Sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026 - 10h05

Pensemos
que, mesmo afogados por tantos ataques à educação, com a protuberância de
concepções ideológicas retrógradas – como ocorre com a punição de vítimas –, com
negacionismos em afronta à racionalidade, crescimento do racismo, da misoginia,
o aprofundamento da desigualdade social, e mais, sempre convergindo para a
“normalização da exceção” – quando a regra deveria ser o oposto do retrocesso
moral/social –, mesmo com tudo isso, a Educação está colocada no centro de uma ativa
luta política.
Pensemos que não são apenas pautas consideradas
impensadas dez anos atrás – como a militarização das escolas, o ensino
religioso e disciplinas impostas na linha da “educação financeira” –, como, além
disso, são corroídas, corrompidas, e estão desabando as garantias e algumas
poucas reservas de qualidade científica, filosófica, ética.
Nessa esteira, disciplinas como sociologia e
filosofia, antes combativas, hoje são combatidas com a imposição de propostas e
implementações institucionais. Se antes eram disciplinas obrigatórias, com
fundamentos no desenvolvimento do raciocínio lógico-dedutivo e na avaliação racional,
conceitual e crítica (histórica) que expõe o Brasil como um país cindido,
aterrorizado com a desigualdade e a miséria social, hoje estão escanteadas por
estruturas neoliberais, utilitaristas, tecnicistas.
Se o fundamento, além de moral e social
(combater as injustiças, a desigualdade), era a fonte que “provocava” uma
reflexão a partir das condições materiais existentes e das subjetividades que
daí pudessem surgir, isso ainda fomentado enquanto pensamento crítico –
epistemologicamente correto – e capaz de encetar e de concatenar a realidade
mediante as situações objetivas, promovendo-se o desenvolvimento analítico e
crítico, hoje, pensemos com a certeza do realismo que, além de se desprezar
tudo isso com normativas e instrumentação institucional, a mera burocracia que
apenas emperra o pensamento criativo, ainda se (re)produz uma “cadeia de
comando economicista” no horizonte de eventos: essa da irracionalidade e da
injustiça acachapante.
Um exemplo seria suficientemente lógico para
vermos a consequência, pois, se somos estimulados a verificar e avaliar os
níveis existentes de injustiça (sem que isso ocorra como ato cínico), se somos
educados para pavimentar valores, princípios e pressupostos a partir dos quais
a desigualdade jamais pode ser confundida com diversidade, então, o que se
espera ao final desse processo?
Sem nenhuma consideração ao cinismo, à apatia
dolosa, programada, instituída, espera-se e podemos pensar, por óbvio, que essa
reflexão lógica e crítica nos direcione a alguma forma de ação. Perpassada pela
indignação diante do descalabro, da miséria e da irracionalidade crescente,
esse pensamento crítico, “inculcado como a metodologia viável” – especialmente
na escola pública –, nos indica que a ação de transformação será a resposta
seguinte àquela inicial indignação. Essa conclusão lógica só pode desencadear
em ação não-conformista, como consciência do que do que precisa ser feito.
Mais ainda, é preciso pensarmos como clareza,
porque é muito fácil percebermos como nesse exemplo simples se justapõem a
filosofia e a sociologia – e isso nos comprova, se seguimos a racionalidade a
partir da realidade que nos engloba, como devem ser obrigatórias na educação
pública.
Essa constatação que apresentamos como exemplo
não é uma posição ideológica, militante, é um pensamento lógico, com conclusão
racional, sobretudo se pensarmos que a práxis, como forma legítima da ação
humana, é formada, precisamente, pela nossa capacidade de associar reflexão
(indignação) e ação (transformação).
Ou seja, se a reflexão que propomos é honesta
(lógica e ética) devemos retomar o pensamento lógico de que a ação exige
transformação profunda, mormente porque temos em vista que a injustiça social é
a regra da sociedade capitalista, mas, além disso, é a matriz da sociedade
brasileira, herdeira de uma escravidão secular, do racismo que prolifera, da
misoginia e do ódio social.
Neste sentido, está claro como se opõem duas
visões de mundo, em conformidade com “o que vemos, pensamos e como agimos no mundo”: (i) Uma, aquela que decorre
do militarismo, da negação do Estado laico, da imposição de uma suposta
“educação financeira” – quase que exclusivamente para pobres, negros e
oprimidos –, é impostora da racionalidade, é negacionista da realidade social e
se apresenta, obviamente, como projeto político baseado numa relação de domínio
(daí o obscurantismo que resplandece atualmente), e (ii) a outra, sendo esta
pautada na melhor educação pública possível, de qualidade, republicana,
acessível e inclusiva: dirigida e direcionada, do começo ao fim, pela
autonomia, emancipação, isonomia e equidade.
Portanto, como consequência, outra vez lógica, devemos
pensar que o projeto atual domínio como escrutínio (e não a “dominação
racional, ética, legalmente democrática”), enquanto o outro, que destacamos
como “o que deve ser”, tem por eixo o conhecimento aprofundado, constituído
socialmente por meio da práxis (reflexão lógica e ação responsável), a exigir
mudanças e transformações condizentes com alguma ideia razoavelmente de futuro
planejado, esperado, socializado em alcance e realização por todos os
indivíduos subalternizados e oprimidos.
Todavia, como vimos, os nossos atuais atavismos
estão em estreita comunicação com os piores males sociais e morais,
absolutamente danosos, que nossa história pôde constituir.
Por fim, também não seria necessário esclarecer
– ainda que estejamos tratando com o Esclarecimento – mas, assim concluímos com
a nota de que a Educação do futuro depende muito mais da reflexão e da ação
(conjugadas socialmente no presente) do que de técnicas refinadas e
ilusionistas da modernidade.
No mesmo sentido lógico, basta dizer que esse futuro emprenhado é devedor do presente malnutrido pelo passado que teima em ficar; do passado vieram a indiferença, a apatia, o comodismo, a recorrente “alienação” e, no presente, vemos, com a licença poética, insculpir-se um tipo de Abdução social, algo como um profundo desprezo confesso, publicamente, pela mínima sociabilidade. Se o presente ainda é absolutamente predizível, por óbvio, o futuro já é quase todo previsível – a pensarmos que o domínio atual está longe de uma solução ética e social. Portanto, é claro que não haverá amanhã sem resolver, consertar, modificar profundamente o presente – esse mesmo que se agarra de forma irrefutável ao passado.
· A leitura atenta
revelou o emprego repetido do verbo “Pensar” e isso foi proposital, uma vez que
não há Educação sem pensamento crítico, criativo, propositivo.
Sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026 | Porto Velho (RO)
Abdução Social - Educar pelo pensamento
Pensar é uma das principais condições humanas, é o que nos faz distintos de outros animais e ainda que muitos deles tenham senciência, um tipo de co

Superando-se a fase basilar de que apenas com condições materiais de trabalho minimamente presentes, com jornadas que não excedam 20 horas, co

Onde foi que erramos, tanto? - Análise fundamentalista
Quem curte Habermas (não é o meu caso), teria no Master um caso clínico (e cínico) para a perfeita demonstração dos "efeitos da imoralidade absoluta

Quando a exceção deixa de ser ruptura, o extraordinário se disfarça de regra. Revisitando o golpe de Dilma Rousseff, a tentativa de golpe de 08 de j
Sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026 | Porto Velho (RO)