Quinta-feira, 22 de janeiro de 2026 - 09h55

O que
transita é o que já está em movimento, é o que transita entre aqui, ali e
acolá. O que leva a pensar na acessibilidade como uma via, um canal, um
conjunto de meios que permitem ou facilitam o acesso e, assim, não obstruam o
movimento.
Basicamente,
trata-se do estar para ser e, posteriormente, do estar aqui para também ser ali.
E
onde está a acessibilidade nisto?
Está em tudo, e podemos ver o básico
primeiro: as classes dominantes que olham somente para si, para dentro do poder
que lhes concede cada vez mais privilégios, podem acessar o que bem entender.
Não lhes pertence (salvo exceções) a mobilidade decrescente na hierarquia
social e econômica: “o ditado popular diz que caem ganhando, para cima”. Obviamente,
as classes dominantes acessam o poder que lhes renova e assegura todos os
privilégios; além disso, podem mover uma montanha para assegurar seus direitos.
Somos nós, os expurgados socialmente,
economicamente, que não acessamos poderes, espaços, conteúdos,
institucionalidades, serviços, condições elementares à moção da dignidade
humana. Quem acessa o poder, acessa tudo que lhe garanta ainda melhores
condições de acessibilidade.
No brasil, o combo de racismo,
misoginia, elitismo, capacitismo é institucional, replicante, multiplicado, e
assim se molda toda a luta política em torno da luta de classes; contudo, é
este um bom começo para quem se nutre do Direito à consciência.
É desse modo que a consciência de
classe se põe ali fora, entretanto, para estar ali, é preciso estar aqui
(dentro), conscientemente. E assim a acessibilidade é feita com conhecimento,
lógica, prospecção, reflexão. A primeira ação, por derradeiro, começa em si –
para, então, estar ali. O que é óbvio, pois algo somente pode vir a ser (ali)
quando se sabe como é estar por aqui.
Sem
o acesso ao conhecimento, não iremos com a consciência a lugar nenhum. Em tese,
esse é o papel da educação, não como uma margem limitante do rio, mas,
sobretudo, como o fluxo, uma correnteza que leva adiante, que faz mover, que
desagua no que precisa ser feito, modificado e, desse modo, levando consigo as
raízes do que impede o acesso de milhares, milhões de pessoas.
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