Porto Velho (RO) segunda-feira, 25 de janeiro de 2021
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Nazaré comemora 50 anos e se firma como polo turístico


Nazaré comemora 50 anos e se firma como polo turístico - Gente de Opinião

Se há em Rondônia um território que preserva as genuínas tradições e a cultura amazônica, este é o distrito de Nazaré, a 150 km do centro da capital, com acesso hidroviário pelo rio Madeira. O último final de semana ficou movimentado com as comemorações do cinquentenário dos Festejos de Nazaré, evento anual que atrai turistas “descolados”, alternativos, apaixonados pelo ecoturismo, ativistas culturais, acadêmicos e jovens, que partem, principalmente, de Porto Velho e de distritos vizinhos. Mas, entre os visitantes há, também, estrangeiros e moradores de outros estados.

O Festejo Cultural de Nazaré demorou dois dias, 22 e 23 de julho. A abertura contou com a participação do Trio da Velha Guarda de Nazaré, grupo musical de seresta composto por moradores antigos do distrito; em seguida, a animação ficou por conta da quadrilha Fogo de Palha embalada por músicas produzidas pela própria comunidade.

Com as arquibancadas lotadas o evento encerrou no sábado (23), repetindo o sucesso dos anos anteriores e mantendo a autenticidade das quadrilhas juninas, com o boi-bumbá Curumim, formado por crianças. Seguiram-se números de carimbó e o seringandô, dança centenária criada nas festas do Uruapiara no Amazonas e levada para Nazaré pelo professor Manoel Maciel Nunes, pioneiro falecido há oito anos que dedicou sua vida à preservação dos costumes do povo ribeirinho.

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Organizado pelo Instituto Cultural e Socioambiental Minhas Raízes, o festejo é uma herança cultural deixada pelo professor Maciel, cujos filhos hoje continuam os trabalhos. Na arena improvisada verdadeiros shows de harmonia, plástica e talento; no palco, decorado como se fosse uma casa de caboclo, a cantoria de gente simples que desperta emoção e esbanja poesia e história em letras e sonoridades ímpares.

Representando o Governo do Estado de Rondônia, o superintendente de Turismo, Júlio Olivar, prestigiou o Festejo de Nazaré e teve a oportunidade de conversar com diversas lideranças e ativistas locais, buscando identificar e apoiar a preservação das tradições locais. “Nazaré é a verdadeira Amazônia de Rondônia. Muito fácil de ser promovida turisticamente porque o mais importante é esse cenário majestoso da floresta que se soma ao talento e a competência com que os artistas daqui atuam”, analisa.

Ao conversar com os moradores e organizadores do evento, Júlio Olivar, identificou que o distrito necessita de um olhar mais atento para sua infraestrutura e aparelhamento, sem que isso prejudique o que o vilarejo tem de melhor: a hospitalidade e a criatividade de seu povo. “Mas, não se faz turismo só com eventos, é preciso cuidar da economia [que gira em torno da agricultura familiar e da pesca], qualificação da cadeia que implica o setor turístico, além de obras de urbanização e restauro da memória, que não descaracterizem o povoado”.

Cheio de histórias e lendas, casario predominantemente de madeira, boa e farta comida à base de pescados e frutas amazônicas, Nazaré é sinônimo de sossego e alegria. Não há sequer um carro ou motocicleta no povoado de 600 habitantes, que não conta com policiamento e com casas sem cercas com quintas em comum. São cinco pousadas simples que atendem os turistas que buscam o contato direto com a natureza e as músicas inspiradas nas vivências amazônicas. Nazaré comemora 50 anos e se firma como polo turístico - Gente de Opinião

Júlio Olivar afirmou que há dificuldades para executar muitas ações no distrito por conta da questão fundiária [o povoado situa-se numa área devoluta da União], “isso precisa ser destravado” e se comprometeu a apresentar a outras instâncias dos governos estadual e federal e a parlamentares de Rondônia as necessidades de Nazaré, como a construção de um deque (já solicitado pela Setur à bancada federal) e um centro cultural adequado para confecção das roupas, artesanatos e adereços das quadrilhas e do boi-bumbá.

Potencial Turístico – Nazaré recebe, em média, 300 turistas todos os fins de semana e dispõe de cinco pousadas totalizando 25 leitos. Oferece aos visitantes atrações musicais com o Grupo Minhas Raízes – que fazem as próprias composições e os instrumentos musicais com matéria-prima da floresta –, passeios de barcos pelo lago Peixe-Boi, até o balneário Tabuleiro, onde em ocasiões especiais o turista é recepcionado e passa por uma integração cultural com ritual Mura Ananã, encenado pelo pajé Lucas Mura.

O ritual foi apresentado ao superintende de Turismo, Júlio Olivar, e mais cerca de 40 visitantes que ficaram encantados com o realismo do momento que retrata a vida ancestral do povoado. Lucas é descendente de índios Mura e faz questão de manter suas origens repetindo o ritual espiritual.

Bem em frente do bosque onde Lucas atua, é encontrada uma argila tida como “medicinal” e que é usada para fins estéticos. Um grupo de mulheres se esbaldou – e aprovou – a experiência de fazer máscara facial com a argila e, claro, desfrutar de um banho nas águas límpidas do lago Peixe-Boi.

Família de sucesso – O grupo Minhas Raízes, formados pelos filhos do professor Manoel Maciel, que manteve vivas as tradições e a unidade do distrito, conta a história dos ribeirinhos e exalta as belezas naturais da região.

Exaltando as belezas localizadas às margens do rio Madeira, a música “Vem passear de barco” é um convite para se curtir a vida como um legítimo “beiradeiro” (como os moradores) se definem. Vale a pena cada detalhe: do pôr-do-sol mais bonito da região Norte, o canto dos pássaros e outros sons da natureza em festa. Ou simplesmente, deitar-se na rede e sentir o frio certeiro de todas as noites.

Para chegar a Nazaré, o turista pode pegar, no porto Cai n’Água, em Porto Velho, um barco de recreio que sai às sextas-feiras, ao meio-dia, com retorno aos domingos, às 14h; são 6 horas de viagem com cerca de 90 passageiros a bordo, com direito a almoço. Outra possibilidade é se deslocar de carro até o povoado da Boca do Jamari, a 70 km de estrada de terra, e lá fretar uma voadeira que faz o percurso até Nazaré em duas horas.

Mais informações para passeios turísticos podem ser adquiridas através dos telefones: (69) 99335-2668 ou (69) 99254-8682, falar com o ativista Anauá Gomes.

Fonte: Ascom

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