Sexta-feira, 23 de janeiro de 2026 - 07h50

Bagé, RS, 23.01.2026
Vamos continuar reproduzindo as
reportagens da Revista Manchete:
Manchete n° 878, Rio de Janeiro, RJ
Sábado,
15.02.1969
Um Caminho Para o Brasil
(Reportagem de Gil Vicente)
O Nordeste Ganha Nova Estrada e, com ela, Surgem Novas Perspectivas
Para a Região Assolada Pelas Secas
Com 216
quilômetros de extensão e pavimentada em todo o seu curso, a ligação
Russas-Jaguaribe-Icó faz parte da BR-116 que, uma vez concluída, ligará Fortaleza
a Jaguarão, na fronteira do Brasil com o Uruguai – a maior rodovia longitudinal
brasileira.
Em seu
trecho agora inaugurado, a rodovia corta caminho por uma região seca, de
vegetação rala, a caatinga, e sua conclusão tem um significado especial para o
futuro do País: com ela garante-se o abastecimento normal da região brasileira
mais duramente castigada pelas secas. Até atingir Icó, a estrada vence um solo
pedregoso, superficial, pouco espesso, encontrando no vale do Jaguaribe
diversas regiões planas, intercaladas por elevações rochosas.
Com Mais Esse Trecho da BR-116 um Importante Passo foi Dado Para a Concretização do Plano Rodoviário Federal do
Ministério dos Transportes

Diante do desafio de uma natureza particularmente ingrata, o DNER decidiu dar à estrada uma dupla finalidade: além de vencer o insulamento da região, a rodovia foi projetada de tal maneira que permitiu a utilização dos aterros, feitos dentro das características técnicas da estrada, para a construção de uma importante rede de açudes, ao longo de toda a sua extensão. Assim, foram ali construídos 103 açudes, que servirão para reservar a água destinada ao consumo local durante os longos períodos de estiagem, muito frequentes naquela região.
Por suas características, a ligação Russas-Jaguaribe-Icó é uma importante realização da engenharia nacional e mais uma vitória do Ministério dos Transportes e do DNER que, em 1968, bateram todos os recordes de pavimentação de sua história, cobrindo de asfalto mais de 2.150 quilômetros de estradas. Na execução dessa tarefa, o Governo sempre tem contado com a colaboração eficiente da iniciativa privada, como é o caso da construção deste trecho, executado pelas firmas Construtora Beta Ltda., Construtora Queiroz Galvão, Empresa Industrial e Técnica, Empresa de Pavimentação e Terraplenagem Empate S. A., e ainda o Consórcio Ribeiro Santos-Engrel.
A inauguração da rodovia pavimentada ligando as cidades de Russas-Jaguaribe-Icó, no Ceará, não representa apenas mais uma etapa que se cumpre no programa rodoviário nacional: pelas suas implicações econômicas e sociais, aquela ligação inscreve-se também no Plano de Integração do Nordeste no Contexto Nacional, uma das mais importantes realizações que estão sendo executadas com firmeza e determinação pelo Governo do Presidente Costa e Silva.
Ao mesmo tempo em que dinamiza a economia daquela região, onde o ritmo de progresso está implantando uma fábrica por dia, a administração federal amplia a rede de comunicações visando a libertar o Nordeste do isolamento em que viveu anos a fio, à margem do desenvolvimento do Sul do País. Para isso, o programa rodoviário que vem sendo executado pelo Ministro Mário Andreazza, à frente do Ministério dos Transportes, está dando tratamento prioritário à abertura de estradas naquela zona. Como assinalou o Diretor-Geral do DNER, engenheiro Eliseu Rezende, no discurso que pronunciou durante as solenidades realizadas em Jaguaribe:
Até 1970, todas as capitais do Nordeste estarão interligadas entre si e integradas ao sistema de rodovias pavimentadas do resto do País.
Para isso, os recursos necessários à execução desse gigantesco empreendimento já foram assegurados, através de financiamentos obtidos junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento e de recursos da União. (MANCHETE N° 878)
(*) Hiram Reis e Silva é Canoeiro, Coronel de Engenharia, Analista de Sistemas, Professor, Palestrante, Historiador, Escritor e Colunista;
YYY Coletânea de Vídeos das Náuticas Jornadas YYY
https://www.youtube.com/user/HiramReiseSilva/videos
Campeão do II Circuito de Canoagem do Mato Grosso do Sul (1989);
Ex-Vice-Presidente da Federação de Canoagem de Mato Grosso do Sul;
Ex-Professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA);
Ex-Pesquisador do Departamento de Educação e Cultura do Exército (DECEx);
Ex-Presidente do Instituto dos Docentes do Magistério Militar – RS (IDMM – RS);
Ex-Membro do 4° Grupamento de Engenharia do Comando Militar do Sul (CMS);
Ex-Presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS);
Membro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil – RS (AHIMTB – RS);
Membro do Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul (IHTRGS – RS);

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