Porto Velho (RO) quinta-feira, 23 de maio de 2019
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Gente de Opinião

Hiram Reis e Silva

Os Waimiri-Atroari – Parte V - Sertanista Apoena Meireles


Os Waimiri-Atroari – Parte V - Sertanista Apoena Meireles - Gente de Opinião
Os Waimiri-Atroari – Parte V - Sertanista Apoena Meireles - Gente de Opinião

Florianópolis, SC, 11.03.2019

 

Jornal do Commercio, n° 21.812

Manaus, AM ‒ Sábado, 22.03.1975

Expedição de Apoena Segue Para
Contatos com os Atroari

 

Com uma expedição de vinte homens, entre os quais seis índios Xavante e dois Suruí, o sertanista Apoena Meireles segue hoje para a região onde se encontram os silvícolas Atroari-Waimiri, a fim de com eles estabelecer contatos, dando início à verdadeira fase de pacificação.

 

A informação foi prestada ao Jornal do Comércio pelo Delegado Regional da Fundação Nacional do Índio, Sr. Francisco Mont’Alverne, que a respeito do pseudo ataque sofrido pelo avião que viajava o Presidente do órgão, General de Exército Ismarth de Araújo Oliveira, esclareceu tratar-se de “fantasia”, explicando que a única vez que os índios demonstraram hostilidade atirando flechas, ocorreu há mais de um mês, num voo de reconhecimento de Apoena Meireles.

 

Francisco Mont’Alverne desmente as notícias a esse respeito com um telegrama enviado ontem às 10 horas do Gabinete do Presidente Gen Ex Ismarth, em Roraima, sobre a visita feita à região dos Waimiri-Atroari, nos dias 19 e 20 passados.

 

EXPEDIÇÃO

 

Durante a visita feita ao Abonarí, o Presidente da FUNAI, Gen Ex Ismarth Oliveira, conversou longamente com o sertanista Apoena Meireles, tendo este feito a entrega de um relatório no qual pede a criação do Parque Waimiri-Atroari, entre os Rios Curiaçu, Camanau, Jauaperí e Alalau.

Durante o diálogo de Apoena com o Gen Ex Ismarth Oliveira, este tomou conhecimento dos planos de pacificação a serem adotados pelo sertanista em relação aos índios autores do massacre do Padre Calleri. A iniciativa de Apoena, em restabelecer de imediato os contatos com os índios, foi plenamente aprovado pelo Presidente da FUNAI.

 

ISMARTH VISITA

 

O comunicado enviado ontem à Delegacia Regional da FUNAI da expedição do sertanista Apoena Meireles e da visita do Presidente Ismarth Oliveira aos locais onde aconteceram alguns massacres, inclusive o de Gilberto Pinto Figueredo, assinalado por cruzes rústicas.

Em nenhum momento, fala dos pseudos ataques sofridos pelo avião em que a comitiva viajava. Eis na íntegra o comunicado:

 

[ABONARI] ‒ O sertanista Apoena Meireles a frente de uma turma de 20 homens, entre os quais figuram seis índios Xavante e dois Suruí, inicia no próximo sábado [hoje] uma expedição visando restabelecer contato com os Waimiri-Atroari. Esta iniciativa foi aprovada pelo Presidente da FUNAI após ouvir, no Posto Abonarí, uma completa exposição da sertanista sobre a maneira como vai atuar para conseguir o primeiro encontro com esses índios depois do massacre que vitimou Gilberto Figueredo. O General Ismarth de Araújo Oliveira chegou no dia 19 ao Posso Abonarí após navegar algumas horas de canoa pelo bonito Rio Abonarí, de águas escuras e margeado de abundante vegetação, via preferida dos índios Waimiri-Atroari. Apoena mostrou ao General Ismarth, na sede do posto, cs locais onde verificou-se o massacre de dezembro último, assinalado por cruzes rústicas. O aspecto do Posto e do próprio ambiente naquela parte ao Rio é sombrio e de expectativa, pois acreditam os sertanistas num retorno dos índios, que já estiveram aqui por diversas vezes. À tarde, o Presidente da FUNAI e seus assessores seguiram em veículos cedidos pelo 6° BEC para uma visita ao sub-posto do Alalau, alvo igualmente de ataques anteriores dos índios Waimiri-Atroari. A viagem de 52 quilômetros foi realizada, em parte, de jipes, pela Estrada Manaus-Caracaraí, nesta época lamacenta e com certos trechos intransitáveis, ainda em trabalhos de terraplenagem.

