Terça-feira, 6 de janeiro de 2026 - 17h40

Vinício Carrilho Martinez
@viniciocarrilhomartinez
https://www.youtube.com/c/ACi%C3%AAnciadaCF88
Arlei Olavo Evaristo – doutorando PPGCTS/UFSCar
Ester Dias da Silva Batista – licenciada em
Biologia/UFSCar
Lucas Gonçalves da Gama – licenciado
em Filosofia/UFSCar
Izabela Victória Pereira – estudante
de Filosofia/UFSCar
A ideia mais simples indica que a vida social,
econômica, os registros bancários, nossa imersão cultural, a comunicação que
recebemos, os nossos dados de educação e de saúde pública (os remédios que
compramos), toda a nossa institucionalidade (o famoso RG, o CPF, os registros
da carteira de trabalho), os e-mails de docentes de universidades federais –
com sua base no Google –, e até mesmo a urna eletrônica, tudo isso passa por
alguma plataforma digital.
Portanto,
não estamos invisíveis, e seremos ainda mais avistados quanto mais entrarmos
neste “circuito digital”. Aliás, o próprio Whatsapp emitiu um aviso para
administradores de grupos ativarem um comando de privacidade, para que a IA não
“pescasse” as conversas.
Isso
revela a venda de nossos dados digitais (pegadas) para empresas de marketing
que irão, em seguida, repassar para nós mensagens publicitárias. E há mais, no
sentido de que nossos dados, estão alimentando extensas bases de dados
(internacionalizadas) e, assim, estamos nos inserindo (meio gratuitamente, como
“servos voluntários”, diria Bauman) numa rede, malha digital que nos vigia e
controla – sempre a serviço das Big Techs, as empresas bilionárias de controle
digital, como a Amazom, o Google, a Microsoft, a Meta. Nosso texto apresenta
cinco leituras básicas e complementares sobre esse tema.
Mutação da técnica em tecnologia -
Gutemberg
Os dias atuais estão imersos em
tecnologias diversas, desde coisas simples como TVs, computadores e celulares
até assistentes virtuais, redes sociais com algoritmos que perfilam o usuário
em poucos minutos e inteligência artificial embutida em qualquer aparelho
possível. Antes de termos toda essa tecnologia disponível em nossas mãos foi
necessário um árduo desenvolvimento da técnica. Os gregos eram expert na
técnica, especialmente por ela estar estritamente ligada à moral.
Esse
aprimoramento tecnológico passou pelos gregos, os quais buscavam uma vida mais
virtuosa e, por conta disso, buscaram desenvolver coisas que facilitassem suas
vidas para que pudessem se dedicar ainda mais à arte e à polis. Uma
lógica parecida foi aplicada por outros povos, como os romanos e seus aquedutos
e, muito posteriormente algo que revolucionaria o mundo de uma forma
inimaginável: a prensa de Gutenberg.
Este
marco pode representar um possível momento de cisão entre a produção técnica e
produção tecnológica. A produção técnica é essencialmente manual, realizada por
artesãos, marceneiros, ferreiros, confeccionando peças únicas e exclusivas.
Enquanto a produção tecnológica se apresenta em maior volume, como a própria
prensa de Gutenberg fez para imprimir os documentos bíblicos e que, a partir do
século XVII, resultaria nas revoluções industriais. Hoje, o “produto é você!”.
A invisibilidade dos diferentes nas redes
A prometida revolução digital não mudou as bases
da vida social. As tecnologias avançaram, mas ainda servem como cenário para
antigos comportamentos e decisões. Os recentes casos de violência contra
mulheres mostram isso: nas redes sociais, as agressões são naturalizadas e,
mesmo quando denunciadas, os comentários continuam culpabilizando as vítimas.
O desenvolvimento técnico, nesse aspecto, segue
sem progresso ético. A violência de gênero funciona como uma mensagem social
que expõe a vulnerabilidade das instituições e a permanência do patriarcado. Do
mesmo modo, a tecnologia está longe de resolver essas falhas: ela apenas as
automatiza, desmontando a ideia de neutralidade nas decisões das máquinas.
Esse horizonte também é atravessado por outro
fenômeno: a troca de antigos movimentos de mobilização social por um
engajamento rápido e superficial. Lutas históricas deram lugar a dinâmicas
