Terça-feira, 20 de janeiro de 2026 - 12h53

ENGLISH VERSION BELOW
Com
base em registros históricos,
qual é a
estimativa de mortes associadas a conflitos travados em nome de Deus — as chamadas ‘guerras
santas’ — e em
que medida esse conceito, quando instrumentalizado como autoridade moral
absoluta, contribui para a suspensão da razão, para a legitimação de crueldades, para a destruição
ambiental e para a manutenção de desigualdades extremas? Além disso, como explicar o acúmulo de patrimônio
religioso na Terra — frequentemente
avaliado em trilhões de dólares — em contraste com o próprio ensinamento atribuído às
escrituras (‘não acumuleis tesouros na terra’), sobretudo
quando milhões permanecem em miséria crônica e sucumbem à fome e ao
abandono? Considerando que a caridade e a compaixão para com os necessitados
deveriam ser, na prática, o objetivo moral central de organizações religiosas
que ainda desfrutam de incentivos fiscais e outros privilégios, como justificar que
muitas dessas instituições, desviadas de seus próprios fundamentos filosóficos, tenha
transformado sua atuação em um modelo comercial que vende saúde e educação — serviços dos quais os
mais pobres são comprovadamente excluídos — enquanto expandem um negócio altamente lucrativo
e ainda impõem à população
o pesado encargo de um ‘imposto divino’ chamado dízimo,
somado a ofertas constantes, sustentando promessas de recompensa espiritual
frequentemente tratadas como mecanismo de exploração e estelionato moral?”
A
estimativa de mortes decorrentes de conflitos travados “em nome de Deus” — ou
legitimados pela ideia de guerra sagrada — não pode ser fixada com
precisão absoluta, pois a História
raramente oferece um único fator causal isolado. Ainda assim, os registros
permitem afirmar, com razoável
segurança, que o total histórico se mede em dezenas de
milhões, podendo alcançar centenas de milhões quando se incluem guerras,
perseguições, massacres sectários e processos de dominação sustentados por
discurso religioso como autorização moral. O ponto essencial não é apenas o número, mas o
mecanismo: quando um conflito é carimbado
como “sagrado”,
deixa de ser tratado como erro humano e passa a ser encarado como “dever”, o que suspende
a dúvida, desativa a empatia e transforma a violência em virtude.
Nesse
sentido, o conceito de Deus — quando
usado como selo de autoridade incontestável — opera
como um alucinógeno
moral coletivo: não porque crie bombas ou armas, mas porque pode remodelar o
julgamento humano, tornando aceitável aquilo que, em condições racionais, seria
reconhecido como monstruoso. A ideia de “mandato divino”
frequentemente produz uma blindagem psicológica que substitui
responsabilidade por obediência,
consciência por submissão e ética
por medo. Com isso, a mente deixa de perguntar “é certo?” e
passa a perguntar apenas “foi
ordenado?”, abrindo espaço
para fanatismo, desumanização do outro, guerras
intermináveis e, inevitavelmente, para a destruição ambiental que acompanha
qualquer máquina bélica.
No
entanto, a contradição moderna mais gritante não está apenas na guerra: está também
na economia do sagrado. Organizações religiosas que pregam, em seus registros “sagrados”, que não se deve acumular
tesouros na Terra passaram a concentrar patrimônio e influência que, em muitos casos,
alcançam valores de ordem trilionária, enquanto milhões vivem em miséria crônica,
morrem de fome ou sobrevivem sem acesso real à saúde, educação e dignidade. Aí surge a
pergunta moral inevitável: se a compaixão e a caridade deveriam ser o núcleo prático de toda religião,
como justificar que instituições ainda amparadas por incentivos fiscais e
privilégios tenham se desviado
da finalidade ética e se convertido,
em parte, em empreendimentos comerciais, vendendo “cura”, “prosperidade” e até “educação” como produto — exatamente onde os mais pobres
são, na prática, excluídos?
A
distorção se agrava quando esse modelo não apenas cresce, mas se sustenta por
meio de um mecanismo que pode ser descrito como um imposto emocional travestido
de fé: o dízimo e as
ofertas, exigidos sob pressão moral, medo espiritual ou promessa de recompensa
no “plano superior”. Nesse formato, o sagrado
deixa de ser um caminho de elevação humana e se transforma em instrumento de
controle, onde se comercializa esperança e se administra culpa, enquanto o fiel
financia expansão institucional e recebe, em troca, promessas frequentemente
impossíveis de verificar — e
que, quando usadas como manipulação, se aproximam de um tipo de estelionato
moral.