 

A partir do sub-posto Abonarí a comitiva do Presidente da FUNAI seguiu a pé e, mais adiante, entrou numa picada na selva, guiada pelo sertanista Apoena. Não obstante a falta de hábito de caminhar na mata fechada, não foi difícil ao grupo atingir as margens do Rio Alalau atravessando-o por meio de barco. O retorno realizou-se da mesma maneira, mas desta vez diretamente para o acampamento do 6° BEC, onde o Presidente da FUNAI e seus assessores pernoitaram. Ontem [dia 20] pela manhã o General Ismarth Oliveira sobrevoou as aldeias Waimiri-Atroari, ao mesmo tempo em que Apoena Meireles faz a a anotação das mesmas num mapa, como planejamento de sua próxima expedição. As aldeias distantes 25 quilômetros do Posto Alalau, e vários índios foram vistos saindo das malocas para observar o avião. Apoena esclarece que não empregará métodos novos de atração nessa missão junto aos Waimiri-Atroari. Sábado [hoje] rumará para as proximidades das aldeias, levando consigo vários brindes e armará o seu tapiri. Inicialmente o sertanista vai demorar-se por 10 dias no acampamento nas proximidades das aldeias, regressando posteriormente para empreender nova excursão."

 

Segundo o comunicado, Apoena Meireles, não fez prognósticos sobre quando restabelecerá contato com os silvícolas.

 

OS TRATORES

 

A respeito dos tratores destruídos, esclareceu o sr. Mont'Alverne que quando ocorreu o massacre de Gilberto Pinto Figueredo, em dezembro do ano passado, houve, logo a seguir, evacuação do pessoal que se encontrava trabalhando naquela área. As máquinas, então, foram abandonadas, do que se aproveitaram os silvícolas para danificá-las. O mesmo aconteceu com o teto de alguns barracos que tiveram o zinco perfurado por flechas. (JORNAL DO COMMERCIO, N° 21.812)

 

Jornal do Commercio, n° 21.968

Manaus, AM ‒ Terça-feira, 30.09.1975

Nenhum Atroari Apareceu

 

A expedição do sertanista Apoena Meireles, encarregada de promover a pacificação dos índios Waimiri-Atroari até o momento ainda não conseguiu ver sequer um silvícola nas proximidades do local onde o 6° BEC faz o desmatamento para a BR-174. Ao que parece os índios estão fugindo cada vez mais ao contato com os brancos, dificultando os trabalhos de reaproximação do grupo. As notícias sobre a expedição são escassas, embora o sertanista Apoena faça diariamente um relatório à Divisão do Norte [da COAMA] em Manaus, chefiada pelo Major Saul Lopes de Carvalho, ao contrário do que ocorria anteriormente, com as notícias indo à Brasília. (JORNAL DO COMMERCIO, N° 21.968)

 

Jornal O Globo ‒ Rio de Janeiro, RJ

Segunda-feira, 04.04.1977

De Manaus a Boa Vista,
Pelo Território dos Índios

 

Na Margem do Rio, Local de dois Massacres

 

No trecho indígena a estrada tem o melhor piso de todo o percurso, talvez intencionalmente, para evitar acidentes que poderiam provocar encontros entre brancos e índios. É também um dos trechos mais bonitos, com a floresta cerrada e Igarapés de águas limpas visíveis da pista. Às 13h00, o ônibus chega ao Rio Alalau. É um Rio típico da região amazônica: superfície calma, disfarçando a corrente que desce por uma cachoeira avistada ao longe; margens cobertas de vegetação, com árvores esguias e altas que disputam um pouco de Sol, no alto de suas copas.

 

Aqui, em 17.01.1973, os Waimiri-Atroari massacraram a golpes de borduna e terçado três funcionários da FUNAI, Rafael Padilha, Ernesto Nascimento de Aguiar e Altamir Aguiar. Em 02.10.1974, eles voltaram a atacar, matando mais seis funcionários da Fundação. Um sobrevivente relatou a seus superiores o que acontecera no Posto.

 

Sua história contribuiu para aumentar o desconcerto dos sertanistas em relação aos Waimiri-Atroari. Ela também confirma o caráter de “verdadeiros guerrilheiros” que o sertanista Apoena Meirelles atribui aos índios da Amazônia ‒ Waimiri-Atroari. Na manhã do dia 1° de outubro o sobrevivente Adão Vasconcellos recebeu, com mais seis companheiros que estavam no Posto do Alalau, a visita de 13 Waimiri-Atroari, chefiados pelo Capitão Comprido. Eles pediram presentes e os receberam.

