Sexta-feira, 6 de março de 2026 - 07h51

Puteiro Don Camurcio — No picadeiro da
política, os atores divertem-se; quem paga o ingresso é sempre a plateia.
Conta-se uma
velha anedota.
Certa vez um
político entrou em um prostíbulo, tomou alguns tragos e perguntou à dona do
bordel:
— Benzinho,
você acredita na minha honestidade?
A mulher
pensou por um instante e respondeu com serenidade:
— Acredito…
desde que o senhor primeiro me diga se acredita na minha virgindade depois de
quarenta anos aqui vendendo amor.
A história é
engraçada, mas talvez seja também uma das metáforas mais honestas já feitas
sobre a política.
Ainda hoje
há quem hipoteque gratuitamente sua confiança a políticos, defendendo-os com
fervor, simpatia e entusiasmo. Brigam com amigos, discutem com familiares e
repetem slogans como se fossem verdades absolutas. Acreditam em tapinhas nas
costas e no tratamento íntimo que muitos candidatos distribuem generosamente em
épocas eleitorais.
Esquecem até
advertências antigas. A própria tradição bíblica já alertava: “maldito o homem
que confia no homem.” Ainda assim, muitos insistem em ignorar o conselho — e
acabam, inevitavelmente, quebrando a cara.
A
ingenuidade de um eleitorado manipulável muitas vezes não percebe que, em
grande parte dos casos, as campanhas políticas tornaram-se instrumentos de
legitimação para que indivíduos interessados prioritariamente em vantagens
pessoais — e não no bem coletivo — alcancem o poder.
Promessas
mirabolantes, fantasiosas e frequentemente impraticáveis são lançadas ao vento
durante as campanhas. Depois da eleição, evaporam com a mesma facilidade com
que foram feitas.
Porque, no
fundo, para muitos desses personagens, a política jamais foi vocação ou
idealismo. Sempre foi, antes de tudo, um grande balcão de negócios.
Basta
observar um dos exemplos mais escandalosos desse arranjo: o fundo partidário e
eleitoral, criado sob o argumento de fortalecer a democracia, mas que, na
prática, transformou-se em um gigantesco mecanismo de autossustentação da
própria classe política com dinheiro público.
Entram
governos e saem governos. Mudam os discursos, as siglas, as cores e os proselitistas
mascarados de ideologias e promessas. No entanto, no plano real, a situação da
população pouco muda — e muitas vezes apenas se agrava.
E o resto é
o mesmo de sempre: demagogia, mentiras, falácias e um vergonhoso estelionato
eleitoral.
Tudo isso
revestido de uma aparência de plena legitimidade institucional, chancelada
pelos próprios poderes do Estado.
A isso
chamam de “Estado Democrático de Direito”. Vergonha.
E então
surge a pergunta inevitável:
Com que
autoridade moral impõem leis aos pobres em nome da justiça, enquanto garantem
proteção e atenuantes aos seus aliados nas elites do poder econômico, judicial
e político?
No final das
contas, tudo se parece cada vez mais com um grande circo.
Talvez o
mais impressionante de tudo não seja o circo da política.
O mais
impressionante é a plateia.
Uma multidão
que paga a conta, sustenta o espetáculo e ainda aplaude de pé os próprios
algozes que a exploram — num persistente masoquismo psico-social coletivo.
Sexta-feira, 6 de março de 2026 | Porto Velho (RO)
Entre a Retórica da Sustentabilidade, a Distinção de Excelência e o Lixo na Vegetação em Volta
ENGLISH VERSION ATTACHEDA poucos metros de uma faixa celebrando excelência ambiental em uma escola privada cristã, localizada na área metropolitana

ENGLISH VERSION ATTACHED “A compaixão pelos animais está intimamente ligada à bondade de caráter; e pode-se afirmar com segurança que quem é cr

Onde a Conquista Encontra o Silêncio
Ainda sob o efeito da serena — e por vezes silenciosa — sensação de dever cumprido que se segue à aceitação formal pelo United States Patent and Trad

A natureza ensina em silêncio — aprende quem deseja
Pessoas humildes aprendem com as próprias lições da vida; os sensatos aprendem com tudo e com todos. Já os tolos, convencidos de que tudo sabem, trope
Sexta-feira, 6 de março de 2026 | Porto Velho (RO)