Porto Velho (RO) terça-feira, 22 de junho de 2021
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Turismo

Turismo do AM a um passo da 'emancipação'


 
Para acabar com a ‘má fama’ do setor de serviço em Manaus, entidades investem em cursos de capacitação no ramo de bares, restaurantes e hotéis.


Jonária França
Equipe do EM TEMPO
[email protected] 

O setor de turismo do Amazonas está a um passo da “emancipação” no que se refere à qualidade no atendimento. Empenhados em acabar com a “má fama” da falta de preparo na hora de atender o turista, empresários e entidades ligadas segmento se esforçam para deixar os visitantes satisfeitos com a estrutura dos serviços caboclos. Para isso, além de investir na infra-estrutura dos estabelecimentos, eles recorrem aos diversos cursos para preparar a mão-de-obra local. 

De janeiro a setembro deste ano, de acordo com dados da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), desembarcou em Manaus, no Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, um total de 94.446 turistas de várias partes do mundo. Por via fluvial, os tradicionais navios transatlânticos vão trazer outros 15,8 mil turistas estrangeiros, a maioria dos Estados Unidos.

Além dos “admiradores” de fora, existem os brasileiros que se deslocam, principalmente até Manaus, em busca de aventura ou a trabalho ao longo do ano. É exatamente esse público que costuma ser mais crítico com relação aos serviços dos bares, restaurantes e hotéis da cidade. A maior queixa ainda é a falta de preparo no atendimento.
A consultora comercial Beneth Victorelli, que há um ano está a serviço de uma empresa do segmento de lojas em Manaus, apontou alguns “defeitinhos” que podem ser melhorados com cursos técnicos profissionalizantes. “As pessoas em Manaus são muito solícitas, prestativas e têm boa vontade, mas sinto que falta profissionalismo na maneira de servir”, destacou Beneth.

Sofisticação e requinte

Embora tenha citado as falhas, a consultora, que é de Campinas, interior de São Paulo, fez questão de ressaltar as qualidades e a sofisticação dos pratos servidos nos restaurantes da capital. “A culinária é muito boa e a qualidade dos alimentos, principalmente, os peixes são excelentes. Acho, inclusive, que o mercado em Manaus comporta muito mais restaurantes pela quantidade de pessoas e pelo fluxo de turista que passa por aqui”, reforçou.  

Quem também faz algumas ressalvas para que o turismo local consiga a “emancipação” é o arquiteto carioca Rodrigo Roman. O “puxão de orelha” dele, que está há cinco meses em Manaus, é para a falta de exploração da riqueza natural da orla da Ponta Negra, para o atendimento nos restaurantes e para os serviços nos hotéis que exploram o ecoturismo.

“Na Ponta Negra, os bares poderiam ser melhor. O meio ambiente é pouco explorado em Manaus, que é linda. A estrutura dos hotéis é muito boa e a qualidade, o bom gosto e o requinte nos restaurantes são impressionantes, no entanto, observo que há uma falta de capacitação para atender melhor o turista”, critica.
   
Aspecto cultural justifica

As observações feitas pelo arquiteto e pela consultora são justificadas pelo diretor executivo da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes do Amazonas (Abrasel/AM), Gérson Queiroz, como uma questão cultural. De acordo com ele, desde a criação da Zona Franca de Manaus (ZFM), em 1967, a cidade recebe pessoas de fora, porém somente há 12 anos formou a primeira turma de Turismo. “Não se pode mudar essa cultura com muita rapidez. O processo da educação é muito lento, mas a Abrasel, a Amazonastur, o Sebrae e o Senac estão empenhados para reverter essa realidade”, assegurou Queiroz.

Para mostrar que o turismo local começa a deixar de engatinhar e arrisca as primeiras passadas de forma mais firme, ele cita as iniciativas como formação de mais de 7,4 mil pessoas em cursos para garçons, camareira, hotelaria, gastronomia e atendimento ao turista. Outro destaque é para as primeiras turmas de chefes de cozinha. “O Ciesa está colocando no mercado os 90 primeiros chefes de cozinha”, salientou.

A Amazonastur, por meio da assessoria de imprensa, reafirmou que Manaus está pronta para receber muitos turistas e que há grande esforço para capacitar mão-de-obra.

 

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