À noite Adão notou que os cartuchos de sua espingarda de caça tinham sido retirados. Um companheiro disse a ele que Comprido estivera em seu alojamento durante a tarde. Na manhã seguinte um dos índios aproximou-se dele e começou a alisar-lhe os cabelos. Era o sinal para o ataque. O próprio Adão levou um golpe de facão que lhe quebrou um braço, enquanto via seus colegas serem atacados. O cozinheiro teve a cabeça decepada por um grupo de índios jovens. Adão conta que correu e mergulhou no Rio Alalau, enquanto os índios disparavam flechas da margem. O Capitão Comprido ainda o alcançou com uma canoa, mas quando ia matá-lo, Adão, lembrando da amizade do Cacique com o Chefe do Posto, Gilberto Pinto de Figueiredo, gritou para o índio: “Papai Gilberto”. A palavra, segundo Adão, teve um efeito mágico sobre Comprido, que o deixou no Rio e dirigiu a canoa até a margem, onde desferiu o golpe de misericórdia em um dos colegas de Adão, que também ferido, tentava fugir. Três meses depois, estranhamente, Comprido chefiou, com o Cacique Maroaga, o massacre em que o próprio Gilberto Figueiredo – “o Papai Gilberto” que os Waimiri-Atroari pareciam adorar – foi trucidado com mais três companheiros no Posto Abonarí II.

 

Para cruzar o Alalau, local destes dois massacres, os passageiros, que são conduzidos com tantos cuidados até este ponto da viagem, abandonam o ônibus e embarcam na balsacontrolada por um grupo de sete homens a serviço do 6° BEC. No caso do ônibus da SOLTUR do dia 30 de março passado, os passageiros chegaram a cruzar o Rio com outros carros, enquanto o ônibus esperava uma nova viagem da balsa.

 

No Posto dos Balseiros, Fuzis Mauser

 

Foi a este local que, na noite do dia 24 de março passado, chegaram cerca de 120 Waimiri-Atroari. O funcionário que comanda a operação da balsa tem a resposta esperada para a pergunta sobre a visita dos índios:

 

−  Eles só queriam brindes.

 

Mas o responsável pela cozinha, que os companheiros chamam de João do Rancho, tem uma história melhor para os curiosos:

 

−  Eles estavam a fim de matar a gente − garante ele − vieram com uma história de criança morta na cachoeira para levar a gente para longe da base e do Posto da FUNAI [que fica a 300 m da balsa]. Os primeiros que chegaram eram poucos e estavam desarmados. Mas a gente descobriu que estava cheio de índios e que as flechas e os arcos estavam todos ali na beira do Rio.

 

João do Rancho exibe com orgulho seu companheiro inseparável, encostado ao fogão: um fuzil Mauser, militar. Com a culatra aberta, apoiada a uma das traves do galpão que serve de cozinha, está uma espingarda de caça. O Posto dos balseiros fica sobre estacas, com o assoalho bem acima do chão. Entra-se no Posto por um alçapão que se alcança por uma estaca móvel, para ser retirada à noite. No telhado do Posto uma placa: “Bem-vindo a Roraima”. Enquanto os balseiros tratam de atravessar o ônibus, João do Rancho aproveita a plateia interessada para mostrar sua valentia:

 

−  Comigo não tem conversa com índio. Ainda mais que a FUNAI não nos deixa fazer negócio com os passarinhos que eles tentam trocar aqui. Eles nos chamam de marupá e de peruanos quando falam com os funcionários da FUNAI. E por isso que a gente tem que manter essa bichinha aqui [aponta para o fuzil Mauser].

 

João do Rancho talvez não conheça a história do último diálogo que o Padre João Calleri teve com os Waimiri-Atroari antes de ser trucidado com nove componentes de sua Expedição ao Posto indígena do Rio Camanau, em 30.11.1968. Segundo o único sobrevivente do massacre, o Padre Calleri viu índios tirando colheres do acampamento. De surpresa, o Padre Calleri agarrou um índio e lhe disse:

 

−  Aqui Padre Marupá. Espingarda pô! [imitando o ruído de um tiro]. Índio morre.

 

Os índios abandonaram o acampamento e voltaram no dia seguinte para dizimar a Expedição, com exceção de Álvaro Paulo da Silva, que pressentiu o perigo dos métodos do Padre e abandonou o acamamento. [...] (JORNAL O GLOBO, 04.04.1977)

 

Jornal do Commercio, n° 22.432

Manaus, AM ‒ Domingo, 10.04.1977

Waimiri-Atroari perguntaram pelo
“Papai Grande” (Presidente Geisel)

Índios Reaparecem na BR-174
sem Arco e sem Flecha em Missão de Paz

 

A existência de branco entre os índios Waimiri-Atroari, continua sendo afirmada por elementos que trabalham na Rodovia BR-174, confirmando o que disse Adão Vasconcelos, um dos sobreviventes do massacre do Posto Indígena de Atração Alalau, que no seu depoimento salientou que:

 

Cansei de ir na Aldeia deles com Gilberto e sempre fomos recebidos com muita alegria. A única coisa que não podíamos fazer era entrar em certas malocas. Creio que havia algum branco escondido nela, pois sempre ficavam dois índios na porta para impedir a entrada dos elementos da FUNAI, que só podiam permanecer no terreiro da Aldeia.

