Porto Velho (RO) terça-feira, 20 de novembro de 2018
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Saúde

Especialista da São Lucas diz que falta de informação prejudica crianças com lábio leporino


Pesquisa realizada pelo setor de Fonoaudilogia da Unifesp constatou um mito: os pais de crianças com lábio leporino - uma das más-formações congênitas mais comuns - acreditam que apenas uma cirurgia resolve o problema de seus filhos. Com essa má-formação, o osso da arcada dentária superior, o músculo e a mucosa ("pele") do lábio não se fecham durante o desenvolvimento da criança no útero. “Os pais não sabem que, sem o acompanhamento fonoaudiológico, a criança provavelmente terá problemas de fala”, alerta Elisangela Hermes, coordenadora da Clínica de Fonoaudiologia da Faculdade São Lucas. Segundo ela, nos casos mais graves, essa abertura se estende até a garganta, deixando um buraco no céu da boca, com ligação para a parte interna do nariz. É a chamada fissura palatal e muitas crianças têm os dois problemas.

Conforme Elisangela Hermes, as crianças passam por várias cirurgias, inclusive tratamento para a correção dos dentes, sendo que também devem ser acompanhadas por fonoaudiólogo antes e após as cirurgias. “Quando um bebê nasce com a fissura palatal, os pais devem ser orientados sobre a melhor forma de amamentar e alimentar a criança. Deve-se alimentar a criança na posição vertical para evitar que líquido e comida passem para a cavidade nasal (refluxo nasal)”, orienta a fonoaudióloga da Faculdade São Lucas, acrescentando que outro sintoma comum são alterações na audição por otites de repetição. “A musculatura da região próxima à tuba auditiva está inserida de forma diferente. Com isso, a ventilação do ouvido fica prejudicada, o que pode causar dores e inflamações no ouvido da criança, além de déficit na audição”, explica.

Elisangela Hermes observa que quando a criança nasce com o lábio leporino, os pais acabam por operar mais rapidamente seus filhos, até por uma questão estética. “Quando a fissura é apenas no céu da boca, a cirurgia acaba sendo postergada porque o problema só é perceptível quando a criança fala, emitindo sons nasalizados. Assim, os próprios pais não estimulam os filhos a falar, prejudicando ainda mais a criança”, constata. Ela orienta que os pais procurem a equipe interdisciplinar da Faculdade São Lucas para o tratamento das fissuras. “Os resultados esperados são muito positivos”, completa a coordenadora da Clínica de Fonoaudiologia.

Fonte: Chagas Pereira - Registro Profissional 165 DRT/RO

 

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