virais, marcadas mais pela busca por seguidores do que pela participação
política. A cultura digital favorece essa atuação imediata e pouco reflexiva.
Quando a responsabilidade social é transferida para sistemas automatizados,
surge um risco essencial: não se trata de uma revolução tecnológica, mas da
perda da capacidade de enfrentar problemas estruturais e reconhecer o próprio
papel cidadão.
O fim do ensino de filosofia, para
educação financeira.
A recente reforma do ensino médio
(Lei nº 14.945/2024) representa um aprofundamento do processo de precarização
do ensino público, intensificando ainda mais as desigualdades já existentes na
educação brasileira.
A reforma diminui a carga horária
comum, com ênfase em ciências humanas (exemplos: filosofia, história, artes e
sociologia), e aumenta a carga horária de itinerários formativos, que são
matérias interdisciplinares (ex: educação financeira). A exclusão da disciplina
de filosofia faz com que os estudantes deixem de ter acesso a uma formação
crítica como indivíduos na sociedade.
O ensino básico público foi
submetido à nova reforma do ensino médio, a qual reduz a carga horária destinada
às áreas de ciências humanas e biológicas, e introduz disciplinas
interdisciplinares sem planejamento e estrutura adequados. Em contraste, o
ensino privado, em sua maioria, mantém o modelo anterior, enquanto os
vestibulares para o ensino superior permanecem inalterados. Esse contexto
evidencia a reprodução de desigualdades educacionais no Brasil, na medida em
que a escola pública tende a direcionar seus estudantes à inserção precoce no
mercado de trabalho, ao passo que o ensino privado continua voltado à
preparação para o ingresso nas universidades. Retirar o ensino de Filosofia é
proposital, pois, a crítica não é interessante ao capital.
Pasteurização do trabalho humano
O cenário introduzido pela nova “revolução
tecno-científica” (século XXI) nos impôs o controle algoritmo e a negação da
política. Se, por um lado, o trabalho não pago realizado nas redes alimenta o
capital (Big Techs), no outro
sentido essas corporações impõe uma
lógica de produção laboral, que elimina a singularidade, a crítica e a complexidade
humana em favor de um produto consumível, viralizável, que o pensador
venezuelano Ludovico Silva denominou como mais-valia ideológica, onde o
trabalhador mesmo fora de seu ambiente de trabalho produz e valida a ideologia
das classes dominantes.
A pasteurização, processo originalmente
conhecido na bioquímica, como um processo térmico para eliminar os micro-organismo
patogênicos, serve como uma metáfora precisa para que os algoritmos eliminem o
trabalho vivo (Trabalho Humano), se prevalecendo do trabalho morto, ou seja,
automatizando ao máximo as tarefas.
O trabalho perde seu sentido de classe, seus
direitos sociais e trabalhistas, a criatividade humana é substituída pela
repetição de fórmulas e modelos que os algoritmos determinam e com isso a
reflexão crítica é sufocada. A pasteurização precariza as condições materiais
da existência humana e esteriliza a ontologia do ser. É preciso reintroduzir a capacidade
humana com suas falhas, imprevistos e o pensamento crítico nas engrenagens do
sistema.
Quarta-feira, 7 de janeiro de 2026 | Porto Velho (RO)
O alto custo da "apropriação" - traição
Alguém já leu Neuromancer?Tem gente nervosa no WhatsApp, divulgando videozinho de Instagram associando o romance ao sequestro de Maduro. Deveria ter f

*8 de Janeiro Os Kids pretos e o GSI de lá tiveram efeito, deram resultado satisfatório ao golpismo. Lembremos que, do lado de cá, o modus operandi

Capitalismo Digital - Mais valia onírica
É bem provável que muitas outras abordagens, em linhas diversas desta aqui, tenham adotado esse título ou assemelhado, a fim de esboçar essa p

Quando chega essa época, penso em algumas coisas:1. Aprendi quando criança que o espiritualismo tem o princípio de que não há pena perpétua: todos po
Quarta-feira, 7 de janeiro de 2026 | Porto Velho (RO)