 

Antes da inauguração da Rodovia BR-174, um grupo de índios reapareceu nos acampamentos do 6° BEC e da FUNAI. No dia da inauguração conversei com várias pessoas a respeito da presença dos silvícolas.

 

PAPAI GRANDE

 

Um mecânico, cujo nome pediu-me que não revelasse com quem conversei bastante tempo fez revelações que chegaram a me surpreender.

Na última visita, conforme narrou, os índios perguntaram pelo “Papai Grande”, o qual veria a ser o Presidente da República Ernesto Geisel que inauguraria a Rodovia BR-174.

 

O mecânico trabalha há quatro anos na Rodovia BR-174 e durante esse tempo, ele próprio conversou com os índios, chegando mesmo a fazer trocas, nas quais sempre:

 

Eles levam vantagem. O mais difícil é entender o que falam, no entanto, aprendem com facilidade o que a gente diz. Eles repetem certo.

 

As palavras mais comuns que os índios dizem aos brancos durante os encontros são marupá que é homem mau; maré-bom”, que é amigo e non que é não.

 

Para confirmar a possível existência de branco entre os índios Waimiri-Atroari, eles estão levando açúcar e sal. E como eles souberam da vinda do Presidente da República, chegaram perguntando “Papai Grande”.

 

VISITAS

 

O sertanista Otávio Pinheiro Cangussú, é outro que acredita haver dedo de branco no meio dos ataques dos Waimiri-Atroari.

 

No seu depoimento diz que “os massacres não totalmente fora da ética e do padrão usado comumente pelos indos”. Explicou que os índios ao trazerem suas mulheres e crianças dão provas de confiar nos brancos.

O mecânico me confirmou que de fato, os índios sempre trazem suas mulheres e crianças quando visitam os postos:

 

Eles quando visitam os postos, trazem carne moqueada, pupunhas cozidas e cruas, mandioca, cana-caiana, biju. As mulheres trazem os paneiros nas costas com bananas, abacaxis, para trocarem. Elas usam cabelos curtos e as vezes vem vestidas, quando não, usam proteção no sexo, feito por elas mesmo. Os homens costumam vir nus e trocam seus arcos e flechas por calças, camisas, calções, camisetas. Quando encontram um branco barbado e cabeludo, eles agarram e puxam.

 

Quando chegam, os índios Waimiri-Atroari sempre procuram contatar com os homens do 6° BEC, que os tratam bem procurando trocar objetos pelo que trazem. Os funcionários da FUNAI procuram evitar maiores contatos.

 

No posto do Alalau, os funcionários da FUNAI estão sempre de prontidão para receberem a visita aos índios. É mantido um mateiro de plantão na trilha onde sempre saem os índios, o qual dá o aviso. A farmácia permanece sempre aberta com bom estoque de remédios para atender aos silvícolas doentes.

 

Quando os funcionários da FUNAI ou do 6° BEC fornecem açúcar aos índios eles abrem e comem ficando todos sujos e lambuzados. Já o sal, eles levam para a aldeia, juntamente com as panelas, terçados, facões. Com estes fazem pontas de flechas e das lanças para pescarem e caçarem. As lanças sempre são de cerca de dois metros e a ponta de uns 30 centímetros.

Imagem 01 ‒ Jornal do Commercio ‒ n° 22.432, 10.04.1977

 

MARUAGA E COMPRIDO

 

Segundo ainda O mecânico a população Waimiri-Atroari possui dois chefes. Maruaga, chefia os Atroari enquanto o Capitão Comprido, os Waimiri.

Quem já viu ambos, faz-me comentários dos mais diversos das personalidades de cada um. Maruaga, por exemplo, possui feição de que não é mau.

 

Na última visita que fez, o Capitão Comprido trouxe dois filhos. Um de 13/14 anos e outro já rapaz, que por sinal, tem feições de branco, principalmente por ser claro”, revela o mecânico que por medida de segurança teve seu nome ausente da reportagem.

 

O atual chefe da equipe de atração da tribo Waimiri-Atroari, Sebastião Firmo, é de opinião que a causa do massacre praticado pelos índios contra Gilberto Pinto de Figueredo Costa, em 1974, seria uma discórdia entre os capitães Comprido e Maruaga. Explicou que o Cacique Comprido matou um filho de Maruaga, numa luta intertribal e por este motivo os dois se tornaram inimigos. Como Gilberto era muito mais ligado a Maruaga, e prevendo a queda do seu prestígio junto ao grupo tribal, Comprido procurou se unir novamente a Maruaga, e juntos realizaram o massacre no dia 29 de dezembro.

