Segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026 - 11h26

A
entronização do que chamo de Necrofascismo apenas agravou a ocorrência de
crimes contra as mulheres, mas, não só contra as mulheres. Nunca poderemos
esquecer e nem duvidar de todo o Mal trazido com a negação da Vacina da
COVID-19 e dos demais crimes cometidos contra o povo pobre, negro e oprimido.
Porém, sempre é preciso olhar a história com atenção para não se limitar,
muitas vezes de forma reduzida ao lamento esporádico, somente para o fenômeno
que salta aos nossos olhos.
É
sempre urgente uma análise a contrapelo, diria Walter Benjamin, para se
vasculhar a sujeira do esgoto que infesta a sociedade, a cultura, os governos e
o Estado brasileiro. Olhando brevemente para o passado próximo, veremos o Golpe
de Estado de 2016 e as menções bestiais do machismo e da misoginia contra a
presidenta Dilma. Se quisermos voltar um pouco mais, nos bastaria lembrar das
torturas que civis e militares aplicavam nas mulheres, durante a ditadura do
pós-1964. A barbárie é indescritível neste espaço. Se alguém quiser voltar a priscas
eras irá se lembrar do Homem das Cavernas, que era negacionista de Platão, e da
regra de que “o estupro é uma arma de guerra”. Aliás, muito empregada
atualmente.
Devemos
nos lembrar, e marcar no mapa cultural, o que os senhores faziam com as escravas,
aqui mesmo, neste país. E esse é o ponto em que precisamos ter clareza, pois, é
nesse caldo de cultura assassina que se afirma o que temos de pior enquanto
povo. As mulheres, em geram, eram vistas como propriedades dos Senhores de
escravos, mas, as mulheres negras, assim como todos os escravos, eram vistas
como coisas, objetos, oprimidas num status legal abaixo dos animais semoventes:
a mulher branca era negociada em casamento imposto, vendida em dotes ou lotes
de terra, mas não era um animal de trabalho. A mulher branca era tida como um
ser humano, ainda que reduzida em tamanho quando comparada ao poder masculino.
Chamava-se isso – até recentemente – de pater famílias, ou seja, a
família toda pertencia ao pai.
A
mulher negra e escravizada, por sua vez, era mero objeto de consumo sexual do
Senhor de escravos, além do que lhe era imposto como trabalho forçado. Se a
mulher branca, casada pela troca de dotes com o Senhor de escravos, descobrisse
ou encanasse que a “mulata” lhe tirava atenção, se o homem branco violador lhe
desejasse mais, tivesse menos tempo e energia para os atos conjugais, aí era a
mulher negra barbarizada por outra mulher, exatamente, a mulher branca casada
com o dote.
É
desse esgoto da história que vem nossa cultura, sempre reafirmada no que há de
pior, na dor e no estupro historicamente sacramentado contra as mulheres. É
desse esgoto que vem o machismo e a misoginia que assassinam quatro mulheres
por dia no país, pela simples motivação de serem mulheres. É esse quadro
cultural que não demolimos com a Abolição, muito menos com a Independência e
menos ainda com a República. É esse quadro que obrigou à criação do tipo penal
conhecido como “Feminicídio”.
E
precisamente por isso que precisamos de uma Política de Estado contundente,
efetiva, com recursos, estrutura institucional, imposição legal e, é claro,
previsão constitucional e orçamentária. Não sei se isso demolirá um passado tão
asqueroso quanto o nosso, fazendo inveja à Santa Inquisição, porém, é certo que
sem uma efetividade institucional, vale dizer constitucional, aí sim, não
sairemos do nível do “epifenômeno”, sem dar luz às causas e raízes autofágicas.
Diante dessa barbárie que assassina quatro mulheres todos os dias, simplesmente
porque são mulheres, lamentar não ajuda nada, pelo contrário, só desalinha uma
hipocrisia que dura séculos.
Portanto, dizendo claramente mais uma vez, o
feminicídio não se esgota em 2018, muito menos começou em 2018. Pode-se dizer
que piorou após a eleição do Fascismo? Claro que sim, isso é óbvio, está acima
de qualquer suspeita. Numa parcial de 2025, passamos de quatro mulheres
assassinadas, todos os dias no país, pelo simples e inequívoco fato de serem
mulheres. No entanto, apontar para isso como a razão dos males só denota uma
limitação eleitoreira, ocasional, por melhores que possam ser as intenções
críticas. Contudo, isso não nos serve de nada, notadamente, porque o indivíduo se
mantém fiel ao epifenômeno, isto é, quando vemos tão-somente a parte que o
próprio fenômeno permite que vejamos.
Hoje,
assim como foi ontem, é preciso ação efetiva, contundente.
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