Em
resumo: a responsabilidade histórica e social não está em um “Deus metafísico” que ninguém
pode provar, mas no uso humano desse conceito como ferramenta de poder. Quando
a fé vira blindagem contra a
razão e quando o discurso religioso vira estratégia de domínio, o resultado recorrente é sempre o mesmo: violência
legitimada, atraso mental normalizado, desigualdade preservada e, muitas vezes,
sofrimento em escala industrial. O problema não é a espiritualidade como busca
íntima; é o momento em que o
sagrado vira moeda — e a consciência humana, refém.
Constatação — A síntese inevitável
No
fim, o que se revela não é um
mistério espiritual, mas uma
engrenagem humana: quando Deus vira argumento absoluto, a razão é dispensada — e tudo passa a ser permitido.
A História
registra o preço dessa licença moral: guerras travadas “em nome do sagrado”, massacres justificados como dever e uma
humanidade repetidamente seduzida pela ideia de que matar pode ser virtude
quando embalado por fé.
E
quando o altar se transforma em empresa, o drama se completa: o sagrado vira
negócio, a
esperança vira moeda, e a miséria
continua sendo o chão onde o povo ajoelha — não por fé,
mas por falta de alternativa. O mesmo sistema que promete salvação muitas vezes
impõe fardos: dízimos, ofertas, medo, culpa e promessas que jamais se podem
cobrar.
Assim,
o que deveria ser compaixão vira controle.
O que
deveria ser caridade vira patrimônio.
O que
deveria ser luz vira fumaça.
Porque
quando o sagrado vira negócio: a fé vira
arma e vira caixa-forte.
E
então surge a pergunta que ninguém
deveria ignorar: fé ou
extorsão moral? O dízimo, o poder e a fome.
Enquanto
isso, cresce o paradoxo que humilha a consciência: o delírio consagrado — guerras “santas”, patrimônio trilionário e o povo na miséria.
E se
alguém ainda tenta dourar a
narrativa, a realidade responde com a frase que não pede opinião, apenas
honestidade: “não
acumuleis” — eles
acumulam.
Pois a
verdade incômoda é esta: Deus como entorpecente
social serve, com frequência, para produzir a suspensão da razão em nome do
sagrado.
E
dessa suspensão nasce a monstruosidade moderna: guerras em nome de Deus, lucro
em nome da fé.
No
fim, o saldo moral é impossível de esconder:
Sagrado
para o púlpito, fome para a rua — a
fé sequestrada pelo poder.
E o
que se vende como eternidade muitas vezes apenas adia a justiça terrena.
Porque, para muitos, restou isso: o paraíso dos outros — promessas espirituais, pobreza real.
Comentário:
O texto escancara o absurdo: criaram limites mentais, normalizaram injustiças e chamaram submissão de moral. Quem se incomoda não é pela forma — é porque a verdade desmonta o sistema e encomoda os que não adimitem a verdade. Oliver Norton. - Los Angeles, CA
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ENGLISH
THE SHAMEFUL “INDUSTRY CREATED IN GOD’S
NAME”: DECEPTION, DEATH, TITHES, AND TAX PRIVILEGES
Between the altar and hunger:
sincerity is treated as an attack, compassion as a threat — and ignorance as a
virtue
Based on historical records, what is
the estimated death toll associated with conflicts waged “in the name of God” — the so-called “holy wars” — and to what extent does
this concept, when instrumentalized as an absolute moral authority, contribute
to the suspension of reason, the legitimization of cruelty, environmental
destruction, and the perpetuation of extreme inequality? Furthermore, how can one
explain the accumulation of religious wealth on Earth — often valued in the
trillions of dollars — in contrast with the very teaching attributed to
scripture (“do
not store up treasures on Earth”), especially when millions remain
trapped in chronic misery and succumb to hunger and abandonment? Considering
that charity and compassion toward those in need should, in practice, be the
central moral purpose of religious organizations that still enjoy tax
incentives and other privileges, how can it be justified that many of these
institutions — diverted from their own philosophical foundations — have turned
their mission into a commercial model that sells health and education, services
from which the poorest are demonstrably excluded, while expanding a highly
profitable enterprise and still imposing upon the population the heavy burden
of a “divine tax” called the tithe, added to constant offerings, sustaining promises of
spiritual reward that are often treated as mechanisms of exploitation and moral
fraud?