 

Paulino Rondon, atualmente no Posto Indígena Abonarí II, conhece toda a região habitada pelos Waimiri-Atroari, pois foi um dos primeiros a integrar a equipe de Gilberto Pinto em 1957. Paulino era um dos homens de confiança do sertanista e sempre o acompanhava quando visitava às Aldeias Waimiri-Atroari e disse no seu depoimento para a FUNAI:

 

Visitei inúmeras Aldeias com o “seu” Gilberto mas os índios nunca permitiam visitarmos todas as malocas. Em algumas eles imediatamente barravam a nossa entrada, não sei explicar porque. Isso vem comprovar a possível existência de algum branco entre os índios que permanece escondido com a presença de civilizados. Embora tenha vindo de muito tempo, o pouco contato, com os brancos, os Waimiri-Atroari dão claramente a entender que existe algum estranho na tribo, não só pelo uso de açúcar, sal, bem como da plantação que fazem como de banana, abacaxi, cana, mandioca e pupunha. Eles estão, até mesmo, já cozinhando sua alimentação, pois, sempre que visitam os Postos, levam panelas. E se pergunta: quem teria ensinado tudo, isso aos índios? Quem ensinou a chamarPapai Grande”, ao Presidente da República? Como eles saberiam da presença do Ministro dos Transportes, com o qual tiveram um encontro?

 

O mecânico é outro que crê na existência de branco entre os Waimiri-Atroari:

 

Logo que eles aparecem não deixaram que a gente os fotografassem. Aos poucos foram permitindo, escondendo o rosto. Agora não, quando se quer fotografá-lo basta um ficar conversando para outro agir.

 

Conta mais, que quando Gilberto estava vivo e à frente dos trabalhos de proteção na construção da Rodovia BR-174, os índios deram demonstração de hostilidade, deixando flechas cruzadas nas “picadas” ou então, um animal morto com as flechas. Mesmo assim Gilberto, nunca teve receio ou medo, indo aos encontros marcados até que foi morto, mesmo sendo clamado de “papai”.

 

NOVE MESES

 

Os índios Waimiri-Atroari depois do último massacre, no dia 29.12.1974, passaram nove meses sem manterem contatos com os brancos. Eles abandonaram mesmo algumas malocas e somente em setembro do ano seguinte foi que reapareceram na rodovia BR-174, e permaneceram calmos procurando manter contatos constantes com os funcionários da FUNAI e integrantes do 6° BEC de forma hospitaleira. Fazendo trocas ou mesmo procurando remédios.

 

Tiago Coelho da Silva, que escapou ao ataque dos Waimiri-Atroari ao Posto indígena do Rio Camanau, em dezembro de 1946, diz que se encontrava sentado à mesa, onde tomava café, quando teve início o massacre. Ao iniciá-lo, um “índio barbado” gritoulá vai flecha em português.

 

Afirma que nos dias anteriores, os Waimiri-Atroari haviam mantido atitude de cordialidade, mas, que o “índio barbado” mantinha-se calado falando na gíria da língua indígena.

 

Declarou ainda que o grupo era chefiado por este “índio barbado".

 

Outro importante depoimento a respeito da presença de branco entre os índios Waimiri-Atroari é, de dona Cândida Pastana de Carvalho. Ela, também, não soube a que atribuir a brusca atitude dos índios visto que todos mostravam-se amigos do pessoal do posto, inclusive haviam até dançado no terreiro com o seu marido Luiz Antônio de Carvalho. A presença do “índio barbado” é assim narrada por D. Cândida:

 

Os índios eram chefiados por um barbado, embora entre eles estivesse um Tuchaua Maruaga ‒ pois os índios nada decidiam sem o consentimento doíndio barbado”, inclusive troca de objetos. Quando se dirigia a ela fazia-o em português, às vezes misturado com a gíria, sendo ele o mais calmo de todos, procurando sempre manter-se calado e afastado, observando todos os pormenores

 

Afirma ainda D. Cândida que “índio barbado”, quando das visitas nos dias anteriores, trouxe sua família, constituída de mulher e três filhos, entre os quais, uma mocinha de “feições delicadas”.

 

NOVA TRIBO

 

Nova Tribo apareceu recentemente no Rio Alalau desconhecida dos funcionários da FUNAI e do 6° BEC, que já estão se acostumando com a presença dos Waimiri-Atroari. Segundo o mecânico, tudo foi de surpresa:

 

Surgiu no Rio Alalau, um grupo de índios, sob o comando do Capitão Abonarí. Eles então pediram “tinta” [remédio], para um menino que havia recebido um corte. Era filho do Capitão Abonarí. A linguagem deles é diferente e são mais entendidos do que os Waimiri-Atroari.

