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Vinício Carrilho

PITA


PITA - Gente de Opinião

        Pita foi um bom jogador de futebol, com passagens pelo Guarani e pelo São Paulo. Pitágoras foi um precursor da filosofia grega clássica e, provavelmente, o fundador da matemática, com o seu mais famoso Teorema: “O quadrado da hipotenusa é igual à soma dos quadrados dos catetos”. E agora o Brasil soube gerar e procriar o PITA – acrônimo que define o “portador de inteligência totalmente artificial”.

            É um ser iluminado, esse PITA, só que não pelas luzes do Iluminismo, da ciência, do conhecimento, da filosofia, do humanismo. O PITA é iluminado por uma vela, uma vela solitária.

          Dizem que o PITA é assim por causa da enorme identificação que tem (mantém, diuturnamente) com a tecnologia das redes sociais. Dizem ser tão grande que ele próprio criou seu vulgo: portador de inteligência totalmente artificial. Dizem ainda que no começo era “altamente artificial”, mas, com a evolução do liame cognitivo, chegou ao ápice, como totalmente artificializado.

          Diante dessa implacável admiração pela “liberdade das Fake News” e da apologia às suposições do Movimento Metafísicos Sem Fronteira (quase um Médicos Sem Fronteiras) – sim, porque se espalham pelo mundo como os pombos e seus piolhos –, o PITA só precisa de uma pequena réstia de luz cerebral.

          Com a Era PITA, a conexão entre os neurônios (sinapse, para os reles mortais, como nós) não mais seria necessária, pois, na outra ponta estaria a inteligência totalmente artificial. Nesta nova era basta um neurônio aqui, outro ali, e o PITA está iluminado – igual a uma árvore sem Natal.

          O PITA é aquele indivíduo que se identifica com o mito caído, a quem ele define como “Líder-fetiche” (é sério, já li essa declaração de amor platônico, não a inventei). E é por isso que o PITA só precisa de um neurônio.

          O PITA não apenas se conforma com seu único neurônio (na solidão da humanidade), quanto agradece à metafísica celeste e se vangloria desse fato, pois, na dúvida se este único neurônio errou (ou pecou) em pensamento, a IAA (Inteligência Altamente Artificial, do PITA) haveria de fazer as correções de prumo.

          O padrão e a nota de corte, é claro, seguem as Fake News e a especulação metafísica que o Líder-fetiche destila e desfila como ninguém. Porém, o PITA não estanha o fato. Afinal, tem a cognição resumida a uma vela apagada.

          Para o PITA, velas acesas não são consumistas, são comunistas – porque iluminam demais e, assim, ofuscam sua IAA: inteligência altamente artificial. De qualquer modo, o PITA (também como metafísico-mor do Líder-fetiche: aquele do mito caído) é o primeiro, é genuíno, é brazuca na espécie, de uma evolução em invólucro: um tipo de cérebro envelopado in vitro. Por isso, como ser totalmente artificializado, é o detentor desse título inelegível de PITA.

          Agora, meu primeiro e último pedido é para você enviar o texto a algum PITA que conheça, exatamente, para a confirmação dos agraciados que fiz aqui.

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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