The estimate of deaths resulting from
conflicts fought “in
the name of God” — or legitimized by the idea of sacred war — cannot be fixed
with absolute precision, because history rarely offers a single, isolated
causal factor. Still, historical records allow us to state with reasonable
confidence that the total reaches into the tens of millions, and may approach
hundreds of millions when we include wars, persecutions, sectarian massacres,
and domination processes sustained by religious discourse as moral
authorization. The essential point is not only the number, but the mechanism:
when a conflict is stamped as “holy,” it stops being treated as a human
error and begins to be seen as a “duty,” which
suspends doubt, disables empathy, and turns violence into virtue.
In this sense, the concept of God — when
used as a seal of unquestionable authority — functions like a collective moral
hallucinogen: not because it manufactures bombs or weapons, but because it can
reshape human judgment, making acceptable what, under rational conditions,
would be recognized as monstrous. The idea of a “divine
mandate” often produces a
psychological shield that replaces responsibility with obedience, conscience
with submission, and ethics with fear. As a result, the mind stops asking “is it right?” and
begins asking only “was
it commanded?” — opening the door to fanaticism, dehumanization of the other,
endless wars, and, inevitably, the environmental destruction that follows any
war machine.
Yet the most glaring modern
contradiction is not found only in war: it is also found in the economy of the
sacred. Religious organizations that preach — in their “sacred” records — that one must not
accumulate treasures on Earth have come to concentrate wealth and influence
that, in many cases, reach values in the trillions, while millions live in
chronic poverty, die of hunger, or survive without real access to health,
education, and dignity. And then the unavoidable moral question arises: if
compassion and charity should be the practical nucleus of any religion, how can
it be justified that institutions still protected by tax incentives and
privileges have drifted from their ethical purpose and, in part, transformed
into commercial enterprises — selling “healing,” “prosperity,” and
even “education” as a
product, precisely where the poorest are, in practice, excluded?
The distortion grows worse when this
model not only expands, but sustains itself through a mechanism that can be
described as an emotional tax disguised as faith: tithes and offerings,
demanded under moral pressure, spiritual fear, or the promise of reward in some
“higher plane.” Under
this structure, the sacred ceases to be a path of human elevation and becomes
an instrument of control, where hope is commercialized, and guilt is
administered, while the believer funds institutional expansion and receives, in
return, promises that are often impossible to verify — and which, when used as
manipulation, resemble a form of moral fraud.
In summary, the historical and social
responsibility does not lie in a “metaphysical
God” that no one can prove, but in the human use of that
concept as a tool of power. When faith becomes armor against reason, and
religious rhetoric becomes a strategy of domination, the recurring result is
always the same: legitimized violence, normalized mental stagnation, preserved
inequality — and, often, suffering on an industrial scale. The problem is not
spirituality as an intimate search; the problem begins the moment the sacred
becomes currency — and the human conscience becomes hostage.
A finding — the inevitable synthesis
In the end, what is revealed is not a
spiritual mystery, but a human mechanism: when God becomes an absolute
argument, reason is dismissed — and everything becomes permissible.
History records the price of that
moral license: wars waged “in
the name of the sacred,” massacres justified as duty, and
humanity repeatedly seduced by the idea that killing can become virtue when
wrapped in faith.
And when the altar turns into a
business, the drama is complete: the sacred becomes commerce, hope becomes
currency, and misery remains the ground on which the people kneel — not out of
faith, but out of lack of alternatives. The very system that promises salvation
often imposes burdens: tithes, offerings, fear, guilt, and promises that can
never be held to account.
Thus, what should be compassion
becomes control.
What should be charity
becomes property.
What should be light
becomes smoke.
Because when the sacred becomes
business: faith becomes a weapon — and a vault.
And then comes the question no one
should ignore: faith or moral extortion? The tithe, power, and hunger.
Meanwhile, the paradox that
humiliates the conscience continues to grow: consecrated delirium — “holy” wars, trillion-dollar wealth, and a people left in misery.
And if anyone still tries to gild the
narrative, reality responds with a sentence that demands no opinion, only
honesty: “do not store up” — they store up.
For the uncomfortable truth is this:
God, as a social sedative, often serves to produce the suspension of reason in
the name of the sacred.
And from that suspension comes the
modern monstrosity: wars in God’s name, profit in faith’s name.
In the end, the moral balance is
impossible to hide:
Sacred for the pulpit, hunger for the
street — faith kidnapped by power.
And what is sold as eternity often
merely postpones earthly justice.
Because for many, this is what
remains: other people’s paradise — spiritual promises, real poverty.
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Comments:
This text exposes
the absurd: mental limits were imposed, injustice was normalized, and submission was
labeled as morality. Those who feel threatened aren’t reacting to the tone—they’re reacting because truth dismantles the system. Oliver Norton. Los Angeles, CA.
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