 

Eles chegaram chamando a gente de “colombianos” vestidos de calções, os quais estavam bastante sujos. Eles passaram 4 a 5 dias no Posto da FUNAI. Presume-se que esse grupo tribal já tenha mantido contatos com brancos e que não foram brasileiros. A linguagem deles era meio enrolada.

 

Esse acontecimento foi guardado paios funcionários da FUNAI só que o mecânico que presenciou o surgimento dos índios chefiado pelo Capitão Abonarí, desconhecendo a região que habitam.

 

Pelos contatos que estão sendo mantidos, acreditasse que muito em breve, os Waimiri-Atroari aceitem a presença do branco como amigo e possam se integrar à civilização. (JORNAL DO COMMERCIO, N° 22.432)

 

Revista Manchete, n° 1.657

Rio de Janeiro, RJ ‒ Sábado, 21.01.1984

Há Doze Anos, eles Eram 3 mil.
Hoje, Restam uns 400, Espalhados Pelas Aldeias

 

M

as em todos os postos da FUNAI também existe um quadro com a fotografia do Presidente da República, a quem os índios já aprenderam a identificar como “Papai Grande João”. E o ronco do caminhão solitário rompendo as últimas horas da madrugada é um indício incontestável de uma realidade mais pacífica. O dia amanhece enevoado. Da guarita sobre uma torre de madeira, no Núcleo de Apoio Waimiri-Atroari [NAWA], da FUNAI, no quilômetro 255, a visibilidade é quase nenhuma. Uma bruma esbranquiçada encobre a estrada e a mata, dando-lhes uma dimensão quase mágica.

 

Um espetáculo bonito, mas que reflete lembranças aterradoras. O dia 29.12.1974 amanhecera com essa mesma névoa, que se estendia sobre as águas do Santo Antônio do Abonarí, quando o sertanista Gilberto Pinto e três servidores da FUNAI foram mortos a flechadas no posto de atração construído na margem direita do Rio. Era o quarto massacre naquele ano dos arredios Waimiri-Atroari contra os brancos que insistiam em amansá-los. O ataque indígena, divulgado na imprensa nacional e internacional, acentuava o seu estigma de índios selvagens e assassinos. O New York Times publicou uma reportagem abordando o comportamento espantoso daquele povo primitivo que se rebelava contra seus pacificadores e aterrorizava peões e soldados do Sexto Batalhão de Engenharia de Construção do Exército Brasileiro, que construíam a rodovia invasora cortando o habitat dos ferozes e imprevisíveis Waimiri-Atroari.

 

Era uma barra. Após o ataque ao Posto de Atração no Rio Alalau em outubro de 1974, comandantes militares e antigos dirigentes regionais da FUNAI da Amazônia se reuniram no acampamento do 6° BEC, no Km 220, e baixaram algumas normas de segurança para garantir a continuidade dos trabalhos de implantação da estrada. Caso houvesse visitas dos índios, por exemplo, deveriam ser realizadas “pequenas demonstrações de força”, mostrando os efeitos de uma rajada de metralhadora, de granadas defensivas e da destruição pelo uso de dinamite. A reunião foi em novembro. Um mês depois, o experiente e respeitado Papai Gilberto, sertanista antigo por quem os Waimiri-Atroari tinham amizade e carinho, estava morto ‒ vítima do massacre no Abonarí. Foi a última vez que os índios atacaram. A rodovia Manaus-Caracaraí-Boa Vista, que ligaria o Brasil à Venezuela, era inaugurada a 06.04.1977.

 

No início do trecho que corta a área indígena há um monumento, uma pedra enorme com duas placas. Lá estão gravados os nomes dos 24 homens e das duas mulheres [da expedição Padre Calleri ‒ 1968]. Uma homenagem aos que perderam a vida pacificando os índios rebeldes. [...] O jovem Capitão, do 6° BEC, Hiram Reis e Silva, acredita que os tempos mudaram:

 

Hoje existe uma integração muito grande entre os Waimiri-Atroari, o Exército e a FUNAI. Voltar ao passado para consertar as coisas é impossível. Houve erros imperdoáveis, houve excessos ([1]), houve matança. Importa o que se pode fazer agora: dar assistência médica, apoio humano e tratar com respeito os índios.

 

A FUNAI é convocada para atuar como frente de atração em áreas indígenas não contatadas, em torno de cinco tópicos: mineração, hidrelétrica, estrada, colonização e polo agropecuário. A reserva Waimiri-Atroari foi atingida pelos cinco. Ainda não se sabe como será resolvido o problema da inundação de uma parte de suas terras, na ocasião do fechamento das comportas da represa da hidrelétrica Balbina, para formação do Lago, em 1987. O chefe da frente de atração na área, o técnico indigenista Moiseniel Barbosa, explica que a fase atual é de consolidação de contato.

