Sexta-feira, 6 de março de 2026 - 07h57

ENGLISH VERSION
ATTACHED
A poucos metros de uma
faixa celebrando excelência ambiental em uma escola privada cristã, localizada
na área metropolitana de Washington DC —
mais
precisamente no Condado de Montgomery — a vegetação ao
redor revela uma realidade bem menos inspiradora. Entre garrafas plásticas,
embalagens descartáveis e outros resíduos esquecidos entre os arbustos, emerge
um contraste que dispensa grandes explicações: de um lado, o discurso
institucional da sustentabilidade; de outro, a prática
cotidiana que parece não acompanhar a retórica.
Curiosamente, essa
mesma escola — cujo nome do santo prefiro não mencionar — costuma organizar
passeios ecológicos primaveris com
seus alunos, atividades destinadas justamente a estimular a consciência
ambiental e o respeito pela natureza.
Talvez houvesse aí uma
oportunidade pedagógica ainda mais rica:
iniciar esse aprendizado no próprio entorno da
escola. Parte dos estudantes poderia dedicar alguns minutos dessas atividades à
coleta de resíduos durante o passeio, com
reconhecimento simbólico aos que
mais contribuíssem para a limpeza do local.
Além do evidente
aprendizado ambiental, tal iniciativa também cultivaria
algo igualmente essencial: a consciência social cidadã e a prática do
voluntariado — valores fundamentais para a formação de adultos
empáticos, responsáveis e comprometidos com o bem coletivo.
Porque, em última análise,
a educação ambiental não se constrói em slogans,
certificados ou faixas comemorativas. Ela se consolida nas pequenas atitudes
que transformam o espaço coletivo e cultivam o senso de responsabilidade pelo
mundo que compartilhamos — uma tarefa que
interpela diretamente professores e administradores do sistema educacional.
Se um contraste como
esse pode ser observado justamente na capital do país considerado um dos mais
desenvolvidos do planeta, é inevitável imaginar a
dimensão das agressões ambientais em tantas outras partes do mundo, onde a
natureza agoniza sufocada e paisagens inteiras acabam transformadas em
verdadeiros depósitos de lixo.
Nesse cenário, fauna e flora — que compartilham
conosco o mesmo habitat no qual fomos acolhidos pela própria
natureza — acabam submetidas a um castigo injusto, fruto
direto da negligência humana.
Seres inofensivos e
vulneráveis da criação de Deus, como acreditam os criacionistas, transitam
silenciosamente por esses espaços: passarinhos, esquilos, patos, guaxinins,
raposas, veados e tantos outros animais que dividem conosco o mesmo ambiente
natural. Alguns, infelizmente, já deixaram marcas discretas de sofrimento — pequenas
pegadas manchadas de sangue após se ferirem em
cacos de vidro, garrafas quebradas ou fragmentos metálicos abandonados
criminosamente entre a vegetação.
Não se trata apenas de
uma questão estética ou urbana.
Trata-se de uma agressão silenciosa aos delicados equilíbrios da vida. Diante
disso, é impossível não sentir
uma legítima indignação — acompanhada da
inquietante preocupação com o futuro que estamos legando às
próximas gerações.
A natureza sempre nos
acolheu com generosidade. Talvez tenha chegado o momento de demonstrarmos que
somos dignos dessa hospitalidade — e de provar que somos,
de fato, seres racionais e civilizatoriamente evoluídos.
P.S.:
Talvez, em um próximo passeio ecológico organizado pela
escola, além das explicações sobre sustentabilidade e consciência ambiental, os
alunos possam dedicar alguns minutos para recolher o lixo espalhado na vegetação
ao redor do próprio campus. Seria uma oportunidade simples de alinhar discurso
e prática — e, quem sabe, transformar uma aula teórica em um gesto concreto de
respeito ao meio ambiente e aos pequenos animais que ali vivem.
___________
Comentários
O texto me impressionou por apresentar um contraste
muito interessante entre o discurso institucional sobre sustentabilidade e a
realidade observada no entorno imediato. Essa abordagem, baseada na simples
observação dos fatos, acaba sendo bastante eficaz, porque não depende de acusações
ou exageros — o próprio contraste fala por si.
A presença de lixo na
vegetação ao redor de um local que celebra valores ambientais revela algo que
vai além de um problema pontual de limpeza. Ela nos convida a refletir sobre um
desafio mais amplo: a distância que muitas vezes existe entre aquilo que
declaramos como princípio e aquilo que efetivamente praticamos no cotidiano.
Achei particularmente
relevante a lembrança de que o impacto desse descuido não se limita à paisagem
urbana. Pequenos animais — pássaros, esquilos, patos, guaxinins, raposas,
veados e tantos outros seres que compartilham esses espaços conosco — acabam
sendo vítimas silenciosas desse tipo de negligência.
Talvez a mensagem mais
valiosa do artigo seja justamente a ideia de que educação ambiental não se
transmite apenas em discursos ou atividades pedagógicas formais. Ela começa,
antes de tudo, no cuidado concreto com o espaço que habitamos.
Uma reflexão oportuna e
necessária.
— Fátima Arbidron - Olney, Maryland.
