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Hiram Reis e Silva

A Terceira Margem – Parte CCXVII - Navegando o Tapajós ‒ Parte XXI - Aveiros, PA


Sítio dos Sonhos - Aveiro, PA - Gente de Opinião
Sítio dos Sonhos - Aveiro, PA

Bagé, 17.05.2021

 

Navegando o Tapajós ‒ Parte XXI

 

Aveiros, PA

 

Os Rios que eu encontro vão seguindo comigo.
Rios são de água pouca, em que a água sempre está por um fio. Cortados no verão que faz secar todos os Rios.
Rios todos com nome e que abraço como a amigos.
Uns com nome de gente, outros com nome de bicho, uns com nome de santo, muitos só com apelido.
(Rios – João Cabral de Melo Neto)

 

A Aveiro portuguesa, de quem a cidade Paraense herda o nome, é conhecida atualmente como a “Veneza de Portugal” mas, anteriormente, era denominada de “Nova Bragança”, capital do Distrito de Aveiro, na Região Centro e pertencente à sub-região do Baixo Vouga.

 

Sítio dos Sonhos

 

De manhã, visitamos o “Sítio dos sonhos” administrado por um amigo da família do Marçal, o Sr. Júlio. Um homem determinado e empreendedor que construiu, com carrinho de mão, uma enorme taipa na beira da praia para criar Tambaquis (Colossoma macropomum), também chamado de Pacu Vermelho, e cercou o entorno com majestosos buritizeiros. O aspecto mais curioso de sua ciclópica empreitada é que, embora alguns especialistas afirmem que o Tambaqui não se reproduza em cativeiro, o Sr. Júlio, como tantos outros piscicultores, vem conseguindo que os mesmos o façam naturalmente no seu pequeno lago artificial.

 

Os animais são alimentados com as frutinhas do variado pomar plantado por ele. Além de uma área de acampamento para visitantes, ele está preparando algumas canchas para prática de esportes. Vale a pena visitar e conhecer este belo local que fica a poucos quilômetros a jusante de Aveiro.

 

Amazônicas coincidências

 

Encontramos no Hotel Tapajós o Sr. Emanuel de Oliveira Duda, um desbravador indomável que encon­tráramos, no dia 17.12.2012, na Escola Ernestina Rodrigues Ferreira, Foz do Breu, AC, fronteira peruana. Técnico da empresa OI, o Emanuel é um itinerante que perambula pelos ermos sem fim a instalar orelhões de sua provedora. Ele acompanhou-nos num rápido passeio pela cidade que foi concluído com uma visita à casa do Marçal onde conhecemos sua simpática progenitora. O Emanuel tem uma filha encantadora chamada Gabriele Neves Duda que lhe escreveu uma comovente carta, que ele carrega sempre consigo, capaz de emocionar os corações mais empedernidos. Conhecemos, na oportunidade, dois integrantes do famigerado “Programa mais Médicos” os cubanos Manuel Trinchet Hernández e a Drª Marbelis Ramírez Muñoz que tinham sido alocados em Aveiros, desde 28.08.2013. Ela uma médica, sem sombra de dúvidas, ele, certamente membro do partido que ali estava para fiscalizar as ações da sua parceira.

 

O Marçal apresentou-nos o Sr. Antônio Felipe Santiago Neto dono do Restaurante e Hotel Mirante do Pôr do Sol onde fizemos as refeições e pudemos enviar nossas imagens pelo “face” e reportar o artigo de nossa jornada desde Itaituba até Aveiro.

 

Política

(Felisbelo Sussuarana)

 

Dois filhos tem Miguel José Veludo

Que gêmeos são, nascidos faz um ano;

Um, pobrezinho, veio ao mundo – mudo;

O outro, coitado, é surdo como um cano. [...]

 

Ontem me disse: – Sabes, meu amigo?

Eu, que a doutrina modernista sigo,

Um grande plano tenho, alevantado:

Fazer dos dois meninos, com perícia,

Quando formados – Chefe de Polícia

O surdo... E o mudo? – O mudo, Deputado.

Longe de Ti

(Felisbelo Jaguar Sussuarana [1])

Hoje estou triste e pesaroso e, certo,

Este pesar agora me acabrunha ([2]).

Longe de ti vegeto num deserto,

Só tendo minha dor por testemunha.

 

É que, formosa, quando vives perto

Do teu cantor que versos te rascunha,

É meu viver, florindo, um céu aberto:

Morre a saudade, morre a caramunha ([3]).

 

É que não posso mais sem teu carinho

Passar nestas – da vida transitória –

Ondas revoltas de perigo cheias.

 

É que, se longe estás do nosso ninho,

Eu sou forçado – que dorida história! –

A remendar, que jeito, as minhas meias.

 

 

Solicito Publicação

 

(*) Hiram Reis e Silva é Canoeiro, Coronel de Engenharia, Analista de Sistemas, Professor, Palestrante, Historiador, Escritor e Colunista;

 

·      Campeão do II Circuito de Canoagem do Mato Grosso do Sul (1989)

·      Ex-Professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA) (2000 a 2012);

·      Ex-Pesquisador do Departamento de Educação e Cultura do Exército (DECEx);

·      Ex-Presidente do Instituto dos Docentes do Magistério Militar – RS (IDMM – RS);

·      Ex-Membro do 4° Grupamento de Engenharia do Comando Militar do Sul (CMS)

·      Presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS);

·      Membro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil – RS (AHIMTB – RS);

·      Membro do Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul (IHTRGS – RS);

·      Membro da Academia de Letras do Estado de Rondônia (ACLER – RO)

·      Membro da Academia Vilhenense de Letras (AVL – RO);

·      Comendador da Academia Maçônica de Letras do Rio Grande do Sul (AMLERS)

·      Colaborador Emérito da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG).

·      Colaborador Emérito da Liga de Defesa Nacional (LDN).

·      E-mail: [email protected].



[1]    Felisbelo Jaguar Sussuarana

(Por ele Mesmo)

Meu nome é Felisbelo, um nome raro

Que muito diz e não revela tudo;

Mas, por capricho do destino rudo,

Belo não sou nem sou feliz, é claro…

    

     “Embora não tenha intenção de trocadilhar, direi que Felisbelo Sussuarana foi um poeta de raça que se perdeu na roça. Se tivesse vivido em meio mais adiantado, os conterrâneos teriam orgulho de ver seu nome nas antologias nacionais. […] Lamentável não tivesse o escritor mocorongo um parente, um amigo ou um conterrâneo de recursos que tomasse a peito reunir em volumes, arrancando-a do olvido e da destruição total, a fabulosa produção de Felisbelo, que ainda rola pelas páginas esfrangalhadas de antigos jornais, comida das traças, roída das baratas e delida da ação do tempo… Lamentável e triste para a tradição cultural de nossa terra…” (RODRIGUES DOS SANTOS, 1999, p. 410-411).

[2]    Acabrunha: magoa.

[3]    Caramunha: lamúria.

Galeria de Imagens

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