 

Esse trabalho já está bem sedimentado, não acredito que haja possibilidade de uma retroação com referência ao clima de segurança. Os Waimiri-Atroari estão mais receptivos e aceitando espontaneamente os costumes dos civilizados. Eles são muito inteligentes, é nítido que desejam conquistar uma certa igualdade de condições em relação aos brancos.

 

Na verdade, a FUNAI nunca se dedicou com tanto cuidado a um grupo indígena como atualmente aos Waimiri-Atroari. São 57 servidores distribuídos nos oito postos existentes dentro dos 1.850.000 hectares que correspondem à área interditada temporariamente como “Terra Presumível Indígena Waimiri-Atroari”. Sem interferir diretamente no comportamento dos índios, os indigenistas procuram influenciá-los através do exemplo, como nos hábitos básicos de higiene, alimentação mais nutritiva, cultivo de pomar, criação de galinhas, porcos e carneiros.

 

Assim, os índios usam roupas sabendo que é necessário lavá-las com sabão. Estão fortes e bonitos e até agora não adquiriram maus costumes civilizados. Não bebem, não fumam, não mexem nem tiram nada da bagagem de ninguém. Curiosos, observadores procuram apenas saber para que serve e como funciona tudo. Poucos já falam português, os que sabem servem de intérpretes. Desconhecem o valor do dinheiro e não têm acesso às armas de fogo. São meigos e extremamente altivos. Mas, nos olhos amendoados, ainda há vestígios de desconfiança. (REVISTA MANCHETE, N° 1.657)

Revista Manchete, n° 1.935

Rio de Janeiro, RJ ‒ Sábado, 20.05.1989

Balbina é Irreversível.
E o Brasil já Pensa no Terceiro Milênio

 

[...] No caso de Balbina, a reserva dos índios Waimiri-Atroari foi que sofreu com a barragem. A terça parte dessa nação teve que ser transferida para outra área, pois o Lago atingiu todo o Sudeste de seu território, onde ficavam as aldeias Taquari e Tapupunã. A primeira foi alagada e a outra precisou ser remanejada porque a cabeceira do Rio Uatumã, que fornecia água e pescado para os silvícolas, ficou contaminada.

 

No entanto, os Waimiri-Atroari tiveram melhor sorte do que os caboclos ribeirinhos. Foi dada, aparentemente, uma atenção maior aos índios e estes, de um modo geral, se mostram satisfeitos. A partir do final da década de 60, com o início da construção da BR-174 [Manaus-Boa Vista], que cortou a reserva ao meio, os choques e a decadência desses índios começaram. A população, estimada, na época, em 3.000 pessoas, foi reduzida por epidemias e atritos que chegaram a extinguir aldeias inteiras.

 

D

iante desses fatores foi criado o Programa Waimiri-Atroari, custeado pela ELETRONORTE e gerenciada pela FUNAI, que estabelece uma linha de ações de assistência e apoio às comunidades indígenas, afetadas direta ou indiretamente pela construção da usina, nos próximos 25 anos. A base do programa é criar alternativas para a sobrevivência dos índios e minimizar os efeitos do impacto ambiental.

 

A ELETRONORTE faz questão de esclarecer que foram os próprios líderes das aldeias deslocadas que escolheram os novos locais de moradia. E mais: que a empresa indenizou os índios pelos serviços das novas roças, com base na área utilizada para plantações das antigas aldeias. Esse montante foi depositado em caderneta de poupança para cada uma comunidade: 442.500 cruzados novos para Tapupunã, que agora se chama Sumauma, com uma população total de 35 índios; e 1.250.000 cruzados novos para Taquari, atual Manauma com 72 pessoas. Mas, há quem discorde do programa. É o caso de Egydio Schwade, membro do MAREWA ‒ Movimento de Apoio à Resistência Waimiri-Atroari. Para ele, a transferência obrigatória dos indígenas de suas terras, além de violentar suas relações com o meio-ambiente, pode desencadear, também, uma espécie de desordem social motivada por um longo período de readaptação à nova área.

 

O que tem agradado mais aos índios nessa história toda é o atendimento médico constante que vêm recebendo da ELETRONORTE, em convênio com o Hospital de Medicina Tropical. Existem registros de que uma epidemia de sarampo chegou a matar 21 índios de uma só vez em 1981. “Meu povo quer viver em paz, com saúde e com terra, e isso nós conseguimos”, fala Tomás, o principal líder da aldeia Manauma. “Balbina matou sim, mas é pau”, completa o índio, referindo-se à floresta alagada. De acordo com o sertanista e gerente do Programa Waimiri-Atroari, Raimundo Nonato Correia, a população dessa reserva em 1986 era de 397 pessoas. Hoje, cresceu para 446.

