Domingo, 22 de fevereiro de 2026 - 13h15

Nesse
texto procurei sintetizar as respostas que forneci à revista da PUCMG. Não
alterei o sentido, nem a estrutura do texto, e adotei esse caminho de
“soberania analítica” como sendo a somatória de múltiplos fatores.
1.
Em que medida a dependência de tecnologias estrangeiras
(Big Techs) configura uma forma de "colonização digital"?
Isso que você chamou de
“colonização digital”, penso que é a aparência visível da fase atual do
capitalismo. É a aparência que nos relata sua hegemonia; é a aparência que
ilustra a essência. A hegemonia do Capitalismo Digital está pautada pelas
chamadas “novas tecnologias do século XXI”. O problema está em diminuir a
distância que nos separa do centro de poder, mas sem inventar a roda – e não
vejo outra forma que não passe pelo fomento, investimento maciço em
instituições públicas devotadas à produção da Ciência e da tecnologia. Além
disso, nesse Capitalismo Digital, hoje enfrentamos a pejotização e a
uberização, tanto quanto o pensamento escravista se alimenta da exploração do
trabalho análogo à escravidão. De forma trágica, no Brasil convivem passado e
futuro – e quase nunca no que podemos destacar como o “melhor” de suas
apresentações.
2.
A denominada “nova geopolítica da agenda digital” é
dominada por corporações multinacionais e extraterritoriais, como empresas de
tecnologia dos Estados Unidos e da China. Neste cenário, como fica a soberania
brasileira?
A soberania é uma, algo
que não se divide ou parcela. Não há uma fração de soberania e, por isso, não
empregamos o superlativo: soberaníssimo. Desse modo, a soberania territorial –
por exemplo, o controle nacional sobre a Amazônia –, a soberania energética (no
melhor sentido da Petrobrás), a soberania popular – se conseguirmos anular os
negacionistas da urna eletrônica –, estão justapostas à “soberania digital”. A
própria substituição – que será gradativa – das fontes energéticas, sobretudo
petróleo, passará pela utilização massiva das “terras raras”: a Guerra da
Ucrânia também se explica por isso. Como sabemos, o Brasil tem a segunda maior
reserva desses minerais, atrás apenas da China. E é por esse caminho que me
parece haver uma possibilidade para nosso melhor posicionamento no cenário
global. No entanto, resta-nos saber como se dará esse processo, pois, se
praticamente exportamos somente matéria prima, sem valor agregado, sem o
princípio da transformação, é preciso entender a extensão do problema, para aí
fazermos uma escolha decisiva. Sem que se mude essa lógica (a
desindustrialização é uma ponta disso), a subalternidade brasileira não será
rompida. O que nos traz de volta ao Capitalismo Digital e às forças de domínio
apontadas pelo conjunto das Big Techs, Data Centers/Big Datas, Bets. É o novo
BBB do poder, assim como vemos as bancadas da Bala, Boi, Bíblia. Será que as
forças locais, de atraso e retrocesso – limitadas aos costumes e ao sistema de plantation
–, têm noção do desafio que se coloca para a soberania nacional? Será que o
passado guardado por essas forças políticas embrutecidas não irá se chocar com
o presente indicado pelos desafios da soberania brasileira e também pelas
possibilidades abertas, negando-se, outra vez, uma chance para o futuro?
3.
Há mais alguma informação sobre este tema a qual o senhor
gostaria de se referir?
Penso que o tema do
Capitalismo Digital, e que não é uma expressão nova, necessita de mais aportes
de investigação. Ainda que expresse a hegemonia atual, não é o tema de hoje.
Porém, em associação com a Inteligência Artificial, no estágio em que já é
praticada, nos impõe um dever de conhecimento. Afinal, a força dos algoritmos
(disruptivos) é evidentemente uma ameaça (talvez a mais séria) à soberania.
Mas, não é só isso, é a força desconstituinte da Inteligência Social, da
sociabilidade como a conhecemos. Neste ponto de convergência entre Ciência,
tecnologia e sociedade, temos a predominância das redes sociais, que chamo de
antissociais, e a total precarização da vida social. Neste sentido, o que
pensamos acerca da urgência de uma Educação pautada pela Emancipação se
equipara aos esforços nacionais pela soberania. É óbvio que não se pode falar
do Princípio da Autodeterminação dos Povos, de descolonização, de afirmação, se
não vigora a liberdade. Não há como, pelo exercício da lógica, tratarmos de
soberania sem Emancipação.
4.
Como posso identificá-lo nesta reportagem?
Sou professor titular
da UFSCar, Doutor em Ciências Sociais e em Educação.
Domingo, 22 de fevereiro de 2026 | Porto Velho (RO)
Educação: ponte ou obstáculo para o futuro?
Pensemos que, mesmo afogados por tantos ataques à educação, com a protuberância de concepções ideológicas retrógradas – como ocorre com a puni

Abdução Social - Educar pelo pensamento
Pensar é uma das principais condições humanas, é o que nos faz distintos de outros animais e ainda que muitos deles tenham senciência, um tipo de co

Superando-se a fase basilar de que apenas com condições materiais de trabalho minimamente presentes, com jornadas que não excedam 20 horas, co

Onde foi que erramos, tanto? - Análise fundamentalista
Quem curte Habermas (não é o meu caso), teria no Master um caso clínico (e cínico) para a perfeita demonstração dos "efeitos da imoralidade absoluta
Domingo, 22 de fevereiro de 2026 | Porto Velho (RO)