Porto Velho (RO) quinta-feira, 16 de agosto de 2018
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Gente de Opinião

Henrique Nascimento

Conversando sobre Alcoolismo e Drogas (Final)



Chegamos a este artigo final, a respeito de  nossas conversas sobre alcoolismo e drogas. E com ele, já  havíamos  prometido, encerramos esta série que foi iniciada com  Psiquiatria: conceitos & preconceitos, para agora  concluirmos  neste artigo.  Neles procurei opinar de modo didático e criterioso, os mais  variados assuntos, expostos em pouco mais de vinte artigos, neste (www.gentedeopiniao.com.br), que é, reconheçamos, uma  grande e inteligente  sacada do nosso editor Chico Lemos.

O leitor certamente tem o direito de  concordar ou não com o autor destas mal traçadas. Os  comentários feitos ao longo desta série de artigos é, sem favor nenhum, o que penso sobre  estes diversos temas, que foram versados à maneira de despretensiosas conversas, mas, reconheço,  sem a devida  profundidade.

Feitas estas considerações, neste último artigo quero mencionar que  a  velha e boa lei  6368/76 (embora, algo ultrapassada), mais  conhecida como Lei de Tóxicos,  está ou estava a merecer  aperfeiçoamento; o que de fato veio sendo feito já a partir de emendas iniciadas no ano de 2002;  sendo que recentemente foi aprovado Projeto de Lei do Senado Federal, para  sanção/aprovação de Sua Exa.  presidente da República.  

Entre outros avanços, a nova lei antidrogas descriminaliza (apesar de ainda  plagiar o modelo norteamericano, em detrimento do europeu, utilizando-se de juizados especiais) o usuário/dependente, e aumenta a pena do traficante. O leitor interessado encontrará mais detalhes num dos nossos primeiros artigos desta série. Mas, o certo é que a prevenção é cada vez mais a solução possível para a grande problemática das drogas.

E o que é prevenção ao uso indevido de drogas? Ensina o eminente psiquiatra e professor da Escola Paulista de Medicina Dartiu Xavier da Silveira: "é toda e qualquer ação que contribua para que o indivíduo cresça e se desenvolva sem se prejudicar devido ao abuso de uma substância psicotrópica."

Não quero alongar demais o artigo (pois quero informar o leitor sobre os 3 tipos de prevenção), mas basta dizer que grosso modo o homem sempre procurou atingir estados alterados de consciência. Ademais de que grande parcela das sociedades atuais, mais e pior do que as de outrora, não tolera as frustrações. O que levou  certo autor a afirmar que  o uso/abuso  de drogas aliviaria a angústia inerente à condição humana.

Modelos atualizados e eficazes (segundo o professor Dartiu Xavier da Silveira) de prevenção:

primária – Conjunto de ações que procuram evitar o uso de drogas, visando diminuir a chance de novas pessoas começarem a usar. Embora a divulgação de informações seja o modelo mais popular, diversos outros foram desenvolvidos ao longo das últimas décadas, tais como: fortalecimento de atitudes saudáveis e  participação dos jovens como os protagonistas das intervenções.

secundária -  Conjunto de ações que procuram evitar a ocorrência de complicações para as pessoas que fazem uso ocasional de drogas. Essas medidas buscam identificar os usuários e favorecer mudanças de comportamento, por exemplo: o aprendizado de novas atitudes positivas.

Terciária -  Conjunto de ações que, a partir de um uso problemático de drogas, procura evitar prejuízos adicionais e/ou reintegrar na sociedade os indivíduos com problemas mais sérios. Essas ações envolvem identificar e lidar com casos emergenciais (como síndrome de abstinência, overdose, tentativas de suicídio, etc) e/ou com pacientes portadores de problemas  de saúde que necessitam de encaminhamento (hepatite, AIDS, cirrose, etc). Também envolvem a orientação familiar, o auxilio na reabilitação social e o encaminhamento para tratamento das comorbidades.

Já encerrando, dizer que são essas comorbidades que nós psiquiatras procuramos tratar, claro que no ambulatório, juntamente com equipe multidisciplinar.

Não posso deixar de citar os Alcoólicos Anônimos (AA) com seus 12 eficientes passos que muito auxiliam os dependentes químicos, principalmente os alcoolistas. Aliás, o informado leitor ficou sabendo que o grande ator e diretor Mel Gibson (estaria digindo embriagado numa cidade dos EUA) foi obrigado a freqüentar o AA norteamericano durante um ano.

Nas próximas semanas pretendo concluir em 3 ou 4 artigos, volto a repetir, nossa Uma Introdução ao Vinho.

Era isto.

 

Fonte: (Dr. Henrique Nascimento) -  h.nascimentomed@uol.com.br

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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