 

E

sses dados não são suficientes para convencer alguns indigenistas e ecologistas da boa intenção da ELETRONORTE/FUNAI. Francisco Guinter é um dos que acham isso tudo uma agressão à cultura indígena. Ele afirma: “Até que ponto, em nome do progresso, homens podem se apropriar de terras que têm dono e mexer com toda uma tradição milenar de uma raça, só porque pode pagar, indenizar, ressarcir os prejudicados por isso? Será que não existiria outra forma de desenvolver o país sem ser preciso destruir tantas coisas?

 

Para o presidente do INPA, o biólogo e economista Herbert Schubart, uma forma de minimizar o impacto ambiental causado pelas grandes hidrelétricas seria substitui-las por uma série de represas menores: “É uma alternativa que pode causar menos danos no seu conjunto, mas, também, custará bem mais caro”. Outros cientistas entendem que seria menos desastrosa uma termelétrica alimentada a lenha ou a construção de um gasoduto, ligando o campo de Juruá a Manaus, ou ainda a construção de linhas de transmissão desde Tucuruí. [...] (REVISTA MANCHETE, N° 1.935)

 

Estado Ilhado

 

O fechamento da BR-174 prejudica, sensivelmente, o Estado de Roraima. O Estado fica ilhado à noite, via terrestre, porque a reserva, cortada pela BR-174, única rodovia que liga Roraima ao resto do Brasil, fecha às 18h00 e só reabre às 06h00. O Estado de Roraima está lutando na Justiça para desbloquear a BR e liberar o tráfego 24 horas por dia.

 

Se tudo o que há é Mentira

(Fernando Pessoa)

Se tudo o que há é mentira

É mentira tudo o que há.

De nada nada se tira,

A nada nada se dá.

 

Se tanto faz que eu suponha

Uma coisa ou não com fé,

Suponho-a se ela é risonha,

Se não é, suponho que é.

 

Que o grande jeito da vida

É pôr a vida com jeito.

Fana a rosa não colhida

Como a rosa posta ao peito.

 

Mais vale é o mais valer,

Que o resto urtigas o cobrem

E só se cumpra o dever

Para que as palavras sobrem.

 

 

Fontes:

 

JORNAL DO COMMERCIO, N° 21.812. Expedição de Apoena Segue Para Contatos com os Atroari ‒ Brasil ‒ Manaus, AM ‒ Jornal do Commercio, n° 21.812, - 22.03.1975.

 

JORNAL DO COMMERCIO, N° 21.968. Nenhum Atroari Apareceu ‒ Brasil ‒ Manaus, AM ‒ Jornal do Commercio, n° 21.968, 30.09.1975.

 

JORNAL DO COMMERCIO, N° 22.432. Índios Aparecem na BR-174 sem Arco e sem Flecha em Missão de Paz ‒ Brasil ‒ Manaus, AM ‒ Jornal do Commercio, n° 21.432, 10.04.1977.

 

JORNAL O GLOBO, 04.04.1977. De Manaus a Boa Vista, pelo Território dos Índios ‒ Brasil ‒ Rio de Janeiro, RJ ‒ Jornal o Globo, 04.04.1977.

 

REVISTA MANCHETE, N° 1.657. Há Doze Anos, eles Eram 3 mil. Hoje, Restam uns 400, Espalhados Pelas Aldeias ‒ Brasil ‒ Rio de Janeiro, RJ ‒ Revista Manchete, n° 1.657, 21.01.1984.

 

REVISTA MANCHETE, N° 1.935. Balbina é Irreversível. E o Brasil já Pensa no Terceiro Milênio ‒ Brasil ‒ Rio de Janeiro, RJ ‒ Revista Manchete, n° 1.935, 20.05.1989.

 

 

Solicito publicação:

 

(*) Hiram Reis e Silva é Canoeiro, Coronel de Engenharia, Analista de Sistemas, Professor, Palestrante, Historiador, Escritor e Colunista;

Campeão do II Circuito de Canoagem do Mato Grosso do Sul (1989)

Ex-Professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA);

Ex-Pesquisador do Departamento de Educação e Cultura do Exército (DECEx);

Ex-Presidente do Instituto dos Docentes do Magistério Militar – RS (IDMM – RS);

Membro do 4° Grupamento de Engenharia do Comando Militar do Sul (CMS)

Presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS);

Membro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil – RS (AHIMTB – RS);

Membro do Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul (IHTRGS – RS);

Membro da Academia de Letras do Estado de Rondônia (ACLER – RO)

Membro da Academia Vilhenense de Letras (AVL – RO);

Comendador da Academia Maçônica de Letras do Rio Grande do Sul (AMLERS)

Colaborador Emérito da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG).

Colaborador Emérito da Liga de Defesa Nacional (LDN).

E-mail: hiramrsilva@gmail.com;

Blog: desafiandooriomar.blogspot.com.br



[1]    Por parte dos nativos.

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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