Porto Velho (RO) terça-feira, 7 de julho de 2020
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Agnaldo Ferreira

MEDIOCRIDADE, UMA PRAGA CONTAGIOSA


    
Infelizmente, tenho notado nesses últimos anos, analisando a sociedade, como é meu costume, devido minha formação filosófica e teológica que os estudos me proporcionaram, percebi que cada vez mais nossa sociedade vem sendo imbuída e até obrigada de forma velada a tomar atitudes de pessoas de visão curta e sem nenhum espírito de vôos altos. Podemos dizer, sem medo de errar, que existe uma verdadeira ditadura da mediocridade quando não se incentiva, se proíbe ou no mínimo age como tal. 

Num texto de La Fontaine, ele descreve a fábula da águia e da galinha. Da literatura para a vida, logo percebemos que encontramos poucos com vontade de ser “águias” – por isso se acomodam sendo “galinhas” – olhando apenas para as minhocas que á vida nos oferece. 

Chegamos a ponto de o ser humano viver da bisbilhotice, da “espiada” da vida alheia com estilos Big Brother e companhia. Então, só nos resta perguntar: como podemos formar uma sociedade mais justa, mais humana e mais religiosa se optamos pela mediocridade e pelo mediano da vida? Uma sociedade cresce quando seus membros têm desejos das alturas, dos cumes; ou seja, de crescer, seja intelectualmente, religiosamente, fraternalmente. Volto a dizer que vivemos da mediocridade que a vidinha nos oferece. 

Há medíocres e medianos. Tem-se o direito de ser mediano (nem todos há de ser geniais), tanto quanto o de ter nascido com um estofo pessoal vigoroso, ou apenas suficiente. 

A mediocridade é o mal dos que, inteiramente absorvidos nas delícias da preguiça e pela exclusiva deleitação do que está ao alcance das mãos, pelo inteiro confinamento no imediato, fazem da estagnação a condição normal de suas existências. Não olham para trás: faltam-lhes o senso histórico. Nem olham para frente, ou para cima: não analisam nem prevêem. Têm preguiça de abstrair, de alinhar silogismos, de tirar conclusões, de arquitetar conjecturas. Sua vida mental se cifra na sensação do imediato. A abastança do dia, a poltrona cômoda, os chinelos e a televisão – não vão além seu pequeno paraíso. 

Paraíso precário, que procuram proteger com toda espécie de seguros: de vida, de saúde, contra o fogo, contra acidentes, etc., etc. 

E tanto mais feliz o medíocre se sente, quanto mais nota que todas as portas que podem se abrir para a aventura, para o risco, para o esplendoroso – e, portanto, também, para os céus da Fé, para os largos horizontes da abstração, os imensos vôos da lógica e da arte, para a grandeza de alma, para o heroísmo – estão solidamente cerradas. Por meio do sufrágio universal, os medíocres fizeram tantas leis, tantos regulamentos, instituíram tantas repartições públicas, que nenhuma fuga das almas superiores, para fora dos cubículos dessa mediocridade organizada, é possível. Sem terem a intenção de o fazer, os medíocres impõem, entretanto, às mentes de largos horizontes, a ditadura da mediocridade. 

Poderia discorrer aqui durante um bom tempo, porém tornaria enfadonho ou despertaria em alguns um certo furor por falar de forma tão direta, mas não me queira mal caro leitor, minha intenção com esse artigo é fazer com que nos afastemos da mediocridade como se afasta de uma doença contagiosa porque ela deforma a alma e obstrui nosso censo critico. 

Portanto minha intenção é lhe ajudar a enxergar melhor e fazer que outros enxerguem também, saindo da mediocridade procurando subir às alturas da reflexão da religião e da fraternidade. Só assim atingimos o auge de nós mesmos e com certeza colocaremos o “outro” no meio de nossos pensamentos.

Fonte: AGNALDO FERREIRA DOS SANTOS / [email protected]
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