Sábado, 7 de fevereiro de 2026 | Porto Velho (RO)

×
Gente de Opinião

Vinício Carrilho

Autodescrição - Manifesto Biopolítico


Autodescrição - Manifesto Biopolítico - Gente de Opinião

       O que conta, efetivamente, é que foram e são momentos de afloramento da luta política, de uma Luta pelo Direito, porque invariavelmente estamos imersos, submetidos à luta de classes.

Sendo assim, já realço duas críticas de um velho amigo, que me conhece. Diz ele: “Ficou meio egóico e esqueceu do boteco”. Em minha defesa prévia, posso dizer que – e isso ocorre com todo mundo – foram momentos intensos, intensivos e muitas vezes foram momentos tensos. No entanto, com isso em mente, segue minha autodescrição direta e que é um simples Manifesto Biopolítico, em poucos aspectos:

 

1.    Sou de esquerda praticamente desde que nasci – ao menos desde que contraí a Pólio (paralisia infantil) aos seis meses de idade e que me afetou a perna esquerda: onde não há coincidência, por suposto, há semelhança. O cérebro acho que ficou legal e a luta contra o Império nunca cessou, assim como aumentou minha identificação com o povo pobre, negro e oprimido – e pela Palestina.

2.    Meu pai era comunista, fichado no antigo DOPS, minha mãe foi professora de língua portuguesa por 30 anos: meu irmão foi meu melhor amigo – ele é, ainda que tenha falecido. Talvez por isso não seja ateu, ainda que deteste as religiões – admiro bastante o Tao të King e o “vazio que ressignifica tudo” (é a origem do que é O virtual: virtus = potência).

3.    Acho que vem daí meu vício em pensar e escrever (agora também gravar). Isso aqui não sei se gosto muito, não. Porém, é por meio disso que expresso minha luta pela democracia, inclusão e acessibilidade, pela proscrição da prescrição, da exceção, e em favor da negação da negação (afirmação), e pela isonomia e equidade.

4.    Sou uma pessoa com deficiência física (PCD) que nunca aceitou os limites impostos, prescritos, e que só não pulou de paraquedas. Provavelmente por isso “eu amo gatos” – por sua independência, autonomia e inteligência. O que mais vejo nesses bichos é a repulsa à rejeição, e da qual sou partícipe.

5.    Sou um homem branco antirracista e antifascista – em que pese o machismo que veio de herança: o qual tento fazer um auto combate diário. Minhas avós e meus avôs vieram paupérrimos da Espanha, fugindo dos falangistas – de Franco e dos seus fascistas tardios.

6.    Sou filho da escolarização, com todos os diplomas e promoções que nem imaginava, antes de conquistar. Publiquei 26 livros.

7.    Fui escolarizado metade em escola pública e metade em escola particular, no modelo bancário, e conheci Paulo Freire apenas por vias indiretas – até que chegou 2024, quando virou uma obsessão uma certa Pedagogia do Oprimido e mesmo que faça críticas pontuais: por exemplo, exerço minha memória o dia inteiro (há memorização de conteúdos sedimentados pela ontologia e guiados pela teleologia).

8.    Nunca tive grandes problemas na escola – só conheci o bullying na vida adulta, praticado por docentes da UFSCar. Porém, isso apenas alimenta minha luta contra a discriminação e o preconceito – e a quem destilo um “capacitismo reverso”: eles nem imaginam o que significa, no entanto, tiro uma, todo dia. Faço isso desde que aprendi a operar um poderoso remédio político-jurídico: contra a canalhice e o acinte, use sem moderação o escárnio e a ironia ácida (e que é dialética, diria Ianni).

9.    Sou servidor público federal, já acostumado à estabilidade, mas que não contempla a paralisia do Poder Público.

10.                    Sou uma pessoa de métodos, a começar pelo Método do meio dia (Ortega Y Gasset – esse tive que puxar pela memória) e pelo Método a contrapelo (Benjamin); todavia, também me aplico (é da natureza) a Serendipidade e a bricolagem, a intuição, a lógica, o Bom Senso (que nem sempre está à mão), a prospecção e a provocação. Com certeza, a crítica e a criatividade estão no coração. Para uma vida, creio que está bom. 

Para cada item desses poderia anexar uma publicação pessoal, de artigo, livro ou vídeo, todavia, pensei que aí perderia a graça, ficaria por demais institucionalizado, com o objetivo distorcido pelo cientificismo. 

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

Gente de OpiniãoSábado, 7 de fevereiro de 2026 | Porto Velho (RO)

VOCÊ PODE GOSTAR

Estado laico - nota zero para a militarização do ensino público.

Estado laico - nota zero para a militarização do ensino público.

O Estado é laico e, assim sendo, tenho a obrigação constitucional de ser absolutamente contrário a qualquer "escola cívico-militar". Inclusise porq

“Sociologia dos Afetos”

“Sociologia dos Afetos”

           Está correto falar de/em afetos? Claro que sim. Isso fica evidente quando tratamos de relações pessoais ou de relações sociais. Num exemp

Inteligência artificial na política

Inteligência artificial na política

No caso específico das fake news na seara política, o ônus da prova está invertido: na prática, o atingido pelo áudio (supostamente feito por IA) te

Consciência social e de classe

Consciência social e de classe

         O título trata, sem dúvida, da consciência de classe. E, no caso brasileiro, é uma consciência que deve olhar para baixo e para dentro, an

Gente de Opinião Sábado, 7 de fevereiro de 2026 | Porto Velho (RO)