Porto Velho (RO) domingo, 19 de janeiro de 2020
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Turismo

Elevação do dólar não prejudica turismo no exterior



Alana Gandra
Agência Brasil


Rio de Janeiro - O dólar na casa de R$ 1,80 continua como uma “taxa atrativa para o turismo brasileiro no exterior e não compromete em nada o movimento” do setor. A avaliação é de Carlos Strauss de Campos, presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagens seção Rio de Janeiro.

Strauss ponderou que o dólar baixo favorece o brasileiro sair do país, porque tudo que é importado fica mais barato. Para ele, como o real está muito valorizado, a medida anunciada pelo Banco Central para combater a especulação com o câmbio visa a ajudar a exportação, “e que também não deixa de ajudar a entrada de turistas estrangeiros no Brasil”.

Ele avaliou que a tendência ainda é de expansão do turismo brasileiro no exterior, aproveitando a atual cotação da moeda americana. “A demanda está bastante aquecida, há uma oferta reprimida”. Strauss admitiu que quanto mais baixo está o dólar, melhor para se viajar ao exterior. Insistiu, entretanto, que uma elevação do câmbio para R$ 1,80 não irá comprometer o turismo “exportativo”.

A aposentada Elzira Rezende é um dos muitos turistas brasileiros que estão aproveitando a baixa cotação do dólar para conhecer outros países. Hoje, ela comprou dólares para levar na viagem que fará com a sobrinha, a partir do próximo dia 15, em um cruzeiro marítimo que irá até Buenos Aires, na Argentina, e Punta Del Leste, no Uruguai, retornando ao Brasil no dia 24 deste mês. “Com o dólar baixo, fica melhor para a gente comprar as coisas”, disse.

O coordenador de Economia Aplicada da Fundação Getulio Vargas (FGV), Armando Castelar Pinheiro, considerou razoável a avaliação sobre as pessoas continuarem viajando para fora do país com o câmbio a R$ 1,80 e não a R$ 1,65, como chegou ontem (5). “Obviamente, a taxa de R$ 1,65 é melhor para quem viaja e, de maneira geral, compra mais coisas no exterior, além da passagem aérea, que é cotada em dólar no mundo todo e depois revertida para a moeda local, à taxa de câmbio oficial, porque significa uma passagem mais barata em reais”.

Defendeu, porém, a necessidade de uma cotação mais elevada do dólar para os exportadores e também para quem tem receita em dólar, entre os quais destacou hotéis e prestadores de serviços voltados para os turistas estrangeiros. “O real mais desvalorizado é mais interessante. Então, quem tem receita mais relacionada ao dólar, como é o caso do exportador e do turismo voltado para o turista estrangeiro, ganha com o dólar mais valorizado. Por outro lado, o turista brasileiro e o consumidor brasileiro de itens importados prefere o real mais valorizado”.

Para Castelar, com as medidas determinadas pelo Banco Central, a tendência de curto prazo é de elevação do dólar. “Já está subindo. Os bancos tinham uma aposta de valorização do real e vinham fazendo investimentos nessa direção, vendendo antecipadamente dólar na cotação presente para tentar recomprá-lo mais baixo a um preço em reais. Na medida em que o Banco Central penaliza esse tipo de operação, os bancos vão ter que comprar dólar para pagar a quem eles estão devendo esses dólares”.

Segundo o economista da FGV, isso fará com que o real se desvalorize, mas não deverá haver alterações em termos de tendência do câmbio de médio e longo prazo.”É uma coisa que durante algum tempo vai fazer o real se desvalorizar mas, mantidas as condições no Brasil e no exterior, a tendência é que real volte a se valorizar daqui a uns tempos”, afirmou Pinheiro.

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