Sábado, 14 de março de 2026 - 10h20

O título
é óbvio demais, é a obviedade ululante de Nelson Rodrigues. Por isso vou gastar
pouquíssima tinta com esse caso.
Fiquei tentando a explicar por meio de
uma analogia, que seria dita por algum professor maldoso que já tive. Ele(s)
diria(m) assim: “todo ser vivo come, e faz cocô!”. Sim, teria uma exclamação e,
por si, te levaria a pensar no quanto você foi esperto.
Pois bem, vamos dar um crédito a quem
formulou essa “crítica”, sem a acidez de algum dos meus antigos professores.
Nesse caso, a sentença viria
acompanhada de uma conclusão: “O mercado só visa lucro, por isso, a
privatização de serviços essenciais não traz benefícios à população”.
Desde aquelas aulas ácidas que tive, e
depois estudando bastante, eu concordo com tudo. Primeiro, “o mercado só visa
lucro” (sic) porque estamos sob as regras do capitalismo e o mercado é o seu
Deus; então, pela lógica, o mercado não visa o prejuízo” – a não ser que seja o
prejuízo do patrimônio público, em vias de privatização.
Neste
caso, em segundo lugar, é preciso dizer que nem todo serviço público atende à
população. O SUS é um exemplo magnífico de prestação de serviços sociais na
saúde pública. O SUS é o oposto da saúde privatizada nos EUA e que, sem planos
de saúde, põe mais de 50 milhões de pessoas em estado catastrófico, à beira da
rua ou da morte. Então, também concordo com a sentença completa: “O marcado só
visa lucro, a privatização não é boa”.
Porém,
reforço a ideia de que nem todo serviço público presta atenção nas pessoas
pobres e que mais necessitam. Diria até que algumas entidades são criadas pelo
Poder Público apenas para empregar os parças ou simplesmente desviar, drenar,
dinheiro público. Há muitas com esse perfil.
Em
todo caso, desde muito jovem fui obrigado – pela lógica e condição cognitiva –
a crer, ver (= com teoria) o mercado destruindo ou privatizando o Estado – a
indústria de pedágios em São Paulo conta bem essa história –, além de muitas
outras vezes em que o mercado fagocitou o aparato público.
A
quintessência capitalista é a obtenção de lucro e se faz isso com a exploração
da força de trabalho, com a extração de mais valia, combinando-se com o
desregulado comércio consumista e a consequente degradação ambiental. A fórmula
econômica mágica é D-M-D’ (Marx no Capital). Hoje os nossos dados digitais
também são vendidos.
Enfim,
o que se apresenta como crítica severa, aguda, altamente chamativa de nossa
atenção (“O mercado só visa lucro”), não passa da descoberta de uma criança de
cinco anos.
Sábado, 6 de junho de 2026 | Porto Velho (RO)
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