, 04.04.1964

Militares Exigem Expurgo e Surge Novo ministério

 

Goulart já se Acha Escondido no Uruguai

[..] Montevidéu, 4 – Já chegaram a esta capital a sra. Maria Teresa Goulart e seus dois filhos, acompanhados de uma empregada. O sr. João Goulait é esperado a qualquer momento, desde que lhe sejam dadas as garantias que mandou pedir de um ponto qualquer do interior do país. A ex-primeira dama brasileira desembarcou sorrindo de um “Cessna 330” em um subúrbio desta capital e se acha hospedada na casa do adido comercial da Embaixada do Brasil, numa praia a 20 quilômetros da capital platina. Chegou a dizer a um repórter uruguaio que seu marido estava em sua fazenda em São Borja e que indagara do governo uruguaio que tratamento teria como exilado político.

 

(*) Hiram Reis e Silva é Canoeiro, Coronel de Engenharia, Analista de Sistemas, Professor, Palestrante, Historiador, Escritor e Colunista;

 

YYY Coletânea de Vídeos das Náuticas Jornadas YYY

https://www.youtube.com/user/HiramReiseSilva/videos

 

Campeão do II Circuito de Canoagem do Mato Grosso do Sul (1989);

Ex-Vice-Presidente da Federação de Canoagem de Mato Grosso do Sul;

Ex-Professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA);

Ex-Pesquisador do Departamento de Educação e Cultura do Exército (DECEx);

Ex-Presidente do Instituto dos Docentes do Magistério Militar – RS (IDMM – RS);

Ex-Membro do 4° Grupamento de Engenharia do Comando Militar do Sul (CMS);

Ex-Presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS);

Membro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil – RS (AHIMTB – RS);

Membro do Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul (IHTRGS – RS);

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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