____________________
ENGLISH
Sustainability Rhetoric, a Banner of Excellence — and the Trash in the Bushes
Not far from a banner
celebrating environmental excellence at a private Christian school in
Montgomery County, just outside Washington, D.C., the surrounding vegetation
tells a very different story.
Among the bushes lie
plastic bottles, disposable packaging, and other litter quietly scattered
across the ground.
The contrast is
striking — and requires little explanation.
On one side stands the
institutional language of sustainability. On the other, the everyday reality
that seems unable to keep pace with that rhetoric.
Ironically, the same
school — whose saint’s name I prefer not to mention — regularly organizes
spring environmental outings for its students. These activities are designed to
encourage ecological awareness and respect for nature.
Perhaps there is an
even more meaningful educational opportunity waiting just outside the classroom
door.
During these outings, a
few minutes could be dedicated to collecting litter around the school grounds.
Students could take pride in leaving the place cleaner than they found it,
perhaps even receiving symbolic recognition for their contribution.
Beyond the obvious
environmental lesson, such an exercise would nurture something equally valuable:
civic responsibility and the spirit of volunteerism — essential qualities in
the formation of thoughtful, engaged citizens.
Because environmental
education is not built on banners, certificates, or institutional slogans.
It begins with small,
concrete actions — the kind that shape habits, transform shared spaces, and
cultivate responsibility for the world we inhabit.
If a contrast like this
can be observed in the capital region of one of the most developed nations on
Earth, one cannot help but wonder about the scale of environmental neglect in
many other parts of the world, where landscapes increasingly resemble open
dumping grounds.
In such environments,
wildlife inevitably pays the price.
Birds, squirrels,
ducks, raccoons, foxes, deer, and countless other creatures move silently
through these spaces we share with them. Some leave behind small but tragic
signs of suffering — faint traces of blood in their tracks after being injured
by broken glass, shattered bottles, or sharp metal fragments discarded carelessly
among the vegetation.
This is not merely a
matter of aesthetics or urban tidiness.
It is a quiet assault
on the fragile balance of life.
Nature has welcomed
humanity with remarkable generosity.
Forests, rivers,
animals, and landscapes have sustained us long before we learned to call
ourselves civilized.
The question is no
longer whether nature has done its part.
The question is whether
we are capable of doing ours.
P.S.:
Perhaps
on a future ecological outing organized by the school, in addition to the
lessons about sustainability and environmental awareness, students might take a
few minutes to collect the litter scattered in the vegetation around the campus
itself. It would be a simple opportunity to bring practice into alignment with
principle — and perhaps turn a theoretical lesson into a quiet, meaningful
gesture of respect for the environment and for the small animals that live
there.
_______________
Reader Comment
What makes this article
particularly effective is its restraint. Rather than relying on accusations or
exaggeration, it simply presents a contrast that speaks for itself.
The presence of litter
in the vegetation surrounding a place that publicly celebrates environmental
values reveals a deeper issue: the frequent gap between what institutions
proclaim and what is actually practiced in everyday life.
Equally important is
the reminder that this negligence does not affect only the landscape. Small
animals — birds, squirrels, ducks, raccoons, foxes, deer, and many other
creatures — often become the silent victims of human carelessness.
Perhaps the most
valuable point raised by the article is that environmental education does not
begin with speeches or official programs. It begins with something far simpler:
caring for the space we occupy.
A thoughtful and timely
reflection.
— Fatima Arbidron
Olney,
Maryland
Sexta-feira, 6 de março de 2026 | Porto Velho (RO)
Ignorância Política Popular: o Circo da Democracia
Puteiro Don Camurcio — No picadeiro da política, os atores divertem-se; quem paga o ingresso é sempre a plateia.Conta-se uma velha anedota.Certa vez

ENGLISH VERSION ATTACHED “A compaixão pelos animais está intimamente ligada à bondade de caráter; e pode-se afirmar com segurança que quem é cr

Onde a Conquista Encontra o Silêncio
Ainda sob o efeito da serena — e por vezes silenciosa — sensação de dever cumprido que se segue à aceitação formal pelo United States Patent and Trad

A natureza ensina em silêncio — aprende quem deseja
Pessoas humildes aprendem com as próprias lições da vida; os sensatos aprendem com tudo e com todos. Já os tolos, convencidos de que tudo sabem, trope
Sexta-feira, 6 de março de 2026 | Porto Velho (RO)