Segunda-feira, 26 de janeiro de 2026 - 09h20

O título
trata, sem dúvida, da consciência de classe.
E,
no caso brasileiro, é uma consciência que deve olhar para baixo e para dentro,
antes de olhar para cima e para fora. Para dentro de si, de sua configuração de
classe social, e para fora dos limites estreitos delineados nos interesses
limitados e individualizados.
Comumente,
adormecidas pelos cantos de sereia do capitalismo do enriquecimento fácil, da
riqueza rápida, as pessoas olham para cima e para fora: para fora porque não
querem a miséria que se impõe, para cima porque almejam o que os “ricos têm”.
Essa
consciência até sabe onde está, alguns no fundo do poço, só não se entende o
que a colocou ali; isolada, limitada, olha exclusivamente para si, imagina-se
liberta da opressão da miséria – mas, sem os outros.
Esse efeito limitado de somente olhar para
fora (das condições reais) e para cima (dos campos de poder) é compartilhado
com outras classes sociais: a famosa classe média que quer ser rica, a classe
dominante que almeja dominar infinitamente, as classes pobres que detestam ser
pobres.
Aqui
cabe uma sinalização: as classes pobres não detestam, exatamente, a miséria, a
pobreza continuada, detestam o fato de que sejam assujeitados a essas condições
de negação: o indivíduo lamenta estar ali e não vê que o vizinho está na mesma.
Isto é, trata-se de uma consciência de quem olha somente para si, não existindo
o todo que a mantém naquelas condições de negação.
Por outro lado, quando olhamos para
baixo e para dentro estamos procurando, além de nós mesmos, outros que sejam
semelhantes ou que estejam prostrados em condições análogas. Digamos que
“olhamos para dentro da classe social”, para a classe social em suas infinitas
condições, limitações e possibilidades, e, quando “olhamos para baixo”,
passamos a clarear o entendimento acerca das estruturas e das condições do
poder.
Assim, especificamente no caso
brasileiro, o Direito à consciência social é incisivamente dirigido pela
consciência de classe que é forjada por uma racial luta de classes. A expressão
“racial” é péssima, porque parte da limitação (negação) que há no entendimento
de que a Humanidade é dividida em raças – na essência, qualquer limitação
trazida pelo “racial” é irracional, porque não há raças humanas – só há uma
espécie. Porém, pior do que isso, é esse o gatilho empregado na continuidade do
racismo e das proposições de eugenia. Em outras palavras, também é assim que se
faz perdurar a luta de classes racista.
No conjunto, esse olhar para cima e
para fora, sem, contudo, ver-se adequadamente – porque não se vê os outros –,
além de um imenso e interminável individualismo, egocentrismo, ainda revela a
lógica neocolonial e neoliberal que “opera as consciências por dentro”.
Numa frase, essa lógica seria assim
resumida: A pior opressão é aquela que, sutilmente, o indivíduo se presenteia
(banqueteia-se) com a sua abdução.
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